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sexta-feira, 2 de novembro de 2018

Apesar de sermos cidadãos do céu, só aqui na terra podemos nos educar para conquistá-lo


Hoje dia de finados, fico pensando na intensidade que tem a dor de perder alguém amado. São momentos muito difíceis na vida pelos quais passamos com as vivências dos nossos lutos. É preciso viver um intenso processo de elaboração para transformar em esperança tanta dor, afinal é  "vida que segue". A esperança e a saudade vão se revezando até a esperança se impor.  Em muitos momentos choramos de saudade, quando fazemos a memória de alguém que nos amou e que amamos, mas a esperança vem ocupar o vazio da saudade e nos encher de certezas de que no fim de tudo tem muita luz e um encontro definitivo com o amor. 



Certo é que estamos aqui por um brevíssimo tempo. E é muito bacana a forma como o salmista (SI 89,10) se refere a este breve espaço de tempo que temos neste mundo de poucas alegrias e tanta dor:


A morte é um fenômeno biológico universal pelo qual todos passarão, cultural é a forma como a encaramos e portanto sofremos pela forma como a concebemos. No México ela é celebrada com festa.

A grande maioria das pessoas não chegará à idade preconizada pelo salmista. Muitas coisas nos lembram a brevidade da vida e a incerteza do momento em que ela, a poderosa morte vai chegar nos assusta. Gil pede em uma de suas canções, "Não se iludam, não me iludo. Tudo agora mesmo pode estar por um segundo". Estamos de tal forma expostos aos riscos, principalmente agora neste momento tão indeterminado da história,  que a vida é a própria fragilidade. Quantas crianças estão neste momento morrendo por razões inumanas inaceitáveis,  oxalá nós, que já temos uma história com outros seres humanos nesta terra. 



Também não dá para ser imortal, seria muito enjoada a vida assim. Viver eternamente e sem fim, deveria ser muito sem graça. Em nosso inconsciente não existe registro do evento morte, com base nele vivemos como se fóssemos imortais. A percepção da morte existe em nós e já começa existir  na criança, mas a nível consciente. Quanto mais a idade chega mais se torna forte a convicção do fim. 



 A mitologia grega relata o caso de Sibila de Cumas, que com um punhado de areia nas mãos,  pediu a Apolo tantos anos de vida quantos fossem aqueles grãos de areia.  A ela foi concedido então a imortalidade, mas ela esqueceu de pedir a juventude. Depois de um certo tempo, quando já estava velha, cansada e debilitada  ela então passa a pedir a morte. 


Michelangelo deu destaque à Sibila de Cumas na Capela Sistina, entre os profetas do Velho Testamento.



De fato esta temática nos assusta, a ponto de temermos até mesmo a pronuncia da palavra morte. Certo é que,  como diz São Paulo, "somos cidadãos do céu". O problema é que é aqui na terra que nos tornamos dignos do céu. É uma conquista buscada em cada passo que damos nesta estrada inevitável na direção do fim. Calma, não do fim de tudo, mas do fim das impermanências e futilidades humanas: poder, sucesso, enfim das corrompidas vitórias humanas.  O desafio de ser generoso, de praticar o bem, de respeitar o outro na sua diferença, Deus colocou para todos nós. O desafio da perfeição está incrustado no mais profundo do nosso ser. E é na vivência desses desafios que podemos viver mais felizes aqui, e vislumbrar a plenitude celeste lá. Este mundo é muito mais de dor, tristeza do que felicidade, pelo menos eu acho, que inclusive precisa ser percebida, como forma de sublimar os descaminhos.

Quem nesta nossa terra de bons e maus frutos, conseguir construir uma vida baseada no respeito, na justiça e na vivência do amor levando estes princípios ao extremo da aplicação na vida individual e social,  aí sim, acredito que poderá está apto a se unir a Deus depois de sua passagem por este mundo. 
Paulo, na Carta aos Romanos fala que "quer vivamos, quer morramos, pertencemos a Deus". Olha que maravilha. Calma aí, porque não é mágico e nem automático. O pertencer a Deus depois da nossa passagem está sempre na condicional. 

O depois depende do antes e o antes joga um xadrez com o depois. Possuir Deus, encontrar o céu depois da nossa morte, vai depender se antes o buscávamos e alimentávamos esta caça pela oração. 

Interessante que São Paulo fala mais ainda quando diz que o tempo de salvação é agora, porque  quando ela, a morte,  chega já não se tem mais tempo de construí-la. No momento da passagem se estávamos em Deus permaneceremos Nele. Não existe salvação depois.

Para minimizar a dureza da morte, lembro um fragmento do poema de Quintana que sempre posto aqui quando reporto à morte:



                                                 Por Deodato Gomes.

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