Publicada originalmente pelo jornal O Estado
de S. Paulo em 4 de julho de 2026, esta inspiradora reportagem
aborda o impacto da Copa do Mundo nas férias escolares, mostrando como museus e
centros culturais paulistas utilizam o futebol para criar atividades lúdicas
que estimulam a criatividade. Aproveitando esse gancho, fica o convite para os
professores replicarem a atitude em suas práticas pedagógicas: utilizar esse
contexto mobilizador é uma estratégia incrível para conectar a paixão pelo
esporte a disciplinas como história, geografia e artes, tornando o aprendizado
dinâmico, interdisciplinar e muito mais significativo em sala de aula.
Para as férias
O futebol como incentivo à criação e à imaginação
Museus, parques e
unidades do Sesc oferecem atividades dedicadas a estimular o aprendizado por
meio do Mundial
GONÇALO JUNIOR
No início das férias escolares, a Copa
do Mundo salta das transmissões dos jogos para ocupar museus, parques e centros
culturais de São Paulo. Oficinas, brincadeiras e exposições transformam o
torneio em lazer e educação.
Foi esse o motivo que levou o
professor de Educação Física Thiago Rogel, de 42 anos, a fazer um bate-volta
entre Santos e a capital com os filhos Pedro, de 6 anos, e Julia, de 10. O
destino foi o projeto Férias no Museu, do Museu do Futebol. "Eles estão
bastante envolvidos com a Copa e queriam alguma atividade prática", conta.
Na manhã de sexta-feira, a primeira parada foi uma quadra inflável instalada na
parte externa do museu, parte da programação especial de férias.
Entre os destaques da programação do
museu está a exposição Amarelinha, que revisita a
trajetória da camisa da seleção brasileira como um símbolo da cultura nacional.
A farmacêutica Carine Sanches, de 46
anos, visitou o Museu do Futebol pela primeira vez. Ao lado do filho Leonardo,
de 8 anos, começou o passeio pela pintura facial inspirada nas seleções, nas
cores e nos símbolos das Copas.
A programação temática se estende a
outros espaços. No Museu Catavento, a Oficina de Plúmulas propõe a criação e a
personalização de bandeiras inspiradas nas seleções participantes, enquanto
apresenta aspectos da geografia e da história dos países do torneio.
No Sesc Itaquera, dentro do programa
Sesc na Copa, que oferece transmissão de jogos, debates, exposições e
vivências, a oficina sugere uma experiência que une futebol, arte e imaginação.
Além de recriar bandeiras já existentes, o público também é incentivado a
inventar os próprios países.
INTERESSE. Para a
psicopedagoga Paula Furtado, a Copa pode ser uma oportunidade de aprendizagem
que vai além da competição. "A aprendizagem acontece quando conseguimos
despertar o interesse da criança, e a Copa é um tema que desperta essa
curiosidade. Ela pode transformar as férias em um período de descobertas, sem
que aprender pareça uma obrigação", afirma.
Oficinas de arte, por exemplo, permitem
criar bandeiras, mascotes, cartazes ou até uniformes, estimulando a
criatividade e a coordenação motora. Jogos e circuitos inspirados no futebol
desenvolvem habilidades motoras, noção espacial, trabalho em equipe, cooperação
e respeito às regras; visitas a museus, centros culturais ou exposições ampliam
o repertório cultural e despertam a curiosidade. "Quando a criança aprende
de forma lúdica e compartilhada com a família, as experiências se tornam mais
significativas e têm mais chances de permanecer por toda a vida", analisa
Paula Furtado.
"A aprendizagem se dá quando
conseguimos despertar o interesse da criança, e a Copa é um tema que desperta a
curiosidade. Ela pode transformar as férias em um período de descobertas, sem
que aprender pareça uma obrigação"
Paula Furtado, psicopedagoga
O professor Jones Brandão, gerente de
ensino e inovação do sistema COC, afirma que essas vivências ampliam o
repertório cultural, algo cada vez mais valorizado nas avaliações e na formação
integral. "Grandes acontecimentos, como a Copa, frequentemente servem de
contexto para questões do Enem e de vestibulares, utilizam esse universo para
avaliar competências como interpretação, análise de dados e leitura crítica da
realidade", diz.
Referência: JUNIOR, Gonçalo. O futebol como incentivo à criação e à imaginação. O Estado de S. Paulo, 4 de julho de 2026.
























