Fonte: Mapa adaptado de COSTA, Deodato Gomes. Baixo desempenho em matemática e práticas de ensino: inquietações necessárias, explicações possíveis. Dissertação de mestrado, Universidade Federal de Juiz de Fora, 2019, p. 33. Mapa original: SEE/MG, 2017. CONSULTAR DISSERTAÇÃO
O Vale do Mucuri votou em Lula: o que a desigualdade, a educação e as políticas sociais podem revelar sobre esse resultado?
Vitória do candidato do PT nos 23 municípios da antiga mesorregião acompanha o resultado de Minas Gerais e convida a uma reflexão sobre concentração de riqueza, oportunidades e o futuro da população
O Vale do Mucuri pintou de vermelho o mapa eleitoral de Minas Gerais no segundo turno da eleição presidencial de 2026. Nos 23 municípios que integravam a antiga mesorregião, Luiz Inácio Lula da Silva (PT) foi o candidato mais votado diante de Flávio Bolsonaro (PL).
O resultado acompanha a preferência que prevaleceu em Minas Gerais, onde Lula venceu por uma margem estreita: 50,43% dos votos válidos, contra 49,57% de Flávio Bolsonaro. No Vale do Mucuri, o candidato do PT ficou à frente em todos os municípios do recorte analisado, embora com diferenças importantes entre uma cidade e outra. www.opovo.com.br
Em Fronteira dos Vales, Lula alcançou 74,34% dos votos válidos. Em Setubinha, obteve 74,13%. Em Carlos Chagas, recebeu 6.652 votos, correspondentes a 60,31%, enquanto Flávio teve 4.378 votos, ou 39,69%.
Em Teófilo Otoni, maior município da região, a disputa foi mais equilibrada: Lula teve 52,67%, contra 47,33% de Flávio. Em Nanuque, a diferença foi ainda menor: 51,33% para Lula e 48,67% para Flávio. maisminas.com.br
Os números permitem observar para onde foi a maioria dos votos. As razões que levaram cada eleitor a escolher um candidato, porém, não aparecem na urna. Por isso, qualquer tentativa de explicar o resultado precisa ser apresentada como hipótese e examinada com cuidado.
Entre as possíveis interpretações, uma questão merece atenção especial: a desigualdade que marca a vida social e econômica do Vale do Mucuri.
A desigualdade como primeira hipótese
O Vale do Mucuri é uma região de trabalho, produção e riqueza. A pecuária ocupa lugar importante em sua história econômica e na paisagem de muitos municípios. O campo movimenta negócios, gera ocupações e contribui para o abastecimento e a economia regional.
Ao mesmo tempo, a riqueza produzida não se transforma igualmente em oportunidades para todos. Ao lado das propriedades rurais e das atividades agropecuárias, encontram-se famílias que enfrentam baixos rendimentos, trabalho informal, dificuldade de acesso à terra, limitações nos serviços públicos e poucas perspectivas de emprego para os filhos.
Essa convivência entre produção e desigualdade ajuda a formular uma pergunta central: quem participa da riqueza gerada no Vale e de que maneira seus benefícios chegam às famílias?
Um estudo histórico sobre a ocupação do Vale do Mucuri destaca a importância da pecuária extensiva na formação do espaço regional. Pesquisas sobre a questão agrária nos Vales do Jequitinhonha e Mucuri também chamam atenção para a necessidade de compreender as relações entre a organização da produção rural e as desigualdades sociais. São estudos que ajudam a contextualizar o problema, embora não permitam atribuir a uma única atividade econômica a responsabilidade por toda a desigualdade existente. revistas.uepg.br
A realidade do campo é diversa: nela estão grandes e médios produtores, trabalhadores rurais, agricultores familiares e comunidades com trajetórias diferentes. Todos fazem parte da região. A questão é pensar em um modelo de desenvolvimento capaz de gerar riqueza e, ao mesmo tempo, distribuí-la de maneira mais justa.
Relatório divulgado pelo Ministério da Integração e do Desenvolvimento Regional, elaborado no âmbito de parceria com a UFVJM, apontou dificuldades relacionadas ao emprego formal e destacou a presença de programas de transferência de renda no Vale. Os dados utilizados no estudo são anteriores à eleição de 2026, mas ajudam a iluminar problemas estruturais da região. www.gov.br
A desigualdade aparece quando uma pessoa trabalha muito e, ainda assim, tem dificuldade de manter a família; quando um jovem conclui a escola e não encontra oportunidade próxima de casa; quando uma mãe precisa de uma vaga em creche para trabalhar; ou quando um cidadão aguarda um exame ou uma cirurgia de que necessita.
Nesse contexto, é razoável levantar a hipótese de que parte dos eleitores tenha visto em Lula e nas políticas associadas à sua trajetória uma possibilidade de maior proteção social e enfrentamento das desigualdades. Isso não significa que todos os que enfrentam dificuldades tenham votado da mesma maneira, nem que a desigualdade, sozinha, explique o resultado.
Significa reconhecer que as condições concretas de vida podem influenciar o modo como as pessoas avaliam propostas políticas e escolhem seus representantes.
Universidade: conhecimento, identidade e compreensão da realidade
Uma segunda hipótese diz respeito à presença da universidade pública e à ampliação das oportunidades educacionais no Vale do Mucuri.
Em 2006, a Universidade Federal dos Vales do Jequitinhonha e Mucuri iniciou sua expansão com a implantação do Campus do Mucuri, em Teófilo Otoni. A presença da UFVJM abriu caminhos para estudantes da região e contribuiu para aproximar ensino, pesquisa e extensão das questões vividas nos municípios. portal.ufvjm.edu.br
A universidade possibilita que jovens se formem em diferentes áreas, mas sua presença também pode produzir efeitos que ultrapassam a obtenção de um diploma. Ao pesquisar o território, dialogar com comunidades e formar profissionais que atuam nas escolas, nos serviços públicos, nas empresas e nas organizações sociais, ela ajuda a ampliar o debate sobre os desafios regionais.
A educação pode oferecer instrumentos para analisar a distribuição da riqueza, a qualidade dos serviços públicos, as relações de trabalho e as oportunidades disponíveis. Pode também contribuir para que a população conheça melhor sua própria história e participe da construção de uma identidade regional consciente de seus desafios e de suas potencialidades.
Essa identidade não nasce apenas dentro da universidade. Ela é construída também pelas escolas, pelas famílias, pelos trabalhadores, pelos produtores rurais, pelos artistas, pelas comunidades tradicionais e por todos que fazem a vida do Vale acontecer.
A hipótese é que a presença da UFVJM e a ampliação do acesso à educação tenham contribuído, ao longo do tempo, para fortalecer o debate público e a reflexão sobre a realidade social e econômica da região. Não há, contudo, dados que permitam afirmar que a universidade tenha determinado o resultado eleitoral. Para verificar sua influência sobre o voto, seria necessário ouvir os eleitores e realizar pesquisas específicas.
O que se pode afirmar é que o acesso ao conhecimento amplia possibilidades. Uma população com oportunidades educacionais tem mais caminhos para compreender sua realidade, defender seus direitos e participar das decisões sobre o futuro de seu território.
Bolsa Família: proteção social e dignidade
Uma terceira hipótese está relacionada à presença do Bolsa Família no cotidiano das famílias e dos municípios.
Para pessoas que convivem com renda instável ou insuficiente, a transferência de renda pode contribuir para a compra de alimentos e de outros itens essenciais. O benefício também movimenta o comércio local, pois parte dos recursos recebidos pelas famílias é utilizada nos próprios municípios.
É possível que uma parcela dos eleitores associe o programa à trajetória política de Lula e considere sua continuidade um elemento importante na escolha eleitoral. Essa interpretação é coerente com a importância das políticas sociais em territórios marcados pela pobreza e pela desigualdade.
Mas é necessário afastar uma explicação simplista: receber o Bolsa Família não determina o voto de uma pessoa. Os beneficiários têm opiniões, valores e projetos próprios, assim como todos os demais cidadãos. Podem apoiar diferentes candidatos e avaliar os governos por muitos motivos.
O programa deve ser compreendido como uma política pública de proteção social. Seu papel, contudo, não elimina a necessidade de ampliar oportunidades de educação, qualificação, emprego e geração de renda.
Uma região que protege as famílias em situação de vulnerabilidade também precisa trabalhar para que elas tenham acesso a novas possibilidades de desenvolvimento.
Carlos Chagas: Lula amplia sua votação entre os turnos.
Em Carlos Chagas, Lula foi o candidato mais votado nos dois turnos da eleição presidencial de 2026. Do primeiro para o segundo turno, ele ampliou o número de votos e a vantagem sobre Flávio Bolsonaro.
No primeiro turno, realizado em 4 de outubro, Lula recebeu 5.856 votos, correspondentes a 55,22% dos votos válidos. Flávio Bolsonaro obteve 4.165 votos, ou 39,28%. Outros candidatos também participaram da disputa nessa etapa. mapadaseleicoes.com.br
No segundo turno, em 25 de outubro, Lula chegou a 6.652 votos, equivalentes a 60,31% dos votos válidos. Flávio recebeu 4.378 votos, ou 39,69%. A diferença entre os candidatos foi de 2.274 votos. população, PIB e gasto com pessoal
Entre os dois turnos, Lula acrescentou 796 votos à sua votação em Carlos Chagas, enquanto Flávio recebeu 213 votos a mais. A vantagem do candidato do PT passou de 1.691 para 2.274 votos.
O percentual de Lula também cresceu 5,09 pontos percentuais entre os turnos. Essa comparação, porém, precisa considerar que, no primeiro turno, havia outros candidatos; no segundo, a disputa ficou restrita a Lula e Flávio.
A comparação com a eleição anterior apresenta outro aspecto importante. No segundo turno de 2022, Lula recebeu 6.730 votos em Carlos Chagas, o equivalente a 62,12% dos votos válidos. Jair Bolsonaro, então seu adversário, teve 4.103 votos, ou 37,88%. vototeca.com.br
Em 2026, Lula manteve a vitória no município, mas seu percentual no segundo turno foi 1,81 ponto percentual menor que o registrado quatro anos antes. Em números absolutos, recebeu 78 votos a menos do que em 2022.
A comparação deve levar em conta que os adversários eram diferentes: em 2022, Lula disputou contra Jair Bolsonaro; em 2026, contra Flávio Bolsonaro. Também podem ter ocorrido mudanças no comparecimento e na composição do eleitorado ao longo dos quatro anos.
Os números revelam a permanência de uma preferência majoritária por Lula em Carlos Chagas, acompanhada por uma votação expressiva dos candidatos do PL. Para compreender as razões dessas escolhas, seria necessário ouvir os eleitores e considerar a diversidade de experiências e opiniões existentes no município.
Nanuque mostra que o eleitorado pode mudar
O resultado de Nanuque ajuda a lembrar que o comportamento eleitoral não é fixo.
No segundo turno de 2022, Jair Bolsonaro venceu Lula no município por apenas um voto. Em 2026, Lula venceu Flávio Bolsonaro por 550 votos. radardovoto.com
Houve mudança também entre os dois turnos da eleição de 2026. No primeiro, Flávio ficou à frente em Nanuque, com 48,54% dos votos válidos, enquanto Lula recebeu 46,87%. No segundo, o candidato do PT passou à frente e chegou a 51,33%. mapadaseleicoes.com.br
A virada pode estar relacionada à mobilização das campanhas, ao comparecimento de eleitores que não votaram no primeiro turno, às escolhas de quem havia apoiado outros candidatos ou à mudança de opinião de parte da população. Os dados disponíveis, entretanto, não permitem estabelecer o peso de cada fator.
O caso demonstra que os eleitores não devem ser vistos como um grupo homogêneo. As escolhas podem mudar de uma eleição para outra e até mesmo entre os turnos.
Um chamado aos gestores: cuidar das cidades e promover as pessoas
O resultado eleitoral também convida os gestores municipais a olhar com atenção para a realidade social do Vale do Mucuri.
Cuidar das cidades é necessário. A população precisa de ruas conservadas, praças, iluminação, limpeza, estradas rurais em boas condições e espaços públicos acolhedores. Essas ações fazem parte da qualidade de vida e precisam continuar recebendo atenção.
Mas a gestão pública deve alcançar também as necessidades e os sonhos das pessoas: a criança que precisa aprender, a mãe que procura uma vaga em creche, o cidadão que espera atendimento de saúde, o trabalhador que busca renda e o jovem que deseja construir seu futuro sem ser obrigado a deixar a região.
O desenvolvimento do Vale precisa ser medido não apenas pelas obras realizadas ou pela riqueza produzida, mas também pelas oportunidades criadas e pela melhoria das condições de vida de sua população.
Educação como prioridade absoluta
Se a desigualdade começa a se manifestar cedo, o compromisso com sua superação também precisa começar na infância.
Priorizar a educação significa assegurar que as crianças tenham acesso à escola, mas também que aprendam de fato. É necessário fortalecer o trabalho dos professores, apoiar as equipes gestoras, acompanhar a aprendizagem e oferecer condições para que os estudantes avancem em cada etapa da escolaridade.
Na alfabetização, o desafio é garantir que todas as crianças tenham oportunidades reais de desenvolver a leitura e a escrita. Nos anos seguintes, é preciso consolidar essas aprendizagens e assegurar o desenvolvimento das habilidades matemáticas, da capacidade de interpretação e do pensamento crítico.
Melhorar os indicadores educacionais é importante. Mas cada indicador representa, antes de tudo, a trajetória de crianças e adolescentes que precisam aprender para participar plenamente da vida social e construir seus projetos.
Creches e pré-escolas para atender à demanda
Outro compromisso indispensável é ampliar o acesso à educação infantil, especialmente às creches, onde houver demanda manifesta não atendida.
Uma vaga em creche assegura à criança oportunidades de cuidado, convivência e desenvolvimento. Para muitas famílias, também representa condições para que mães, pais e responsáveis possam trabalhar, estudar e buscar melhores condições de vida.
Os municípios precisam conhecer a demanda, manter cadastros e listas transparentes, planejar a expansão de vagas e buscar apoio técnico e financeiro junto aos governos estadual e federal. A ampliação deve caminhar junto com a qualidade dos espaços, a valorização dos profissionais e o respeito às necessidades das crianças.
A desigualdade de acesso à educação infantil também aparece em estudos nacionais: crianças de famílias de baixa renda enfrentam barreiras maiores para acessar creches e pré-escolas. Essa realidade reforça a importância de olhar para a demanda de cada município do Vale. site.mppr.mp.br
Saúde: da atenção básica aos exames e cirurgias
Na saúde, é necessário fortalecer a atenção básica, com equipes capazes de acolher, acompanhar as famílias, prevenir doenças e encaminhar os pacientes quando necessário.
Mas o cuidado não pode terminar no encaminhamento. O cidadão que precisa de uma consulta especializada, de um exame ou de uma cirurgia deve encontrar caminhos para ter acesso ao atendimento em tempo oportuno.
Isso exige organização das filas, informação clara aos pacientes, acompanhamento dos encaminhamentos, transporte quando necessário e articulação entre municípios, Estado e União. Também requer fortalecimento da rede regional de saúde e dos serviços já existentes.
O Vale conta com iniciativas de atendimento especializado, como o Centro Estadual de Atenção Especializada vinculado ao consórcio regional, que atende municípios da região. Ampliar e organizar o acesso a esses serviços é parte do desafio de transformar o atendimento inicial em cuidado completo. cisevmj.mg.gov.br
A meta deve ser que cada pessoa tenha acesso ao cuidado de que necessita, desde a prevenção até o diagnóstico e o tratamento.
Renda, formação técnica e oportunidades para os jovens
Superar a desigualdade também exige uma agenda de desenvolvimento econômico que alcance as famílias do campo e da cidade.
Os municípios podem buscar, em parceria com outras instituições, formas de fortalecer a agricultura familiar, apoiar pequenos negócios, estimular o cooperativismo, ampliar o acesso à assistência técnica e aproximar a produção regional dos mercados consumidores.
O incentivo ao empreendedorismo juvenil merece atenção. Há jovens com ideias, disposição e talento que precisam de orientação, formação, acesso a ferramentas e oportunidades para transformar seus projetos em atividades capazes de gerar renda.
Empreender, porém, não deve ser apresentado como a única saída para a juventude. O Vale também precisa de empregos dignos, direitos, políticas de desenvolvimento e investimentos capazes de diversificar sua economia.
Nesse caminho, cursos técnicos e de qualificação profissional podem aproximar a formação das oportunidades existentes e das novas possibilidades econômicas da região. Educação, agricultura, tecnologia, comércio, serviços, saúde e produção sustentável são áreas que podem integrar uma agenda de formação construída com escolas, instituições de ensino e comunidade.
Pé-de-Meia, permanência e futuro
O Programa Pé-de-Meia também pode contribuir para que estudantes elegíveis do ensino médio público permaneçam na escola e concluam seus estudos. Trata-se de um incentivo financeiro-educacional voltado a estudantes que atendem aos critérios do programa, entre eles regras relacionadas ao Cadastro Único e à frequência escolar. www.gov.br
Para os jovens do Vale do Mucuri, permanecer na escola precisa ser acompanhado de uma perspectiva concreta de futuro: acesso à formação técnica, ao ensino superior, ao trabalho e a oportunidades de desenvolvimento pessoal.
Os municípios, em colaboração com a rede estadual e as instituições de ensino, podem ajudar a divulgar o programa, orientar as famílias, apoiar a atualização cadastral quando necessária e incentivar a permanência dos estudantes.
Mais do que concluir uma etapa, é preciso que cada jovem perceba que estudar pode abrir caminhos — e que esses caminhos também podem ser construídos no próprio Vale.
Um Vale que reconheça sua riqueza e enfrente suas desigualdades
A vitória de Lula nos municípios da antiga mesorregião do Vale do Mucuri acompanha o resultado de Minas Gerais e permite levantar hipóteses sobre a importância da desigualdade, da educação e das políticas sociais na vida regional.
Nenhuma dessas hipóteses substitui a escuta dos eleitores ou explica, isoladamente, a decisão de cada cidadão. O Vale é plural, e os votos recebidos por Flávio Bolsonaro também mostram a diversidade de posições políticas existente em seus municípios.
O desafio que permanece depois da eleição é comum a todos: construir uma região em que a riqueza produzida se traduza em mais dignidade, conhecimento, saúde e oportunidades para a população.
Isso exige gestores comprometidos com a vida das pessoas; escolas que garantam aprendizagem; creches que acolham as crianças; serviços de saúde que cuidem dos cidadãos; e políticas de desenvolvimento que permitam aos jovens sonhar e realizar.
O Vale do Mucuri tem história, cultura, produção e gente trabalhadora. Seu futuro será mais justo quando essas riquezas também se expressarem em oportunidades concretas para todas as famílias que nele vivem.
Nota: a reportagem considera os 23 municípios da antiga mesorregião do Vale do Mucuri. Os percentuais eleitorais correspondem aos votos válidos no segundo turno de 2026. As interpretações sobre as razões do voto são hipóteses, não conclusões sobre a escolha individual dos eleitores.





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