Bullying

terça-feira, 10 de março de 2026

Gestão para Resultados: O Caminho para Transformar a Educação em Nossos Municípios!



Gestão para Resultados: O Caminho para Transformar a Educação em Nossos Municípios

Recentemente, durante o nosso encontro "Café com Prosa", tivemos o privilégio de acompanhar a palestra de Isis Chaves, Diretora Técnica da Fundação da Gide (FDG). Sob o tema "Como gerar resultados de aprendizagem à luz das novas políticas?", a apresentação trouxe um diagnóstico realista e, mais importante, um método claro para enfrentarmos os desafios do ensino público.

O Diagnóstico: Por que precisamos mudar?

A palestra começou com dados inquietantes. O Brasil, embora figure entre as dez maiores economias do mundo, mantém-se em posições críticas no PISA (Programa de Avaliação de Alunos da OCDE). Existe um abismo entre o potencial econômico do país e a entrega educacional.

Uma pesquisa da Ipsos reforça esse cenário: para o cidadão brasileiro, a Educação é a segunda temática mais importante, mas ocupa o quinto lugar em nível de insatisfação. O eleitor e as famílias reconhecem a importância do ensino, mas sentem que a entrega ainda está longe do ideal.

A "Armadilha" da Atuação sem Gestão

Um dos momentos mais marcantes da fala de Isis foi a analogia do iceberg. Muitas vezes, a gestão pública cai na "armadilha" de atuar apenas nos sintomas (a ponta visível do iceberg). Quando focamos apenas no efeito e desconhecemos as causas raízes, os resultados são desoladores:

  • Dificuldade para estabilizar resultados;

  • Desorientação e desgaste das equipas;

  • O eterno ciclo vicioso de "apagar incêndios".

Para romper com isso, a proposta da FDG baseia-se na GIDE (Gestão Integrada da Educação), um sistema que a Professora Maria Helena Godoy consolidou ao longo de décadas e que já beneficiou mais de 8 milhões de alunos em todo o Brasil.

A Solução: Os Pilares de uma Rede de Sucesso

Gerir uma rede pública não é apenas administrar recursos, mas garantir que o aprendizado aconteça na ponta, dentro da sala de aula. A GIDE estrutura-se em seis frentes de gestão que se interconectam:

  1. Gestão de Projetos: Organização das iniciativas.

  2. Gestão de Competência: Valorização e treino do capital humano.

  3. Gestão por Processos: Fluxos de trabalho claros.

  4. Gestão Estratégica: Visão de futuro e planeamento.

  5. Gestão Financeira: Uso eficiente do recurso.

  6. Gestão para Resultados Pedagógicos: O foco central de todo o sistema.

A Trilha Gerencial: Do Diagnóstico ao Sucesso

Isis detalhou como esse trabalho se traduz na prática através de uma Trilha Gerencial rigorosa:

  • Início com Liderança: O comprometimento dos gestores é o combustível.

  • Diagnóstico e Metas: Não se gere o que não se mede. É preciso saber onde estamos para definir onde queremos chegar.

  • Plano de Ação e Execução: O momento de colocar a "mão na massa" com método.

  • Verificação e Ação Corretiva: Onde muitos falham, a GIDE insiste: é preciso monitorar e corrigir rotas antes do fim do ciclo.

  • Prática de Sucesso: Quando o resultado é alcançado, ele deve ser padronizado e celebrado.

Conclusão: Pensar antes de Agir

Encerrando com uma frase atribuída a Albert Einstein, a palestra nos deixou uma lição sobre eficiência: "Se eu tivesse uma hora para resolver um problema, eu passaria 55 minutos a pensar sobre o problema e 5 minutos a pensar sobre a solução".

Na educação, o "pensar sobre o problema" chama-se gestão. É através de um método sólido, focado na causa raiz e no acompanhamento constante, que conseguiremos oferecer aos nossos alunos a aprendizagem que eles merecem e de que o Brasil precisa.

Deodato Gomes Costa

Secretário Municipal de Educação

sábado, 7 de março de 2026

Saúde Mental em Pauta: Gestores Educacionais Iniciam Jornada Pedagógica com Foco no Acolhimento!

Saúde Mental em Pauta: Gestores Educacionais Iniciam Jornada Pedagógica com Foco no Acolhimento

CARLOS CHAGAS – Na manhã da quarta-feira, 4 de março de 2026, o cenário educacional deu  mais um passo em direção à humanização das relações escolares. Durante a 1ª Reunião Técnico-Pedagógica do ano, diretores, vice-diretores e supervisores de ensino participaram de uma imersão sobre um dos temas mais urgentes da atualidade: a saúde mental no ambiente escolar.

A palestra, assistida por nós, é do renomado psiquiatra e neurocientista Dr. Rodrigo Bressan, professor da UNIFESP e fundador do Instituto Ame Sua Mente. Com uma abordagem que uniu rigor científico e aplicabilidade prática, Bressan prendeu a atenção dos gestores por pouco mais de 40 minutos, desmistificando conceitos e oferecendo ferramentas para a liderança apesar de ter sido uma gravação.

A "Pirâmide Invertida" da Saúde Mental

Um dos pontos altos da fala de Bressan foi a apresentação do conceito de "pirâmide invertida". Segundo o especialista, é fundamental diferenciar o estresse cotidiano — que faz parte do crescimento humano — de problemas de saúde mental e, finalmente, de transtornos mentais diagnosticáveis.

"O estresse faz parte da saúde mental; não existe saúde mental sem estresse, pois ele é o que nos faz superar desafios e crescer", pontuou o médico. O alerta, contudo, reside na incapacidade de superação: quando o sofrimento deixa de ser leve e passageiro para se tornar prolongado e impeditivo, o que exige intervenção especializada.

O Papel Estratégico do Educador

Bressan enfatizou que 50% dos transtornos mentais começam antes dos 14 anos, colocando a escola na linha de frente da prevenção. O palestrante destacou que diretores e supervisores possuem um "olhar privilegiado", sendo os maiores especialistas na faixa etária com que trabalham.

A mensagem para os gestores foi clara: o educador não deve diagnosticar ou tratar, mas sim letrar-se para manejar o ambiente. "A formação em saúde mental não sobrecarrega o educador; ela o empodera", afirmou Bressan, defendendo a criação de protocolos e diretrizes para lidar com crises, bullying e autolesão, o que reduz drasticamente o estresse da equipe.

Cuidar de Quem Educa

A palestra também trouxe dados alarmantes sobre a saúde dos próprios profissionais. Bressan citou o alto índice de afastamentos por transtornos mentais na rede pública e o impacto do burnout, que atinge especialmente aqueles que têm maior envolvimento emocional com a profissão.

Ao final, os gestores foram incentivados a praticar a autopercepção e a buscar estratégias ativas de manejo emocional, como atividade física e higiene do sono, reconhecendo que a saúde mental da escola começa pelo bem-estar de suas lideranças.

A reunião encerrou-se com um sentimento de renovação. Para os supervisores e diretores presentes, a fala do Dr. Bressan não foi apenas técnica, mas um chamado ao "letramento emocional", essencial para enfrentar os desafios de uma sociedade cada vez mais hiperconectada e complexa.