Bullying

Mostrando postagens com marcador CAFÉ COM PROSA-2026. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador CAFÉ COM PROSA-2026. Mostrar todas as postagens

sábado, 14 de março de 2026

O Teorema do Guarda-Chuva e a Bússola Quebrada!



O Teorema do Guarda-Chuva e a Bússola Quebrada.

Diz o ditado que quem tem boca vai a Roma, mas em Belo Horizonte, quem tem boca — e uma dose cavalar de cara de pau — chega até ao Shopping Cidade sob tempestade.

Nossa expedição pedagógica desembarcou na capital mineira com a nobre missão de discutir a Educação Municipal no Café com Prosa da UNDIME. Éramos 17 almas: 11 diretores de escola, acostumados a domar o caos do recreio, e 6 técnicos da Secretaria, habituados a decifrar planilhas. Mas, diante do labirinto de ruas de BH, viramos todos alunos do prézinho perdidos na hora da saída.

Para nós, cada esquina da capital parecia um déjà vu. "Aquele prédio não é o mesmo de três quadras atrás?", alguém perguntava. A ansiedade batia forte, e o senso de direção era o primeiro a pedir exoneração. No entanto, uma de nossas diretoras — que chamaremos carinhosamente de Dona Audácia para preservar sua ficha funcional — decidiu que o GPS é para os fracos e que a aventura é o melhor plano de aula.

A Estratégia do "Uber Humano"

Tudo começou com a tecnologia. Dona Audácia baixou o aplicativo de transporte, mas a interface parecia mais complexa que o fechamento do ano letivo. Sem paciência para ícones giratórios, ela simplesmente abordou um senhor que passava, um desconhecido que provavelmente só queria comprar um pão de queijo em paz.

"Meu senhor, faz um favor? Chama esse tal de Uber pra mim que eu não estou sabendo domar esse bicho", disparou ela, entregando o celular na mão do estranho com a confiança de quem entrega uma prova para o aluno corrigir.

O homem, dividido entre o medo e a perplexidade, operou o milagre digital. E lá se foi ela, vitoriosa, deixando o pobre senhor parado na calçada tentando entender se tinha acabado de ser contratado como assistente pessoal não remunerado.

Cantando (e Invadindo) na Chuva

A caminho do Shopping Cidade, o céu de BH resolveu testar os limites da hospitalidade mineira. Desabou o mundo. Qualquer pessoa normal procuraria uma marquise, mas Dona Audácia tinha um penteado a zelar.

Ao avistar um jovem que caminhava tranquilamente sob seu guarda-chuva, ela não hesitou. Encostou no rapaz, entrou debaixo do abrigo e sentenciou:

"Moço, não posso molhar o cabelo. Vou seguir com você, tudo bem?"

O rapaz olhou para o lado, viu aquela entidade pedagógica compartilhando seu espaço vital e, num misto de pânico e educação mineira, apenas assentiu. Caminharam como velhos amigos, ou melhor, como um satélite e seu planeta, até o destino seco. O jovem certamente terá histórias para contar na terapia; Dona Audácia só ganhou um cabelo impecável.

A Odisseia do Quinto Andar

Já dentro do Shopping Cidade, a missão era o cinema. Subimos e descemos os cinco pisos tantas vezes que poderíamos ter sido homologados como atletas de step. O cinema era uma lenda urbana, um oásis que recuava a cada escada rolante.

Foi então que ela, em um novo surto de iluminação prática, resolveu perguntar. A resposta veio como um enigma de esfinge:

— "Tem que pegar o elevador direto para o piso 5."

No elevador, o ápice do drama. Na hora de sair, a hesitação. As portas começaram a fechar e Dona Audácia, num reflexo de mestre de esgrima, sacou o fiel guarda-chuva e o enfiou entre as portas para detê-las. O sensor, moderno e exigente, ignorou o objeto inanimado e continuou o fechamento.

"Uai, mas não para?!", exclamava ela, enquanto tentávamos explicar que o elevador tinha padrões éticos e só respondia ao toque humano, não a acessórios de nylon.

No fim das contas, entre risos e quarteirões idênticos, aprendemos que a Educação Municipal vai bem, mas a nossa capacidade de navegação urbana precisaria de uma recuperação intensiva. BH continua linda, os prédios continuam iguais e Dona Audácia... bem, ela provavelmente já está planejando como pegar carona em um helicóptero usando apenas um sorriso e um crachá da UNDIME.

Gestão e Afeto: O Encontro da Estratégia com o "Chão da Escola" no Café com Prosa

      Momento do autógrafo com Bruno Lyra, Alan Jhones e        Guilherme Goulart durante o Café com Prosa, em Belo Horizonte.

Gestão e Afeto: O Encontro da Estratégia com o "Chão da Escola" no Café com Prosa

O mundo mudou, o mercado educacional se transformou e, com eles, as exigências para que nossas escolas cresçam com consistência e, acima de tudo, relevância. Recentemente, tive o privilégio de participar do Café com Prosa, em Belo Horizonte, um espaço de diálogo essencial para quem pensa o futuro do ensino.

Na ocasião, tive um encontro marcante com três expoentes da gestão educacional contemporânea: Bruno Lyra, Alan Jhones e Guilherme Goulart. Mais do que um aperto de mãos e um registro fotográfico, o momento foi selado pela entrega de uma obra que já nasce como um "manual vivo" para quem vive o cotidiano escolar.

A Gestão que Fala a Língua do Pátio

É impressionante como os autores conseguiram traduzir a lógica complexa do mercado para a linguagem de quem realmente faz a escola acontecer: o professor na sala de aula, o alguém no pátio, a secretária no atendimento aos pais e o gestor no conselho pedagógico.

Como sempre defendo em minha atuação na Secretaria de Educação de Carlos Chagas, a cultura organizacional não pode ser apenas um conceito fixado na parede da diretoria. Ela precisa ser ferramenta, ação e prática. O livro de Bruno, Alan e Guilherme reforça que todos devem dialogar muito e que a experiência institucional é o que sustenta o crescimento duradouro dos alunos e professores.

Inspirando Carlos Chagas

Trazer essas referências para a nossa realidade em Carlos Chagas é um compromisso com a excelência. Ao receber o autógrafo desses profissionais, renovo meu entusiasmo em aplicar estratégias que ativem o protagonismo interno de nossos profissionais e preparem nossos alunos para um mundo mais exigente e comparativo.

"Não é apenas sobre bater metas, aumentar o ideb; é sobre construir valor, fortalecer a reputação da nossa educação pública e desenvolver equipes orientadas por um propósito claro."

Agradeço aos autores pela acolhida e pela partilha de conhecimento. Saio do Café com Prosa com o livro em mãos, mas com a mente repleta de novos horizontes para a educação de nossa terra.

Sigamos aprendendo, pois quem ensina com o coração, nunca deixa de ser aprendiz.

Deodato Gomes Costa

Siga no Instagram: @professordeodatogomes


📸 Um Encontro Necessário: O Futuro da Educação Básica em Pauta!

📸 Um Encontro Necessário: O Futuro da Educação Básica em Pauta

Recentemente, tive a honra de participar de mais uma edição do Café com Prosa, onde pudemos ouvir a brilhante Maria Helena Guimarães de Castro. Com a propriedade de quem preside o Conselho Estadual de Educação de SP e lidera a Cátedra do Instituto Ayrton Senna, ela nos trouxe um diagnóstico que, embora duro, é o mapa que precisamos para navegar os desafios da nossa Educação Básica.

Compartilho com vocês os pontos que mais me marcaram e que, acredito, devem nortear nossa gestão.

1. O Alerta dos Números: A Emergência da Aprendizagem

Maria Helena foi enfática: o diagnóstico atual do Brasil não é bom. Os dados do SAEB e de exames internacionais como o PIRLS e o TIMSS escancaram uma realidade urgente. Quando olhamos para o 4º e 5º ano, vemos que a grande maioria dos nossos alunos ainda não domina conteúdos básicos de Matemática e Leitura.

O dado que mais me chocou foi a transição do "aprender a ler" para o "ler para aprender". Se a criança não consolida a alfabetização até o 2º ano, todo o seu futuro escolar é comprometido. Não é apenas uma questão de nota, é uma questão de direito à cidadania.

2. Minas Gerais: Um Farol de Esperança

Em meio aos desafios nacionais, Maria Helena destacou o salto de Minas Gerais. Ver que nosso estado cresceu 12,3 pontos percentuais na alfabetização entre 2023 e 2024 (chegando a 72,07%) nos dá a certeza de que o caminho é o regime de colaboração e o foco na aprendizagem na idade certa. Isso reforça nosso compromisso aqui no município.

3. O Novo Perfil do Aluno e a Saúde Mental

A palestra trouxe uma reflexão profunda sobre os nativos digitais. Nossos alunos hoje lidam com uma velocidade de estímulos que a escola tradicional ainda custa a acompanhar. Mas não é só tecnologia; é sobre gente.

O PISA 2022 revelou que quase 30% dos alunos brasileiros se sentem sozinhos na escola. Maria Helena nos lembrou que promover a saúde mental envolve criar ambientes acolhedores e integrar competências socioemocionais — como empatia e autogestão — ao nosso currículo de forma prática.

4. Inteligência Artificial: Aliada, não Substituta

Um dos momentos mais inovadores foi a discussão sobre a IA na Educação. A visão apresentada não é a de substituir o professor, mas de usar a tecnologia para:

  • Personalizar trilhas de aprendizagem.

  • Diagnosticar dificuldades em tempo real.

  • Liberar o professor de tarefas burocráticas para que ele possa ser o mediador humano que a criança precisa.

  • Shutterstock

5. A Escola que Precisamos Construir

Encerrando sua fala, a palestrante nos convocou a pensar na "Escola do Século XXI". Uma escola que prepare para o Mundo V.U.C.A (Volátil, Incerto, Complexo e Ambíguo). Para isso, precisamos de:

  • Formação Docente Disruptiva: O professor precisa ser valorizado e apoiado continuamente.

  • Educação Infantil com Equidade: Onde o acesso à creche não seja um privilégio dos mais ricos.

  • Foco na Curiosidade: Uma escola que ensine a pensar, e não apenas a repetir conteúdos fragmentados.

Minha reflexão final:

Saí da palestra com a convicção reforçada de que a educação básica é um processo sistêmico. Do acolhimento na creche ao uso ético da IA no Ensino Médio, o fio condutor deve ser sempre o mesmo: a garantia de que cada aluno, independente de sua condição social, tenha o direito de aprender e sonhar.

https://photos.app.goo.gl/eT1V3Nh7EVuqdhPJ7