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segunda-feira, 26 de outubro de 2026

O Vale do Mucuri votou em Lula: o que a desigualdade, a educação e as políticas sociais podem revelar sobre esse resultado?

Fonte: Mapa adaptado de COSTA, Deodato Gomes. Baixo desempenho em matemática e práticas de ensino: inquietações necessárias, explicações possíveis. Dissertação de mestrado, Universidade Federal de Juiz de Fora, 2019, p. 33. Mapa original: SEE/MG, 2017. CONSULTAR DISSERTAÇÃO

O Vale do Mucuri votou em Lula: o que a desigualdade, a educação e as políticas sociais podem revelar sobre esse resultado?

Vitória do candidato do PT nos 23 municípios da antiga mesorregião acompanha o resultado de Minas Gerais e convida a uma reflexão sobre concentração de riqueza, oportunidades e o futuro da população

O Vale do Mucuri pintou de vermelho o mapa eleitoral de Minas Gerais no segundo turno da eleição presidencial de 2026. Nos 23 municípios que integravam a antiga mesorregião, Luiz Inácio Lula da Silva (PT) foi o candidato mais votado diante de Flávio Bolsonaro (PL).

O resultado acompanha a preferência que prevaleceu em Minas Gerais, onde Lula venceu por uma margem estreita: 50,43% dos votos válidos, contra 49,57% de Flávio Bolsonaro. No Vale do Mucuri, o candidato do PT ficou à frente em todos os municípios do recorte analisado, embora com diferenças importantes entre uma cidade e outra. www.opovo.com.br

Em Fronteira dos Vales, Lula alcançou 74,34% dos votos válidos. Em Setubinha, obteve 74,13%. Em Carlos Chagas, recebeu 6.652 votos, correspondentes a 60,31%, enquanto Flávio teve 4.378 votos, ou 39,69%.

Em Teófilo Otoni, maior município da região, a disputa foi mais equilibrada: Lula teve 52,67%, contra 47,33% de Flávio. Em Nanuque, a diferença foi ainda menor: 51,33% para Lula e 48,67% para Flávio. maisminas.com.br

Os números permitem observar para onde foi a maioria dos votos. As razões que levaram cada eleitor a escolher um candidato, porém, não aparecem na urna. Por isso, qualquer tentativa de explicar o resultado precisa ser apresentada como hipótese e examinada com cuidado.

Entre as possíveis interpretações, uma questão merece atenção especial: a desigualdade que marca a vida social e econômica do Vale do Mucuri.

A desigualdade como primeira hipótese

O Vale do Mucuri é uma região de trabalho, produção e riqueza. A pecuária ocupa lugar importante em sua história econômica e na paisagem de muitos municípios. O campo movimenta negócios, gera ocupações e contribui para o abastecimento e a economia regional.

Ao mesmo tempo, a riqueza produzida não se transforma igualmente em oportunidades para todos. Ao lado das propriedades rurais e das atividades agropecuárias, encontram-se famílias que enfrentam baixos rendimentos, trabalho informal, dificuldade de acesso à terra, limitações nos serviços públicos e poucas perspectivas de emprego para os filhos.

Essa convivência entre produção e desigualdade ajuda a formular uma pergunta central: quem participa da riqueza gerada no Vale e de que maneira seus benefícios chegam às famílias?

Um estudo histórico sobre a ocupação do Vale do Mucuri destaca a importância da pecuária extensiva na formação do espaço regional. Pesquisas sobre a questão agrária nos Vales do Jequitinhonha e Mucuri também chamam atenção para a necessidade de compreender as relações entre a organização da produção rural e as desigualdades sociais. São estudos que ajudam a contextualizar o problema, embora não permitam atribuir a uma única atividade econômica a responsabilidade por toda a desigualdade existente. revistas.uepg.br

A realidade do campo é diversa: nela estão grandes e médios produtores, trabalhadores rurais, agricultores familiares e comunidades com trajetórias diferentes. Todos fazem parte da região. A questão é pensar em um modelo de desenvolvimento capaz de gerar riqueza e, ao mesmo tempo, distribuí-la de maneira mais justa.

Relatório divulgado pelo Ministério da Integração e do Desenvolvimento Regional, elaborado no âmbito de parceria com a UFVJM, apontou dificuldades relacionadas ao emprego formal e destacou a presença de programas de transferência de renda no Vale. Os dados utilizados no estudo são anteriores à eleição de 2026, mas ajudam a iluminar problemas estruturais da região. www.gov.br

A desigualdade aparece quando uma pessoa trabalha muito e, ainda assim, tem dificuldade de manter a família; quando um jovem conclui a escola e não encontra oportunidade próxima de casa; quando uma mãe precisa de uma vaga em creche para trabalhar; ou quando um cidadão aguarda um exame ou uma cirurgia de que necessita.

Nesse contexto, é razoável levantar a hipótese de que parte dos eleitores tenha visto em Lula e nas políticas associadas à sua trajetória uma possibilidade de maior proteção social e enfrentamento das desigualdades. Isso não significa que todos os que enfrentam dificuldades tenham votado da mesma maneira, nem que a desigualdade, sozinha, explique o resultado.

Significa reconhecer que as condições concretas de vida podem influenciar o modo como as pessoas avaliam propostas políticas e escolhem seus representantes.

Universidade: conhecimento, identidade e compreensão da realidade

Uma segunda hipótese diz respeito à presença da universidade pública e à ampliação das oportunidades educacionais no Vale do Mucuri.

Em 2006, a Universidade Federal dos Vales do Jequitinhonha e Mucuri iniciou sua expansão com a implantação do Campus do Mucuri, em Teófilo Otoni. A presença da UFVJM abriu caminhos para estudantes da região e contribuiu para aproximar ensino, pesquisa e extensão das questões vividas nos municípios. portal.ufvjm.edu.br

A universidade possibilita que jovens se formem em diferentes áreas, mas sua presença também pode produzir efeitos que ultrapassam a obtenção de um diploma. Ao pesquisar o território, dialogar com comunidades e formar profissionais que atuam nas escolas, nos serviços públicos, nas empresas e nas organizações sociais, ela ajuda a ampliar o debate sobre os desafios regionais.

A educação pode oferecer instrumentos para analisar a distribuição da riqueza, a qualidade dos serviços públicos, as relações de trabalho e as oportunidades disponíveis. Pode também contribuir para que a população conheça melhor sua própria história e participe da construção de uma identidade regional consciente de seus desafios e de suas potencialidades.

Essa identidade não nasce apenas dentro da universidade. Ela é construída também pelas escolas, pelas famílias, pelos trabalhadores, pelos produtores rurais, pelos artistas, pelas comunidades tradicionais e por todos que fazem a vida do Vale acontecer.

A hipótese é que a presença da UFVJM e a ampliação do acesso à educação tenham contribuído, ao longo do tempo, para fortalecer o debate público e a reflexão sobre a realidade social e econômica da região. Não há, contudo, dados que permitam afirmar que a universidade tenha determinado o resultado eleitoral. Para verificar sua influência sobre o voto, seria necessário ouvir os eleitores e realizar pesquisas específicas.

O que se pode afirmar é que o acesso ao conhecimento amplia possibilidades. Uma população com oportunidades educacionais tem mais caminhos para compreender sua realidade, defender seus direitos e participar das decisões sobre o futuro de seu território.

Bolsa Família: proteção social e dignidade

Uma terceira hipótese está relacionada à presença do Bolsa Família no cotidiano das famílias e dos municípios.

Para pessoas que convivem com renda instável ou insuficiente, a transferência de renda pode contribuir para a compra de alimentos e de outros itens essenciais. O benefício também movimenta o comércio local, pois parte dos recursos recebidos pelas famílias é utilizada nos próprios municípios.

É possível que uma parcela dos eleitores associe o programa à trajetória política de Lula e considere sua continuidade um elemento importante na escolha eleitoral. Essa interpretação é coerente com a importância das políticas sociais em territórios marcados pela pobreza e pela desigualdade.

Mas é necessário afastar uma explicação simplista: receber o Bolsa Família não determina o voto de uma pessoa. Os beneficiários têm opiniões, valores e projetos próprios, assim como todos os demais cidadãos. Podem apoiar diferentes candidatos e avaliar os governos por muitos motivos.

O programa deve ser compreendido como uma política pública de proteção social. Seu papel, contudo, não elimina a necessidade de ampliar oportunidades de educação, qualificação, emprego e geração de renda.

Uma região que protege as famílias em situação de vulnerabilidade também precisa trabalhar para que elas tenham acesso a novas possibilidades de desenvolvimento.

Carlos Chagas: Lula amplia sua votação entre os turnos.

Em Carlos Chagas, Lula foi o candidato mais votado nos dois turnos da eleição presidencial de 2026. Do primeiro para o segundo turno, ele ampliou o número de votos e a vantagem sobre Flávio Bolsonaro.

No primeiro turno, realizado em 4 de outubro, Lula recebeu 5.856 votos, correspondentes a 55,22% dos votos válidos. Flávio Bolsonaro obteve 4.165 votos, ou 39,28%. Outros candidatos também participaram da disputa nessa etapa. mapadaseleicoes.com.br

No segundo turno, em 25 de outubro, Lula chegou a 6.652 votos, equivalentes a 60,31% dos votos válidos. Flávio recebeu 4.378 votos, ou 39,69%. A diferença entre os candidatos foi de 2.274 votos. população, PIB e gasto com pessoal

Entre os dois turnos, Lula acrescentou 796 votos à sua votação em Carlos Chagas, enquanto Flávio recebeu 213 votos a mais. A vantagem do candidato do PT passou de 1.691 para 2.274 votos.

O percentual de Lula também cresceu 5,09 pontos percentuais entre os turnos. Essa comparação, porém, precisa considerar que, no primeiro turno, havia outros candidatos; no segundo, a disputa ficou restrita a Lula e Flávio.

A comparação com a eleição anterior apresenta outro aspecto importante. No segundo turno de 2022, Lula recebeu 6.730 votos em Carlos Chagas, o equivalente a 62,12% dos votos válidos. Jair Bolsonaro, então seu adversário, teve 4.103 votos, ou 37,88%. vototeca.com.br

Em 2026, Lula manteve a vitória no município, mas seu percentual no segundo turno foi 1,81 ponto percentual menor que o registrado quatro anos antes. Em números absolutos, recebeu 78 votos a menos do que em 2022.

A comparação deve levar em conta que os adversários eram diferentes: em 2022, Lula disputou contra Jair Bolsonaro; em 2026, contra Flávio Bolsonaro. Também podem ter ocorrido mudanças no comparecimento e na composição do eleitorado ao longo dos quatro anos.

Os números revelam a permanência de uma preferência majoritária por Lula em Carlos Chagas, acompanhada por uma votação expressiva dos candidatos do PL. Para compreender as razões dessas escolhas, seria necessário ouvir os eleitores e considerar a diversidade de experiências e opiniões existentes no município.

Nanuque mostra que o eleitorado pode mudar

O resultado de Nanuque ajuda a lembrar que o comportamento eleitoral não é fixo.

No segundo turno de 2022, Jair Bolsonaro venceu Lula no município por apenas um voto. Em 2026, Lula venceu Flávio Bolsonaro por 550 votos. radardovoto.com

Houve mudança também entre os dois turnos da eleição de 2026. No primeiro, Flávio ficou à frente em Nanuque, com 48,54% dos votos válidos, enquanto Lula recebeu 46,87%. No segundo, o candidato do PT passou à frente e chegou a 51,33%. mapadaseleicoes.com.br

A virada pode estar relacionada à mobilização das campanhas, ao comparecimento de eleitores que não votaram no primeiro turno, às escolhas de quem havia apoiado outros candidatos ou à mudança de opinião de parte da população. Os dados disponíveis, entretanto, não permitem estabelecer o peso de cada fator.

O caso demonstra que os eleitores não devem ser vistos como um grupo homogêneo. As escolhas podem mudar de uma eleição para outra e até mesmo entre os turnos.

Um chamado aos gestores: cuidar das cidades e promover as pessoas

O resultado eleitoral também convida os gestores municipais a olhar com atenção para a realidade social do Vale do Mucuri.

Cuidar das cidades é necessário. A população precisa de ruas conservadas, praças, iluminação, limpeza, estradas rurais em boas condições e espaços públicos acolhedores. Essas ações fazem parte da qualidade de vida e precisam continuar recebendo atenção.

Mas a gestão pública deve alcançar também as necessidades e os sonhos das pessoas: a criança que precisa aprender, a mãe que procura uma vaga em creche, o cidadão que espera atendimento de saúde, o trabalhador que busca renda e o jovem que deseja construir seu futuro sem ser obrigado a deixar a região.

O desenvolvimento do Vale precisa ser medido não apenas pelas obras realizadas ou pela riqueza produzida, mas também pelas oportunidades criadas e pela melhoria das condições de vida de sua população.

Educação como prioridade absoluta

Se a desigualdade começa a se manifestar cedo, o compromisso com sua superação também precisa começar na infância.

Priorizar a educação significa assegurar que as crianças tenham acesso à escola, mas também que aprendam de fato. É necessário fortalecer o trabalho dos professores, apoiar as equipes gestoras, acompanhar a aprendizagem e oferecer condições para que os estudantes avancem em cada etapa da escolaridade.

Na alfabetização, o desafio é garantir que todas as crianças tenham oportunidades reais de desenvolver a leitura e a escrita. Nos anos seguintes, é preciso consolidar essas aprendizagens e assegurar o desenvolvimento das habilidades matemáticas, da capacidade de interpretação e do pensamento crítico.

Melhorar os indicadores educacionais é importante. Mas cada indicador representa, antes de tudo, a trajetória de crianças e adolescentes que precisam aprender para participar plenamente da vida social e construir seus projetos.

Creches e pré-escolas para atender à demanda

Outro compromisso indispensável é ampliar o acesso à educação infantil, especialmente às creches, onde houver demanda manifesta não atendida.

Uma vaga em creche assegura à criança oportunidades de cuidado, convivência e desenvolvimento. Para muitas famílias, também representa condições para que mães, pais e responsáveis possam trabalhar, estudar e buscar melhores condições de vida.

Os municípios precisam conhecer a demanda, manter cadastros e listas transparentes, planejar a expansão de vagas e buscar apoio técnico e financeiro junto aos governos estadual e federal. A ampliação deve caminhar junto com a qualidade dos espaços, a valorização dos profissionais e o respeito às necessidades das crianças.

A desigualdade de acesso à educação infantil também aparece em estudos nacionais: crianças de famílias de baixa renda enfrentam barreiras maiores para acessar creches e pré-escolas. Essa realidade reforça a importância de olhar para a demanda de cada município do Vale. site.mppr.mp.br

Saúde: da atenção básica aos exames e cirurgias

Na saúde, é necessário fortalecer a atenção básica, com equipes capazes de acolher, acompanhar as famílias, prevenir doenças e encaminhar os pacientes quando necessário.

Mas o cuidado não pode terminar no encaminhamento. O cidadão que precisa de uma consulta especializada, de um exame ou de uma cirurgia deve encontrar caminhos para ter acesso ao atendimento em tempo oportuno.

Isso exige organização das filas, informação clara aos pacientes, acompanhamento dos encaminhamentos, transporte quando necessário e articulação entre municípios, Estado e União. Também requer fortalecimento da rede regional de saúde e dos serviços já existentes.

O Vale conta com iniciativas de atendimento especializado, como o Centro Estadual de Atenção Especializada vinculado ao consórcio regional, que atende municípios da região. Ampliar e organizar o acesso a esses serviços é parte do desafio de transformar o atendimento inicial em cuidado completo. cisevmj.mg.gov.br

A meta deve ser que cada pessoa tenha acesso ao cuidado de que necessita, desde a prevenção até o diagnóstico e o tratamento.

Renda, formação técnica e oportunidades para os jovens

Superar a desigualdade também exige uma agenda de desenvolvimento econômico que alcance as famílias do campo e da cidade.

Os municípios podem buscar, em parceria com outras instituições, formas de fortalecer a agricultura familiar, apoiar pequenos negócios, estimular o cooperativismo, ampliar o acesso à assistência técnica e aproximar a produção regional dos mercados consumidores.

O incentivo ao empreendedorismo juvenil merece atenção. Há jovens com ideias, disposição e talento que precisam de orientação, formação, acesso a ferramentas e oportunidades para transformar seus projetos em atividades capazes de gerar renda.

Empreender, porém, não deve ser apresentado como a única saída para a juventude. O Vale também precisa de empregos dignos, direitos, políticas de desenvolvimento e investimentos capazes de diversificar sua economia.

Nesse caminho, cursos técnicos e de qualificação profissional podem aproximar a formação das oportunidades existentes e das novas possibilidades econômicas da região. Educação, agricultura, tecnologia, comércio, serviços, saúde e produção sustentável são áreas que podem integrar uma agenda de formação construída com escolas, instituições de ensino e comunidade.

Pé-de-Meia, permanência e futuro

O Programa Pé-de-Meia também pode contribuir para que estudantes elegíveis do ensino médio público permaneçam na escola e concluam seus estudos. Trata-se de um incentivo financeiro-educacional voltado a estudantes que atendem aos critérios do programa, entre eles regras relacionadas ao Cadastro Único e à frequência escolar. www.gov.br

Para os jovens do Vale do Mucuri, permanecer na escola precisa ser acompanhado de uma perspectiva concreta de futuro: acesso à formação técnica, ao ensino superior, ao trabalho e a oportunidades de desenvolvimento pessoal.

Os municípios, em colaboração com a rede estadual e as instituições de ensino, podem ajudar a divulgar o programa, orientar as famílias, apoiar a atualização cadastral quando necessária e incentivar a permanência dos estudantes.

Mais do que concluir uma etapa, é preciso que cada jovem perceba que estudar pode abrir caminhos — e que esses caminhos também podem ser construídos no próprio Vale.

Um Vale que reconheça sua riqueza e enfrente suas desigualdades

A vitória de Lula nos municípios da antiga mesorregião do Vale do Mucuri acompanha o resultado de Minas Gerais e permite levantar hipóteses sobre a importância da desigualdade, da educação e das políticas sociais na vida regional.

Nenhuma dessas hipóteses substitui a escuta dos eleitores ou explica, isoladamente, a decisão de cada cidadão. O Vale é plural, e os votos recebidos por Flávio Bolsonaro também mostram a diversidade de posições políticas existente em seus municípios.

O desafio que permanece depois da eleição é comum a todos: construir uma região em que a riqueza produzida se traduza em mais dignidade, conhecimento, saúde e oportunidades para a população.

Isso exige gestores comprometidos com a vida das pessoas; escolas que garantam aprendizagem; creches que acolham as crianças; serviços de saúde que cuidem dos cidadãos; e políticas de desenvolvimento que permitam aos jovens sonhar e realizar.

O Vale do Mucuri tem história, cultura, produção e gente trabalhadora. Seu futuro será mais justo quando essas riquezas também se expressarem em oportunidades concretas para todas as famílias que nele vivem.

Nota: a reportagem considera os 23 municípios da antiga mesorregião do Vale do Mucuri. Os percentuais eleitorais correspondem aos votos válidos no segundo turno de 2026. As interpretações sobre as razões do voto são hipóteses, não conclusões sobre a escolha individual dos eleitores.

domingo, 25 de outubro de 2026

Lula vence em Minas com 50,43% e confirma tradição: quem vence no estado vence no Brasil.


Lula vence em Minas com 50,43% e confirma tradição: quem vence no estado vence no Brasil

Com todas as seções totalizadas, petista conquista maioria apertada entre os mineiros e repete resultado nacional.

Minas Gerais voltou a acompanhar a escolha nacional para a Presidência da República. Conforme os dados apresentados do painel do Tribunal Superior Eleitoral, Lula (PT) recebeu 6.351.099 votos, equivalentes a 50,43% dos votos válidos, no segundo turno deste domingo, 25 de outubro.

Flávio Bolsonaro (PL) obteve 6.241.786 votos, correspondentes a 49,57%. A diferença foi de 109.313 votos, evidenciando uma disputa acirrada no estado. As 52.062 seções foram totalizadas, com atualização às 23h26min38s.

O resultado confirma uma tradição observada desde 1989: em todas as eleições presidenciais desse período, o candidato vencedor em Minas Gerais também conquistou a Presidência da República. A coincidência ajuda a explicar a atenção dedicada ao eleitorado mineiro durante as campanhas.

A diversidade econômica, social e regional de Minas é apontada por pesquisadores como uma das razões dessa correspondência. O estado reúne realidades urbanas e rurais, regiões industrializadas, áreas de forte produção agropecuária e territórios marcados por desigualdades, refletindo diferentes características do Brasil.

Ao todo, 13.044.203 eleitores compareceram às urnas em Minas, enquanto 3.327.941 se abstiveram. Foram contabilizados 164.141 votos em branco e 287.177 nulos.

Com a apuração encerrada, Minas reafirma seu lugar de destaque na leitura das eleições brasileiras: mais uma vez, a maioria dos mineiros escolheu o candidato que venceu no país.

Lula vence com 51,79%; resultado traz alívio e renova compromisso com a democracia!

Lula vence com 51,79%; resultado traz alívio e renova compromisso com a democracia.

Lula (PT) venceu o segundo turno da eleição presidencial de 2026 com 64.256.232 votos, equivalentes a 51,79% dos votos válidos, conforme os dados apresentados do painel do Tribunal Superior Eleitoral. Flávio Bolsonaro (PL) recebeu 59.826.041 votos, correspondentes a 48,21%.

Com todas as 499.248 seções totalizadas, a diferença entre os candidatos ficou em 4.430.191 votos. A atualização informada ocorreu às 23h26min38s deste domingo, 25 de outubro.

Para os brasileiros que depositaram em Lula suas expectativas de continuidade e proteção dos direitos sociais, o resultado representa alívio. A democracia venceu pelo exercício do voto, pela participação popular e pela decisão soberana das urnas. Sua preservação exige, agora, respeito ao resultado e compromisso permanente com as instituições.

A vitória renova o mandato político para a defesa da soberania nacional: proteger os interesses brasileiros, fortalecer a autonomia do país e conduzir suas relações internacionais com independência e diálogo. Essa luta permanece como compromisso a ser cobrado pela sociedade.

Compareceram às urnas 128.236.074 eleitores. Foram registrados 1.430.496 votos em branco e 2.723.305 nulos.

Encerrada a apuração, começa uma etapa de responsabilidade: transformar a esperança em políticas públicas, enfrentar desigualdades e governar para todos, com liberdade, justiça social e respeito à diversidade do povo brasileiro.

Lula vence em Carlos Chagas com 60,31% e resultado convida a uma análise sociológica da cidade!

Lula vence em Carlos Chagas com 60,31% e resultado convida a uma análise sociológica da cidade

Em município ligado à pecuária e com frigorífico habilitado a exportar para a China, votação abre debate sobre economia, identidade política e expectativas da população.

Lula (PT) venceu o segundo turno da eleição presidencial em Carlos Chagas, no Vale do Mucuri, com 6.652 votos, correspondentes a 60,31% dos votos válidos, conforme os dados do painel do Tribunal Superior Eleitoral apresentados à reportagem. As 54 seções da Zona Eleitoral 0073 foram totalizadas, com atualização às 20h43min13s deste domingo, 25 de outubro.

O candidato ampliou sua votação entre os turnos. Considerando os 5.856 votos registrados no primeiro turno pelo levantamento consultado, Lula conquistou 796 votos adicionais na etapa decisiva. O crescimento reforça uma preferência que também apareceu em 2022, quando recebeu 62,12% dos votos válidos no segundo turno no município.

O resultado merece uma análise sociológica que ultrapasse a contagem dos votos. Que experiências, vínculos e expectativas sustentam essa identificação com Lula? Qual o peso das políticas públicas, das condições de trabalho, da renda e da memória dos governos anteriores na decisão dos eleitores? São perguntas que exigem pesquisa e escuta da população.

A realidade econômica acrescenta elementos a essa investigação. Carlos Chagas abriga uma unidade da Supremo Carnes habilitada, em setembro, a exportar carne bovina para a China. O município participa, assim, de uma cadeia produtiva conectada ao mercado internacional.

Essa inserção convida a examinar como produtores, trabalhadores do frigorífico, comerciantes e moradores das comunidades rurais percebem as relações entre economia local, comércio exterior e decisões do governo federal. A atividade econômica de uma cidade, por si só, não permite antecipar o voto de seus habitantes.

A riqueza gerada pela pecuária e pela atividade frigorífica, entretanto, convive com uma desigualdade social que se manifesta nas condições de vida da população. A força econômica de Carlos Chagas precisa ser examinada também pela forma como essa riqueza é distribuída e pelas oportunidades que chegam às famílias. Nesse cenário, as políticas públicas do governo federal representam apoio para a população que depende da proteção social, dos serviços públicos e das iniciativas de ampliação de direitos. Investigar como esse apoio é percebido no cotidiano pode ajudar a compreender a preferência eleitoral por Lula, sem reduzir a escolha dos eleitores a uma única explicação.

Uma investigação sobre a trajetória eleitoral de Carlos Chagas também poderá dimensionar a continuidade do apoio a Lula ao longo de suas candidaturas. Comparar resultados históricos e ouvir diferentes grupos sociais ajudará a compreender como essa preferência se construiu.

Dos 16.306 eleitores aptos, 11.408 compareceram às urnas e 4.898 se abstiveram, uma abstenção de 30,04%. Foram registrados 144 votos em branco e 234 nulos.

O povo mostrou sua preferência nas urnas: a maioria dos votos válidos de Carlos Chagas foi para Lula. Compreender as razões dessa escolha é o próximo passo para quem deseja conhecer, com profundidade, a realidade política e social do município.

sexta-feira, 23 de outubro de 2026

Na balança da educação, quanto pesa um ‘não’?

 



A imagem apresenta uma família distribuída nos dois pratos de uma balança antiga, sobre um fundo branco. À esquerda, estão dois adultos, representando os pais; à direita, um menino e uma menina mais alta, representando os filhos. Os grupos estão voltados um para o outro, com gestos que sugerem uma conversa e a apresentação de diferentes pontos de vista.

A mulher estende um braço em direção aos filhos, enquanto o homem permanece ao seu lado. No outro prato, a menina também dirige um braço para os adultos, passando-o à frente do menino. Essa correspondência entre os gestos aproxima os dois grupos e sugere uma relação em que ambos procuram se expressar.

A balança está inclinada: o prato dos pais aparece mais baixo, e o dos filhos, mais alto. Na lógica do objeto, o lado mais baixo representa maior peso. Simbolicamente, essa posição pode sugerir o peso da experiência, da autoridade e, sobretudo, da responsabilidade dos pais na condução da vida familiar. Trata-se de uma interpretação possível da composição, sem significar que os adultos tenham maior valor como pessoas.

Entretanto, há outro detalhe expressivo: apesar da diferença de altura entre os pratos, os rostos dos pais e dos filhos aparecem aproximadamente no mesmo nível. A posição das figuras permite um encontro de olhares, como se todos pudessem conversar olhando uns para os outros. A imagem reúne, assim, duas ideias fundamentais para a educação familiar: a igualdade de dignidade e a diferença de responsabilidades.

O encontro dos olhares pode simbolizar o reconhecimento de que os filhos têm sentimentos, opiniões e necessidades que merecem atenção. Já o maior peso do prato dos pais pode representar o compromisso dos adultos de proteger, orientar e estabelecer limites. Escutar os filhos e assumir a responsabilidade pelas decisões são atitudes que podem caminhar juntas.

Na parte inferior, diante da base da balança, aparecem pesos metálicos de diferentes tamanhos. Esses elementos reforçam a ideia de medir, ponderar e ajustar. Na leitura da relação familiar, podem representar os fatores que precisam ser considerados ao educar: a idade dos filhos, suas necessidades, seus desejos, as regras de convivência e as consequências de cada decisão. Educar exige discernimento para reconhecer quando acolher, quando negociar e quando sustentar um limite.

A separação em dois pratos também chama a atenção: pais e filhos ocupam lugares distintos, mas pertencem à mesma estrutura. O que acontece de um lado repercute no outro. A balança permite pensar a família como uma relação de interdependência, na qual as atitudes de cada pessoa influenciam a convivência de todos.

Relacionada ao desafio de disciplinar e dizer “não”, a composição sugere que a autoridade dos pais pode ser exercida com proximidade e respeito. Os adultos podem explicar uma decisão, acolher a contrariedade dos filhos e manter o limite necessário. O diálogo não exige concordância em todos os momentos; exige disposição para ouvir e cuidado na maneira de conduzir os desacordos.

O equilíbrio educativo sugerido pela imagem está na combinação entre o encontro dos olhares e o peso da responsabilidade. Cabe aos pais orientar com firmeza, respeito e afeto, oferecendo aos filhos condições para desenvolver gradualmente sua autonomia. Olhar nos olhos dos filhos, reconhecer seus sentimentos e assumir a responsabilidade de dizer “não” são atitudes que se complementam na tarefa de educar.

domingo, 18 de outubro de 2026

Estudantes da Escola Brazilino visitam o Mineirão e ampliam aprendizagens além da sala de aula!


Estudantes da Escola Brazilino visitam o Mineirão e ampliam aprendizagens além da sala de aula.

Visita realizada em 14 de outubro despertou a euforia dos alunos e aproximou a educação do patrimônio esportivo e cultural de Minas Gerais.

A emoção de conhecer de perto um dos grandes templos do futebol brasileiro marcou a visita dos estudantes da Escola Municipal Brazilino Rodrigues de Souza, de Carlos Chagas, ao Mineirão, em Belo Horizonte. Realizada no dia 14 de outubro de 2026, a atividade integrou a excursão educativa que também levou o grupo à cidade histórica de Ouro Preto.

Para os alunos da escola rural, estar no Mineirão foi motivo de euforia. O estádio, conhecido pelas transmissões esportivas, passou a fazer parte de uma experiência vivida pessoalmente. A grandiosidade do espaço despertou entusiasmo e curiosidade, acrescentando novas descobertas ao percurso de aprendizagem.

A excursão reuniu 31 participantes: 17 estudantes, duas mães de alunos, duas cantineiras, uma supervisora, o diretor e oito professores. A convivência entre estudantes, familiares e profissionais da escola também fortaleceu os vínculos da comunidade escolar.

Futebol, cultura e conhecimento

Conhecer o Mineirão oferece oportunidades de aprendizagem que ultrapassam o interesse pelo esporte. O futebol faz parte da cultura brasileira e permite discutir identidade, pertencimento, diversidade, convivência e respeito. A experiência também pode alimentar atividades de diferentes componentes curriculares, como a produção de relatos em Língua Portuguesa, o estudo dos espaços urbanos em Geografia e a reflexão sobre a história social do esporte.

Na Educação Física, a visita pode abrir conversas sobre cooperação, regras, competição e respeito aos adversários. Assim, o entusiasmo dos estudantes torna-se um ponto de partida para perguntas, pesquisas e novos conhecimentos.

Ao lado das visitas ao Museu da Inconfidência, às igrejas e à Mina do Veloso, em Ouro Preto, a passagem pelo estádio ampliou o repertório cultural do grupo. Lugares antes distantes do cotidiano dos estudantes ganharam significado concreto e passaram a integrar suas memórias.

Parcerias que tornam a experiência possível

A realização da excursão contou com a autorização do prefeito Nanayoski e com o apoio da Secretaria Municipal de Educação de Carlos Chagas, que viabilizou o deslocamento utilizando a estrutura própria do transporte escolar. Os alojamentos foram disponibilizados por meio da parceria com a Secretaria Municipal de Educação de Ouro Preto e com a diretora Luciana.

Para o diretor Guilherme Ciriaco, o empenho dedicado à viagem valeu a pena diante do encantamento dos alunos e das aprendizagens proporcionadas pelo roteiro.

A visita ao Mineirão reforça a importância de garantir aos estudantes da escola pública o acesso a espaços culturais, históricos e esportivos. Conhecer esses lugares amplia referências, desperta interesses e ajuda os alunos a perceber que também fazem parte da história e da cultura que aprendem na escola.

sexta-feira, 16 de outubro de 2026

De Carlos Chagas a Ouro Preto: estudantes vivem uma viagem de descobertas e aprendizagem!

De Carlos Chagas a Ouro Preto: estudantes da Escola Municipal Brasilino, vivem uma viagem de descobertas e aprendizagem!

Uma viagem para conhecer lugares históricos, ampliar conhecimentos e construir memórias. Foi com esse propósito que um grupo da Escola Municipal Brazilino Rodrigues de Souza, de Carlos Chagas, partiu no sábado, 10 de outubro de 2026, em direção a Ouro Preto.

Acompanhados por um guia turístico, os participantes visitaram o Museu da Inconfidência, a Basílica de Nossa Senhora do Pilar, a Igreja de São Francisco de Assis e a Mina do Veloso, entre outros pontos da cidade. O percurso aproximou os estudantes de importantes referências da história, da arte barroca e do patrimônio cultural brasileiro.

Após a programação em Ouro Preto, o grupo seguiu para Belo Horizonte, onde visitou o Mineirão, acrescentando ao roteiro uma experiência ligada ao esporte e à cultura nacional.

Ao todo, participaram 31 pessoas: 17 estudantes, duas mães de alunos, duas cantineiras, uma supervisora, o diretor e oito professores. A presença de familiares e profissionais da escola fez da viagem uma experiência compartilhada de convivência e aprendizagem.

Segundo o diretor Guilherme Ciriaco, os alunos ficaram deslumbrados com os pontos históricos visitados. O entusiasmo também alcançou o próprio educador, que retornou tão impactado pela experiência que manifestou o desejo de cursar História.

Para Guilherme, todo o empenho e os sacrifícios envolvidos na realização da viagem valeram a pena. Ao falar sobre as lembranças que espera deixar, afirmou:

“Daqui um tempo estes alunos vão lembrar desta viagem e de mim como alguém que deixou esse grande repertório cultural no coração de todos”.

O depoimento expressa o sentido de uma educação que amplia horizontes. Ao percorrer museus, igrejas, uma antiga mina e um estádio, os estudantes tiveram a oportunidade de relacionar os conhecimentos escolares aos lugares, às histórias e às experiências que encontraram pelo caminho.

A realização dessas excursões conta com a autorização do prefeito e da nossa Secretaria  que viabiliza o deslocamento utilizando toda a estrutura própria do transporte escolar. Os alojamentos são disponibilizados por meio da parceria com a Secretaria Municipal de Educação de Ouro Preto e com a diretora Luciana, a quem expressamos nossa profunda gratidão pela acolhida e pela colaboração. Esse apoio torna possíveis experiências que ampliam o repertório cultural dos estudantes e aproximam a aprendizagem escolar do patrimônio histórico de Minas Gerais.

quinta-feira, 15 de outubro de 2026

Aos 93 anos, professora Diva é homenageada por sua trajetória na educação de Carlos Chagas.

Aos 93 anos, professora Diva é homenageada por sua trajetória na educação de Carlos Chagas.

A professora Diva Antunes de Oliveira, de 93 anos, foi homenageada neste Dia dos Professores por sua contribuição à educação de Carlos Chagas. Aposentada da rede estadual, ela começou sua trajetória docente no antigo Grupo Escolar Dr. João Beraldo, onde participou da alfabetização de muitas crianças do município.

Reconhecida como a professora mais longeva da cidade, Diva é apresentada na homenagem como uma referência para os profissionais que hoje atuam na Rede Municipal de Educação. Seu depoimento em vídeo recupera uma convicção que atravessa sua trajetória: a importância de aprender a ler e escrever para se comunicar com as pessoas.

A publicação também mobilizou lembranças de antigos alunos. No Instagram, Maria Zulmira Miranda Barcelos escreveu: “Dona Diva minha querida e amada professora. Estudei com ela no segundo ano primário.” O comentário acrescenta à história da educadora o testemunho de quem passou por suas aulas e preserva esse vínculo na memória.

Um marco de 1946 na história da educação local

A trajetória de Diva no Grupo Escolar Dr. João Beraldo se insere em um contexto de expansão do ensino primário em Minas Gerais. Em 29 de abril de 1946, o Decreto-Lei nº 1.723 autorizou o governo estadual a criar e instalar 41 grupos escolares, incluindo um em Carlos Chagas. O ato foi assinado pelo interventor federal João Tavares Corrêa Beraldo. Assembleia Legislativa de Minas Gerais

O documento constitui um marco para a pesquisa sobre a organização do ensino no município. Embora não registre o nome Dr. João Beraldo nem a data de instalação da unidade, comprova que Carlos Chagas estava entre as cidades contempladas pela autorização estadual de 1946. Naquele ano, Diva tinha 13 anos. Sua atuação como professora aconteceria posteriormente. Assembleia Legislativa de Minas Gerais

Da infância em São Pedro às viagens para estudar

Diva nasceu em 15 de janeiro de 1933, em São Pedro de Jequitinhonha, filha de João Antunes de Oliveira e Arsênia Alves Martins. Primogênita do casal, cresceu ao lado de Gilda, José Venerando, Ilza, Zilma e Joana.

Segundo o relato familiar, chegou ainda criança à Fazenda Avenida, em Carlos Chagas, às margens do Rio Pampam. A primeira viagem foi feita em uma bruaca, transportada numa tropa de burros.

Mais tarde, os deslocamentos passaram a estar ligados à sua formação escolar. As viagens a cavalo entre Carlos Chagas e Pedra Azul fazem parte das lembranças de uma época em que estudar exigia enfrentar distâncias e dificuldades de transporte.

O cuidado com os irmãos e a valorização do estudo

Com a morte do pai, Diva assumiu novas responsabilidades, auxiliando a mãe no cuidado e na educação dos irmãos mais novos.

Após alguns anos, Arsênia casou-se com Procópio da Rocha Prates. Nasceram dessa união Juarez, Luciano, Maria Zaane, Aécio, Helvécio, Cássia e Max. A família passou a reunir treze irmãos, e Diva continuou participando de sua criação.

Entre os episódios recordados está uma viagem de avião a Belo Horizonte para acompanhar Max, diagnosticado com paralisia infantil. A família também destaca sua presença constante no acompanhamento dos estudos e das necessidades dos irmãos.

A importância atribuída à educação encontrava exemplo na própria mãe. Conforme o relato, Arsênia voltou a estudar aos 50 anos e concluiu o antigo curso primário, com uma comemoração no Clube Carlos Chagas.

Das responsabilidades familiares à sala de aula

No Grupo Escolar Dr. João Beraldo, Diva ampliou para outras crianças a dedicação à educação já presente em sua vida familiar. Trabalhou com alfabetização, acompanhando estudantes na descoberta da leitura e da escrita.

O relato da família informa que começou a ensinar antes de concluir sua formação. Posteriormente, mudou-se para Teófilo Otoni para apoiar a continuidade dos estudos do irmão Luciano, que enfrentava dificuldades de adaptação escolar em Carlos Chagas. Na nova cidade, aproveitou para concluir seus próprios estudos. Outros irmãos também passaram a integrar essa experiência de convivência e escolarização.

Sem se casar, dedicou grande parte de sua vida ao trabalho e à família. As casas das ruas Manoel Pimenta e Gabriel Passos tornaram-se referências dessa história compartilhada entre irmãos e diferentes gerações.

A memória dos alunos e a mensagem aos professores de hoje

No vídeo da homenagem, ao imaginar uma nova oportunidade de entrar em sala de aula, Diva destaca a leitura e a escrita como aprendizagens fundamentais à comunicação. Aos 93 anos, sua resposta retoma o compromisso que marcou sua atuação como alfabetizadora.

A canção “A Danada da Saudade”, interpretada por Emilinha Borba, acompanha essa recuperação biográfica. Ao evocar a infância, a música dialoga com as lembranças de escola e com depoimentos como o de Zulmira: a antiga aluna reconhece, no presente, a professora que participou de sua formação.

Essa relação também orienta a homenagem aos educadores da Rede Municipal. Um professor pode não conhecer todos os caminhos percorridos por seus estudantes, mas sua contribuição permanece nas aprendizagens que eles levam para a vida.

A história de Diva reúne experiências de estudo, trabalho docente e cuidado familiar. Ao recuperá-la, Carlos Chagas reconhece uma educadora e preserva parte da memória de sua educação — uma história que continua nas salas de aula e encontra, na voz dos antigos alunos, seu testemunho mais próximo.

Fontes: relato da família Antunes-Martins, elaborado por ocasião dos 90 anos de Diva; depoimento em vídeo; comentário de Maria Zulmira Miranda Barcelos no Instagram; e Decreto-Lei estadual nº 1.723, de 29 de abril de 1946, disponível no acervo da Assembleia Legislativa de Minas Gerais.

DECRETO DE CRIAÇÃO DO GRUPO ESCOLAR DR. JOÃO BERALDO

Eis a transcrição do documento (um decreto-lei oficial do Estado de Minas Gerais publicado no Diário Oficial / "Minas Gerais"):


MINAS GERAIS

GOVERNO

DECRETO-LEI N. 1.723, DE 29 DE ABRIL DE 1946

Dispõe sobre a criação e instalação de grupos escolares.

O Interventor Federal no Estado de Minas Gerais, usando das atribuições que lhe confere o art. 6.º, n. V, do decreto-lei n. 1.202, de 8 de abril de 1939, decreta:

Art. 1.º — Fica o Governo do Estado autorizado a criar e instalar 11 grupos escolares nas seguintes cidades: Aguas Formosas, Almenara, Alterosa, Ataléia, Bias Fortes, Bom Jardim de Minas, Bom Jesus do Gallo, Brumadinho, Campo Florido, Campos Altos, Carlos Chagas, Carmo da Cachoeira, Conceição das Alagoas, Conceição da Aparecida, Divisa Nova, Francisco Sales, Guia Lopes, Inliahópolis, Itambacuri, Itinga, Jacinto, Malacacheta, Mantena, Medina, Nova Ponte, Novo Cruzeiro, Pardizes, Poté, Resplendor, Rubim, Santa Juliana, São Gonçalo do Abaeté, São João do Paraíso, São João da Ponte, São Pedro da União, Sapucaí-Mirim, Simonésia, Tamarumirim, Unaí, Veríssimo e Volta Grande.

Art. 2.º — Ficam criados, no quadro do ensino primário, 83 lugares de diretor de grupo escolar de cidade, 53 de auxiliar de diretor, 83 de porteiro de 3.ª classe e 120 de servente de 3.ª classe, para os grupos escolares criados e para os já criados a serem instalados.

Art. 3.º — Os vencimentos do pessoal a que se refere o artigo anterior serão pagos por conta das respectivas dotações orçamentárias em vigor.

Art. 4.º — O presente decreto-lei entrará em vigor na data de sua publicação.

Palácio da Liberdade, Belo Horizonte, 29 de abril de 1946.

JOÃO TAVARES CORRÊA BERALDO

Olimpio Orsini de Castro

Jair Negrão de Lima

(Nota: O documento também traz trechos visíveis nas colunas laterais referentes a outros decretos, como o Decreto-Lei n. 1.721, de 29 de abril de 1946, e nomeações/reestruturações de cargos públicos da Imprensa Oficial e da Secretaria de Agricultura e Comércio).