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domingo, 22 de outubro de 2017

Picolé de Barro, canção que evoca a infância em Carlos Chagas com grande grande expressão poética!!




Há tempo queria fazer este clipe em função desta linda música. Esta canção tem uma grande beleza poética que toca diretamente na identidade dos carlos-chaguenses. Ela é simplesmente uma imagem registrada da infância que foi vivenciada em nossa cidade. O passado foi tão leve, educativo e importante, tocou, emocionou de tal forma  que o poeta quiz sublimar em canção uma experiência de infância. É o que de mais terno, sútil e bonito pôde ficar  consagrado  na vida do mesmo  acerca das suas vivências. Ele soube registrar com singeleza e simplicidade  esse sentimento de passado vivido que vira memória na subjetividade dos habitantes de Carluxa, como é carinhosamente chamada essa cidade. As reminiscências,  trazidas pela bela canção evoca as  vivências do poeta referidas a um tempo  que projetadas no hoje consolidam a identidades do cidadão daqui. As águas do rio mucuri, são fortes denotações na alma, elas agora, ralas e escuras, na disputa  pelo oxigênio, já não permitem as pinguelas. Movimento do corpo praticado entre ingazeiras que refletiam em ondas na água, comunicando a grandeza do rio, na acolhida de todos os meninos e meninas que se aventuravam. Quem já não as tirou? Os coiôs, a boca de forno e tantas formas de interações lúdicas da rua se tornaram apenas sentimento poético na canção do Leonardo, porque se tornou impossível de práticá-las. Os jogos infantis praticados diretamente na rua tiveram um importante papel na formação da personalidade da criança em nossa cidade. Hoje quando ainda vemos remanescente destas vivências na Rua Frei Simeão por exemplo, pensamos o quanto ainda tem de tudo isto, e o quanto precisa ser preservado. A internet consome as crianças com suas brincadeira virtuais e o seu tempo fica todo ali. Esta canção  toca em algo muito sublime. Fazer memória é refazer, reconstruir, repensar com imagens e idéias de hoje, a experiência  vivida no desenho que foi: uma infância muito saudável ontem. Fazer a memória, segundo Ecléa Bosi é trabalhar para refazer o que ainda ficou. Juntar os cacos de tudo que resta,  é não  não apenas ficar preso e inerte no sonho alienado do passado.  Fazer a memória para Ecléa é trabalhar para salvar, preservar o legado, as marcas deixadas.  É lutar de forma  incansável pelo que ainda existe,  é manter e ressignificar o que ainda pode proporcionar novas experiências. A memória não é sonho, é trabalho. Fazer a memória é agarrar ao que ainda que esteja em pedaços,  se faz presente.
Por Deodato Gomes

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