Câmara Municipal de Carlos Chagas promove palestra sobre a luta das mulheres e o enfrentamento à violência de gênero
Na noite do dia 06 de março de 2026, a Câmara Municipal de Carlos Chagas realizou a palestra de abertura do Ciclo de Debates “Câmara Aberta – Vozes Ativas”, com o tema “Luta das Mulheres e Combate à Violência de Gênero”. A conferência foi ministrada pela Professora Dra. Denise Conceição das Graças Ziviani, do Instituto Federal de Minas Gerais – Campus Ouro Preto (IFMG).
O evento ocorreu às 19 horas e atendeu ao convite do Presidente da Câmara Municipal, vereador Márcio Júnior, em uma iniciativa que nasceu a partir de uma proposta apresentada pela professora Helen, posteriormente acolhida e organizada pelo Legislativo municipal como parte das atividades do Março das Mulheres.
O evento contou com a presença dos alunos da Educação de Jovens e Adultos (EJA), do presidente da Câmara Municipal, Márcio Júnior, que atuou como anfitrião da noite, e das vereadoras Giovanna e Yoko, que acolheram o público com atenção e carinho, distribuindo lembranças às mulheres presentes.
A história da luta das mulheres
Logo no início da palestra, a professora Denise Ziviani apresentou um panorama histórico da luta feminina por direitos. Ela destacou que, desde o início do século XX, mulheres organizadas em movimentos sociais passaram a reivindicar participação política, acesso à educação, autonomia profissional e igualdade de direitos.
Entre os marcos históricos lembrados, foram citados acontecimentos importantes como as mobilizações femininas no início do século passado e a criação do Dia Internacional da Mulher, consolidado a partir das manifestações de trabalhadoras. A professora também destacou que, no Brasil, o direito ao voto feminino foi conquistado em 1932, tornando-se obrigatório apenas em 1946.
Segundo a palestrante, a chamada segunda onda do feminismo, a partir da década de 1960, ampliou o debate sobre autonomia feminina, igualdade nas relações pessoais e melhores condições de trabalho para as mulheres.
Dados preocupantes da violência contra mulheres
Durante a apresentação, a professora trouxe dados que evidenciam a gravidade da violência de gênero. Segundo números apresentados na palestra, 1.463 mulheres foram assassinadas no Brasil em 2024, enquanto em 2025 foram registradas 1.568 mortes, uma média de quatro mulheres assassinadas por dia.
Outro dado alarmante refere-se às agressões: mais de 86 mil casos de violência contra mulheres foram registrados apenas entre janeiro e julho de 2025. No cenário mundial, estima-se que cerca de 50 mil mulheres sejam mortas por ano, o que reforça a urgência de políticas de prevenção e proteção.
A professora também destacou que mulheres negras são as que mais denunciam e também as que mais sofrem violência, evidenciando a necessidade de políticas públicas que considerem desigualdades sociais e raciais.
Compreendendo o conceito de gênero
Na parte teórica da palestra, a professora trouxe reflexões baseadas em autoras e pesquisadores que estudam as relações de gênero. Um dos destaques foi a filósofa Simone de Beauvoir, autora da frase clássica: “Não se nasce mulher, torna-se mulher”, indicando que muitos papéis atribuídos às mulheres são construções sociais.
A pesquisadora Joan Scott também foi mencionada para explicar que o gênero é um campo de relações de poder, no qual os papéis de homens e mulheres foram historicamente definidos e naturalizados pela cultura.
Nesse contexto, foi discutido o conceito de patriarcado, entendido como um sistema social em que os homens ocupam posição central na organização da sociedade, exercendo autoridade sobre mulheres e filhos, estrutura que ainda influencia comportamentos e relações sociais.
Políticas públicas de enfrentamento
A professora Denise também apresentou avanços institucionais no combate à violência de gênero. Entre os marcos citados estão:
Declaração Universal dos Direitos Humanos (1948), que afirma a igualdade de dignidade e direitos entre todos os seres humanos;
Criação das Delegacias Especializadas de Atendimento à Mulher (DEAM) em 1985;
Criação do Conselho Nacional dos Direitos da Mulher;
Primeiras Casas-Abrigo para mulheres em risco de morte, instituídas em 1986;
A Constituição Federal de 1988, que consolidou direitos fundamentais e reforçou a igualdade jurídica entre homens e mulheres.
A importância da rede de proteção
Encerrando a exposição, a palestrante ressaltou que o enfrentamento da violência contra a mulher depende da atuação integrada de uma rede de proteção e atendimento, composta por diferentes instituições.
Entre os serviços que compõem essa rede estão hospitais, unidades de atenção básica, programas de saúde da família, delegacias, polícias, Centros de Referência de Assistência Social (CRAS), Centros Especializados (CREAS), promotorias e defensorias públicas.
Segundo Denise Ziviani, o fortalecimento dessa rede é fundamental para garantir acolhimento, proteção e justiça às mulheres vítimas de violência.
Debate necessário para a sociedade
A realização da palestra foi destacada como um momento importante de formação cidadã e reflexão social, sobretudo no contexto do mês dedicado às mulheres.
A iniciativa da Câmara Municipal, em parceria com educadores, reforça a importância de ampliar o debate público sobre igualdade de gênero, respeito e combate a todas as formas de violência.
Ao final do encontro, ficou evidente que educação, políticas públicas e mobilização social são caminhos essenciais para transformar realidades e construir uma sociedade mais justa e igualitária para mulheres e homens.









