| Componente Curricular | Obra e Editora em Destaque (1ª Opção) | Total de Escolas | Quais Escolas Escolheram |
|---|---|---|---|
| Língua Portuguesa | A Conquista - Língua Portuguesa (Editora FTD S.A.) | 4 |
• Escola Municipal Nelson Lisboa de Matos • Escola Municipal Oscar João Kretli • Escola Municipal São José • Escola Municipal José Joaquim de Amorim |
| Língua Portuguesa | Ápis Mais Língua Portuguesa (Editora Ática S.A.) | 4 |
• Escola Municipal Aymar Westin Nobre • Escola Municipal Brazilino Rodrigues de Souza • Escola Municipal Maria Ribeiro Tavares • Escola Municipal Presidente Tancredo Neves |
| Matemática | A Conquista - Matemática (Editora FTD S.A.) | 4 |
• Escola Municipal Nelson Lisboa de Matos • Escola Municipal Oscar João Kretli • Escola Municipal São José • Escola Municipal José Joaquim de Amorim |
| Matemática | Ápis Mais Matemática (Editora Ática S.A.) | 4 |
• Escola Municipal Aymar Westin Nobre • Escola Municipal Brazilino Rodrigues de Souza • Escola Municipal Maria Ribeiro Tavares • Escola Municipal Presidente Tancredo Neves |
| Ciências da Natureza | A Conquista - Ciências da Natureza (Editora FTD S.A.) | 4 |
• Escola Municipal Nelson Lisboa de Matos • Escola Municipal Oscar João Kretli • Escola Municipal São José • Escola Municipal José Joaquim de Amorim |
| Ciências da Natureza | Ápis Mais - Ciências da Natureza (Editora Ática S.A.) | 3 |
• Escola Municipal Aymar Westin Nobre • Escola Municipal Brazilino Rodrigues de Souza • Escola Municipal Maria Ribeiro Tavares |
| História e Geografia | Coleção A Conquista (Editora FTD S.A.) | 4 |
• Escola Municipal Nelson Lisboa de Matos • Escola Municipal Oscar João Kretli • Escola Municipal São José • Escola Municipal José Joaquim de Amorim |
| História e Geografia | Coleção Ápis Mais (Editora Ática S.A.) | 4 |
• Escola Municipal Aymar Westin Nobre • Escola Municipal Brazilino Rodrigues de Souza • Escola Municipal Maria Ribeiro Tavares • Escola Municipal Presidente Tancredo Neves |
Bullying
CAMPANHA CONTRA O BULLYING
segunda-feira, 14 de setembro de 2026
Panorama da Escolha do PNLD 2027-2030: 100% das Escolas da Rede Municipal de Carlos Chagas Participam do Processo!
**Cada Dia é uma Vida: a Urgência de Viver Bem**
A mensagem de Sêneca — “Apressa-te a viver bem e pensa que cada dia é, por si só, uma vida” — é um convite para não adiarmos uma vida virtuosa e significativa.
“Apressa-te” não significa viver com ansiedade ou fazer tudo às pressas. Significa reconhecer que o tempo é limitado e que não devemos esperar condições perfeitas para começar a viver corretamente. Muitas vezes, pensamos: “quando eu resolver esse problema”, “quando tiver mais tempo” ou “quando alcançar determinado objetivo, começarei a viver melhor”. Para Sêneca, esse adiamento é perigoso, porque o futuro não nos pertence.
“Viver bem” também não significa acumular prazeres, riquezas ou realizações. Para os estoicos, viver bem é agir com sabedoria, justiça, coragem e moderação. É empregar corretamente o tempo que recebemos, cumprir nossos deveres e cuidar da qualidade moral de nossas escolhas.
Ao dizer que “cada dia é, por si só, uma vida”, Sêneca ensina que devemos considerar cada jornada como uma existência completa. Em um único dia, podemos despertar, escolher, trabalhar, amar, enfrentar dificuldades, aprender e, ao anoitecer, concluir simbolicamente um ciclo.
Isso nos leva a duas atitudes:
viver o presente com atenção, porque este é o único tempo realmente disponível;
terminar cada dia com a consciência tranquila de quem procurou agir da melhor maneira possível.
A máxima não ensina a viver como se não houvesse amanhã de maneira irresponsável. Ela ensina a viver de tal forma que não dependamos do amanhã para dar sentido à nossa existência.
Em síntese:
Não adie a pessoa que deseja ser. Faça do dia de hoje uma vida inteira, orientada pela virtude, pela presença e por escolhas das quais você possa se orgulhar ao anoitecer.
domingo, 13 de setembro de 2026
Por que é tão difícil mudar?
Por que é tão difícil mudar?
Angélica Banhara
Jornalista e palestrante especializada em saúde, longevidade e estilo de vida saudável
Instagram: @angelicabanhara
A gente sabe que precisa comer melhor, fazer atividade física, dormir bem e controlar o estresse. Informação, portanto, não parece ser o problema. Mesmo assim, entre saber o que fazer e colocar em prática existe um abismo.
Por que pessoas informadas, inteligentes e motivadas começam mudanças importantes, mas tantas vezes não conseguem sustentá-las? A resposta mais comum é: falta disciplina, força de vontade, foco. Quem abandona a academia não se esforçou o suficiente. Quem voltou a comer como antes “não teve determinação”. Mas essa explicação ignora uma parte importante da história: as condições em que aquela pessoa está tentando mudar.
É nesse ponto que Viviane Caneriani Pagani, pesquisadora em mudança de comportamento e gestora de estilo de vida saudável, concentra seu trabalho. Fundadora do Miami Institute of Knowledge (EUA), ela desenvolveu a Teoria do Ponto Cego, uma proposta que busca explicar por que uma mudança pode funcionar em determinada fase da vida e fracassar em outra.
A ideia é: toda mudança exige recursos, e eles não são infinitos nem permanecem iguais. Temos diferentes níveis de energia, disposição, equilíbrio emocional, tempo, organização e apoio. Ao mesmo tempo, cada meta impõe uma demanda.
— Antes de perguntar o que uma pessoa deve fazer, precisamos entender se ela dispõe, naquele contexto, da capacidade necessária para sustentar a mudança — diz Viviane.
Pense em alguém que decide começar a se exercitar indo à academia cinco vezes por semana. A meta pode ser adequada em teoria, mas talvez não seja para aquela pessoa naquele momento. Se ela está dormindo mal, trabalhando demais e sob forte pressão, acrescentar cinco treinos à rotina pode ultrapassar sua capacidade disponível. Isso não significa desistir. Talvez seja preciso começar de outro lugar.
Na Teoria do Ponto Cego, Viviane considera quatro dimensões que interferem nessa capacidade. A primeira é o corpo: energia, sono, dores e recuperação. A segunda é a mente: como lidamos com estresse, emoções e frustrações. A terceira é o propósito: a mudança faz sentido ou é apenas uma obrigação? E a quarta é o ambiente: há tempo, organização, apoio e condições para realizá-la?
É uma forma de escapar do pensamento do tudo ou nada. Em vez de sair de uma rotina sedentária para cinco dias de academia, talvez seja mais sustentável começar com dois. Em vez de mudar toda a alimentação, escolher uma alteração possível. Em vez de exigir mais esforço de alguém exausto, talvez seja necessário recuperar o sono primeiro.
— A sustentabilidade da mudança nasce do equilíbrio entre aquilo que a ação exige e aquilo que a pessoa consegue manter — diz.
A proposta tira a culpa, mas não a responsabilidade individual. Troca o julgamento por uma pergunta mais útil: o que está dificultando essa mudança e o que pode ser ajustado?
O ponto cego estaria em planejar a vida a partir daquilo que gostaríamos de conseguir, sem olhar para aquilo que efetivamente conseguimos sustentar. Quando a demanda da mudança fica muito acima da capacidade disponível, cresce o risco de abandono.
A proposta para uma estratégia mais realista é questionar: o que eu consigo sustentar neste momento? Às vezes será preciso fortalecer a capacidade: dormir melhor, reduzir sobrecargas, organizar a rotina. Em outras, diminuir a exigência. Ou fazer as duas coisas ao mesmo tempo, aos poucos.
— A interrupção de um plano não deve ser interpretada como fracasso pessoal; muitas vezes ela reflete um descompasso entre a meta e os recursos do momento — afirma.
Isso vale para a academia, para a alimentação e para qualquer mudança de estilo de vida. Também vale para o envelhecimento. À medida que a vida muda, nosso corpo, nossa rotina e nossas responsabilidades mudam com ela. Uma estratégia sustentável deve acompanhar essas transformações.
Referência bibliográfica — ABNT
BANHARA, Angélica. Por que é tão difícil mudar? O Globo, Rio de Janeiro, 28 jan. 2026. Seção Bem-Estar.
sábado, 12 de setembro de 2026
Os três melhores amigos do coração humano e o Estoicismo!
Para Epicteto, não controlamos a forma como as outras pessoas nos tratam. Não podemos obrigar ninguém a ser leal, verdadeiro ou amigo. Podemos, entretanto, escolher agir com lealdade, falar com sinceridade e cultivar amizades fundamentadas no respeito e no bem comum.
Os cães simbolizam essas virtudes porque demonstram afeto e fidelidade por meio de atitudes. Essa ideia aproxima-se do ensinamento de Epicteto de que a filosofia não deve permanecer apenas nas palavras: precisa aparecer em nossa maneira de viver.
A frase “especialmente quando ninguém está olhando” reforça essa perspectiva. Para Epicteto, uma ação virtuosa não deve ser praticada para receber elogios, conquistar reputação ou agradar aos outros. A virtude possui valor por si mesma. O importante não é parecer uma pessoa boa, mas escolher agir corretamente, mesmo sem reconhecimento.
Uma síntese estoica para acompanhar a imagem seria:
Não podemos exigir lealdade, sinceridade e amizade dos outros. Mas podemos fazer dessas virtudes a expressão de nosso próprio caráter. Para Epicteto, é nas escolhas que dependem de nós — sobretudo quando ninguém está olhando — que revelamos quem verdadeiramente somos.
A imagem das cobras representa os vícios que podemos encontrar nos outros e também em nós mesmos. A imagem dos cães, por sua vez, representa as virtudes que podemos deliberadamente cultivar. Epicteto nos aconselharia a não gastar a vida procurando a falsidade alheia, mas a concentrar nossa atenção na formação do nosso próprio caráter.
As três cobras mais perigosas do mundo e o Estoicismo!
A inveja, a traição e a ingratidão podem vir de outras pessoas e, por isso, não estão sob nosso controle. Não podemos assegurar que todos sejam leais, sinceros ou agradecidos, ainda que os tratemos com bondade. O que depende de nós é nossa maneira de interpretar essas atitudes e de responder a elas.
Epicteto não aconselharia viver desconfiando de todos ou tentando descobrir “cobras” escondidas atrás de cada abraço. Isso nos tornaria prisioneiros do medo, da suspeita e da opinião alheia. Ele recomendaria prudência para reconhecer o caráter das pessoas, mas sem permitir que a conduta delas corrompa o nosso próprio caráter.
A imagem também pode ser interpretada por outra perspectiva: as três “cobras” mais perigosas não são apenas aquelas que encontramos nos outros. Elas também podem estar dentro de nós. A inveja nasce quando transformamos a superioridade ou a felicidade alheia em ameaça. A traição acontece quando abandonamos nossos princípios por conveniência. A ingratidão aparece quando esquecemos os benefícios recebidos e julgamos que tudo nos era devido.
Assim, uma leitura verdadeiramente epictetiana seria:
Não podemos controlar a inveja, a traição ou a ingratidão dos outros. Podemos, porém, vigiar nossos julgamentos para que essas paixões não se instalem em nós. A falta de virtude do outro pertence a ele; conservar nosso caráter pertence a nós.
A principal lição não seria “desconfie dos abraços e sorrisos”, mas:
Seja prudente com as pessoas, sem transformar a prudência em amargura. Quando alguém agir mal, não permita que o erro dele determine quem você se tornará.
Epicteto nos lembraria de que sofrer uma traição é um acontecimento externo; tornar-se vingativo, rancoroso ou desleal em resposta a ela é uma escolha moral nossa. O verdadeiro perigo não está somente em encontrar pessoas invejosas, desleais ou ingratas, mas em deixar que suas atitudes produzam em nós os mesmos vícios.
quinta-feira, 10 de setembro de 2026
Devemos dizer "não" para as coisas que não importam
segunda-feira, 7 de setembro de 2026
DUAS PINTURAS, DIFERENTES OLHARES SOBRE A INDEPENDÊNCIA !
DUAS PINTURAS, DIFERENTES OLHARES SOBRE A INDEPENDÊNCIA
Neste 7 de Setembro, em que celebramos os 204 anos da Independência do Brasil, proponho um exercício próprio do ensino de História: observar duas pinturas sobre o mesmo acontecimento e perceber que elas não contam exatamente a mesma história.
Na primeira imagem, Independência ou Morte!, pintada por Pedro Américo em 1888, Dom Pedro aparece em posição de comando, erguendo a espada e sendo acompanhado por uma imponente comitiva militar. A cena é grandiosa, organizada e heroica. O povo comum permanece à margem, representado principalmente pelo homem que conduz o carro de bois e assiste ao acontecimento.
Na segunda, A Proclamação da Independência, produzida por François-René Moreaux em 1844, Dom Pedro também ocupa o centro, mas está cercado por homens, mulheres e crianças que o aclamam. A obra apresenta a Independência como uma celebração popular, marcada pelo entusiasmo e pela participação coletiva.
As pinturas foram produzidas, respectivamente, 66 e 22 anos depois de 1822. Portanto, não são fotografias daquele momento nem reproduções exatas do que aconteceu. São interpretações construídas pelos artistas e também revelam as ideias de suas épocas sobre a formação do Brasil.
É justamente aí que está a riqueza do ensino de História: aprender a olhar para além da imagem, fazer perguntas, comparar versões e compreender que nenhum país nasce do grito de uma única pessoa.
Como disse em meu discurso no momento cívico, aquele grito ganhou força porque havia um povo que desejava liberdade e sonhava com um Brasil capaz de decidir o próprio destino.
A Independência não foi uma cena perfeita, congelada em um quadro.
E ela continua sendo construída todos os dias, sobretudo dentro das nossas escolas.
Quando uma criança aprende a ler, o Brasil se torna mais livre.
Quando nossos estudantes concluem a Educação Básica dominando a matemática, saem mais preparados para a vida — e o Brasil se torna mais forte.
Quando aprendem a interpretar o mundo, reconhecem o valor da própria voz e respeitam os direitos dos outros, o Brasil se torna mais justo, democrático e verdadeiramente independente.
Que o 7 de Setembro não seja apenas uma lembrança do passado, mas também um compromisso com o presente e uma esperança para o futuro.
#IndependênciaDoBrasil #7DeSetembro #EnsinoDeHistória #EducaçãoPública #HistóriaDoBrasil #CarlosChagasMG #EducaçãoTransforma
As datas e a identificação das obras foram conferidas nos acervos do Museu do Ipiranga e do Museu Imperial.
domingo, 6 de setembro de 2026
ESTOICISMO: Os Conceitos em Latim Que Vão MUDAR Sua Mente!
Embora o estoicismo tenha surgido na Grécia e muitos conceitos tenham nomes originalmente gregos, sua tradição romana popularizou várias expressões latinas. As mais conhecidas são:
- Amor fati — “Amor ao destino”Significa não apenas aceitar o que acontece, mas acolher cada acontecimento como parte necessária da vida e transformá-lo em oportunidade de crescimento.
- Memento mori — “Lembre-se de que você morrerá”Recorda a finitude humana. Para os estoicos, pensar na morte não é pessimismo, mas um convite para valorizar o presente e viver com propósito.
- Premeditatio malorum — “Premeditação dos males”Exercício de imaginar, com equilíbrio, possíveis dificuldades futuras. Seu objetivo é preparar a mente, reduzir surpresas e reconhecer que podemos enfrentar as adversidades.
- Dichotomia controlis — “Dicotomia do controle”Expressão moderna em latim para a distinção entre aquilo que depende de nós e aquilo que não depende. Nossas escolhas e atitudes estão sob nosso domínio; acontecimentos externos, não completamente.
- Summum bonum — “O bem supremo”Para o estoicismo, o bem supremo é a virtude: viver com sabedoria, justiça, coragem e moderação.
- Virtus — “Virtude” ou “excelência moral”É a disposição para agir corretamente. No estoicismo, uma vida boa não depende de riqueza ou prestígio, mas da qualidade moral das escolhas.
- Secundum naturam vivere — “Viver de acordo com a natureza”Significa viver conforme a razão, a natureza humana e nossa condição de seres sociais, procurando contribuir para o bem comum.
- Fatum — “Destino”Representa a ordem dos acontecimentos que não controlamos. O ser humano não escolhe tudo o que acontece, mas pode escolher como responder.
- Providentia — “Providência”Refere-se à ideia de que o universo possui uma ordem racional. Para os estoicos antigos, os acontecimentos integravam uma organização maior da natureza.
- Ratio — “Razão”É a capacidade humana de examinar julgamentos, governar impulsos e agir conscientemente. Está relacionada ao logos, termo grego para a razão que organiza o universo.
- Apatheia — termo grego, não latinoSignifica liberdade em relação às paixões desordenadas. Não é ausência de sentimentos, mas a capacidade de não ser dominado por impulsos, medos e desejos irracionais.
- Ataraxia — termo grego, não latinoSignifica tranquilidade ou ausência de perturbação. É mais central no epicurismo e no ceticismo, embora também seja frequentemente relacionada à serenidade estoica.
- Prohairesis — termo grego, não latinoÉ a faculdade de escolha moral: nosso poder de julgar, decidir e orientar nossas ações. É um conceito fundamental em Epicteto.
- Sympatheia — termo grego, não latinoDesigna a conexão entre todas as partes do universo. Dessa ideia nasce a compreensão estoica de que os seres humanos pertencem a uma única comunidade.
- Cosmopolis — termo de origem gregaSignifica “cidade universal”. Para os estoicos, somos cidadãos do mundo e temos deveres não apenas com nossa comunidade imediata, mas com toda a humanidade.
Uma síntese útil para sua palestra seria:
Memento mori nos recorda que o tempo é limitado; amor fati nos ensina a acolher o que acontece; e virtus nos orienta a responder com sabedoria, justiça, coragem e moderação.
Observação importante: amor fati tornou-se célebre sobretudo com Nietzsche, muitos séculos depois dos estoicos. Entretanto, a expressão resume adequadamente uma atitude já presente no estoicismo antigo, especialmente nas reflexões de Epicteto e Marco Aurélio.
A verdade e a mentira!
A verdade e a mentira
Dom Wilson Tadeu-Dom Wilson Tadeu Jönck-Arcebispo de Florianópolis (SC)
Conta uma parábola de origem judaica que a Mentira e a Verdade, em um dia de sol, saíram a caminhar no campo. E resolveram banhar-se nas águas de um rio que se apresentava muito convidativo. Cada uma tirou a sua roupa e caíram na água. Mas, a um dado momento a Mentira aproveitou-se da distração da Verdade, saiu da água e vestiu as roupas da Verdade. Quando esta saiu da água, negou-se a usar as vestes da Mentira. Saiu nua a perseguir a Mentira. As pessoas que as viam passar acolhiam a Mentira com as vestes da Verdade, mas proferiam impropérios e condenações contra a atitude despudorada da Verdade. Moral: as pessoas estão mais dispostas a aprovar a Mentira com vestes de Verdade do que enfrentar a Verdade nua e crua.
A parábola apresenta uma realidade da comunidade dos seres humanos. Aquilo que mostram nem sempre corresponde à verdade. Mais, as pessoas na sociedade atual consomem tempo e dinheiro para construir vestes vistosas que possam ocultar a realidade da vida. Torna-se uma segunda natureza, artigo que não pode faltar no dia a dia. Há uma indústria de cosméticos, de vestuário, de perfumaria que assumem o nível de primeira necessidade na vida do ser humano. E tantas vezes eles existem para esconder imperfeições ou aspectos menos aceitáveis da própria pessoa.
Outra característica da sociedade hodierna é a exposição da imagem. Os meios de comunicação são especializados em produzir aparências. Aquelas imagens que aparecem na TV são produzidas para provocarem impacto. Quando as pessoas mostram admiração pela imagem apresentada por nós, reagimos como se a imagem fosse o eu verdadeiro. Na sociedade atual somos educados a esconder a verdade que somos nós. Já dizia Fernando Pessoa “o poeta é um fingidor, finge tão completamente que chega a fingir que dor, a dor que deveras sente”.
É da natureza humana o querer apresentar uma imagem de si, melhor do que a realidade. Podemos afirmar de nós mesmos que não somos tão bons, tão justos, tão generosos, tão honestos como fazemos acreditar. Dar-se conta disto é o caminho para se chegar à verdade de si mesmo. Diz o Evangelho: “a verdade liberta”. O mundo da aparência traz consigo o peso da escravidão. Um exemplo: Quando o casamento é realizado sobre aparências que encobrem a verdade, acaba se tornando insustentável. Descobrir a verdade sobre nós mesmos, sobre a realidade que nos cerca, é o caminho de libertação.
Para terminar, uma frase atribuída a Bismark: “Nunca se mente tanto como antes das eleições, durante a guerra, e depois de uma caçada”.
O País no fundo do poço na Matemática
Renata Cafardo
O País no fundo do poço na Matemática
Menos de 10% dos alunos termina a escola sabendo o adequado para a disciplina






