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terça-feira, 12 de maio de 2026

CADASTRO DA EJA



Apresentamos indicadores oficiais do Censo IBGE 2022 relacionados à escolarização da população de Carlos Chagas (MG), permitindo uma análise importante sobre a demanda potencial da Educação de Jovens e Adultos (EJA) no município.

Análise da Demanda Oficial da EJA em Carlos Chagas

Os dados revelam um cenário que demonstra a relevância estratégica da EJA como política pública de inclusão educacional e desenvolvimento social.

1. População com mais de 15 anos

Carlos Chagas possui:

  • 15.249 pessoas com 15 anos ou mais

Esse é o universo populacional considerado para análise da alfabetização e escolarização de jovens, adultos e idosos.


2. População não alfabetizada

O município registra:

  • 2.486 pessoas não alfabetizadas

Esse número representa um contingente extremamente significativo da população local. Na prática, significa que milhares de cidadãos ainda enfrentam limitações no acesso à leitura, escrita e compreensão básica da linguagem escrita, o que impacta:

  • acesso ao trabalho;

  • exercício da cidadania;

  • autonomia pessoal;

  • acesso a políticas públicas;

  • inclusão digital;

  • continuidade dos estudos.

Esse indicador evidencia a necessidade de:

  • fortalecimento da EJA alfabetizadora;

  • busca ativa;

  • programas intersetoriais;

  • ampliação das estratégias de permanência dos estudantes.


3. Taxa de analfabetismo

A taxa oficial apresentada é de:

16,30%

Trata-se de um índice elevado quando comparado às metas nacionais de redução do analfabetismo.

Isso demonstra que:

  • aproximadamente 1 em cada 6 pessoas acima de 15 anos em Carlos Chagas não sabe ler e escrever adequadamente;

  • a EJA não deve ser vista apenas como modalidade complementar, mas como política prioritária de reparação social.

Esse dado também sugere possíveis desigualdades:

  • territoriais (zona rural e comunidades mais afastadas);

  • geracionais (idosos com baixa escolarização);

  • socioeconômicas;

  • históricas.


4. População adulta sem escolaridade completa

Outro dado extremamente relevante é:

  • 9.270 pessoas com 18 anos ou mais sem escolaridade completa

Esse talvez seja o principal indicador da demanda potencial da EJA.

Na prática, ele revela que grande parte da população adulta:

  • não concluiu a Educação Básica;

  • pode necessitar da EJA para concluir:

    • anos iniciais;

    • anos finais;

    • ensino médio.

Esse número representa mais da metade da população adulta do município.


O que os dados indicam pedagogicamente?

Os indicadores sugerem que a política municipal de EJA precisa atuar em múltiplas frentes:

a) Alfabetização de Jovens, Adultos e Idosos

Prioridade para reduzir o analfabetismo absoluto.

b) Correção da trajetória escolar interrompida

Muitos cidadãos provavelmente abandonaram a escola precocemente por:

  • trabalho infantil;

  • dificuldades econômicas;

  • distância geográfica;

  • ausência histórica de oferta educacional;

  • vulnerabilidade social.

c) Formação para o mundo do trabalho

A baixa escolarização interfere diretamente:

  • na renda;

  • na empregabilidade;

  • na qualificação profissional;

  • no desenvolvimento econômico local.

d) Inclusão digital e cidadania

Hoje, a alfabetização envolve também:

  • acesso às tecnologias;

  • compreensão de informações digitais;

  • participação social.


Implicações para a política pública municipal

Os dados justificam:

  • ampliação de turmas de EJA;

  • fortalecimento da busca ativa;

  • parcerias intersetoriais;

  • integração com assistência social e saúde;

  • flexibilização de horários;

  • políticas de permanência;

  • transporte escolar adequado;

  • ações específicas para zona rural.

Também reforçam a importância de:

  • campanhas públicas de valorização da EJA;

  • combate ao preconceito contra estudantes adultos;

  • estratégias de acolhimento humanizado.


Conclusão

Os dados oficiais do IBGE demonstram que Carlos Chagas possui uma demanda expressiva e estrutural por Educação de Jovens e Adultos. A existência de:

  • 2.486 pessoas não alfabetizadas;

  • taxa de analfabetismo de 16,30%;

  • 9.270 adultos sem escolaridade completa;

evidencia que a EJA deve ocupar papel central nas políticas educacionais do município.

Mais do que uma modalidade de ensino, a EJA representa uma política de dignidade humana, inclusão social e reconstrução de trajetórias interrompidas pela desigualdade histórica brasileira.

domingo, 29 de dezembro de 2019

EDUCAÇÃO DE JOVENS E ADULTOS HOJE TEM MENOR INVESTIMENTOS DA DÉCADA - Jornal Globo de 29-12-2019


O MEC gastou R$ 16,6 milhões no programa da Educação de Jovens e Adultos (EJA), valor que corresponde a 22% do previsto para o ano, numa queda contínua que começou após 2012, quando o montante foi 115 vezes maior do que o atual. O ministério alega que parte dos recursos da EJA será investida na reforma de escolas.



O Ministério da Educação (MEC) fez, em 2019, o menor gasto da década com a educação de jovens e adultos, principal estratégia para aumentar a escolarização da população que abandonou os estudos na idade escolar. Os dados são do Sistema Integrado de Operações (Siop).

A pasta só gastou R$ 16,6 milhões na área neste ano, o que corresponde a 22% do previsto (R$ 74 milhões). Para se ter uma ideia, em 2012 o montante chegou a R$ 1,6 bilhão (em valores corrigidos) —115 vezes maior do que neste ano.
Para 2020, a previsão que consta no Projeto de Lei do Orçamento Anual do governo federal é de R$ 25 milhões. O Brasil tem, segundo o IBGE, 11,3 milhões de pessoas analfabetas com mais de 15 anos, em 2018. Isso corresponde a 6,8% da população. Além disso, mais da metade (52,6%) da população com mais de 25 anos não tem ensino médio completo — este é exatamente o público da Educação de Jovens e Adultos (EJA). São70 milhões de brasileiros. Desses, a maior parte (44 milhões) não tem nem o fundamental, 33% da população com mais de 25 anos. — Os alunos da EJA são os primeiros a serem excluídos do mercado de trabalho. Ou seja, o governo não está investindo na população mais precária do país - diz Rita de Cassia Pacheco, professora da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) e especialista em EJA.

O MEC afirmou que quer usar parte dos recursos destinados para a EJA na reforma de escolas da educação básica. Disse ainda que executou o orçamento em transferências para institutos federais de educação.

Ainda segundo a pasta, há um núcleo na Secretaria de Educação Básica “preparando um programa dedicado a fortalecer o fomento da EJA Integrada, com diretrizes como mobilização e busca ativa (desenvolvimento de estratégias para matricular o estudante na escola); e oferta de EJA integrada (cursos que atendam às necessidades do público e do mercado de trabalho).”

EVASÃO

Enquanto isso, Mara Patrícia Vianna, de 34 anos, vai parar de estudar pela terceira vez sem completar o ensino fundamental. A primeira foi aos 12 anos, para cuidar dos irmãos mais novos. No começo de 2019, decidiu voltar a tentar. Em 2020, faria o 8º e o 9º ano, mas a escola municipal Américo dos Santos, em Queimados (RJ), onde estuda, vai fechar as portas. A mais próxima fica a 4km.

“Não há, no Brasil, uma cultura da educação na fase adulta. A mãe vai no MP brigar pela vaga da filha na creche, mas não briga _ pela dela” Maria Clara Di Pierro, professora da USP

Longe para quem tem que deixar o filho mais velho, de 14 anos, tomando conta dos outros três menores. - Hoje, eu estudo a duas quadras da minha casa. Se acontecer alguma coisa com eles, alguém corre aqui e me chama. Mas como faço numa escola distante? —explica. A subsecretária-executiva de Educação de Queimados, Monique Lima, afirmou que o fechamento do turno noturno da escola é uma reformulação da rede, e que os alunos vão para vagas ociosas em outras unidades.

— Se houvesse um programa federal, como o Projovem ou o Brasil Alfabetizado, eu conseguiria manter aquela escola aberta —diz. 

Segundo Maria Clara Di Pierro, professora da Faculdade de Educação da USP e especialista em EJA, a desaceleração do investimento na modalidade começou em 2017, no governo de Michel Temer (MDB), quando os dois programas citados pela subsecretária de Queimados, ambos criados no governo Lula (PT), pararam de receber verba. — Eles não foram oficialmente extintos, mas os estados e municípios pararam de receber novos recursos. O Projovem pagava uma bolsa para estudantes da EJA e também criava condições especiais nas escolas, como espaços destinados aos filhos dos alunos. Já o Brasil Alfabetizado destinava verba para que voluntários, que não precisavam ser professores, abrissem turmas de alfabetização sob a supervisão das secretarias municipais.
- Esses programas foram importantes, mas tinham problemas. Não era o caso de extingui-los, e sim de reformulá-los — diz Di Pierro. — A Comissão Nacional de Educação de Adultos tinha sugerido mudanças, mas foi extinta pelo governo Bolsonaro.

MODALIDADE EM CRISE

A crise da EJA chegou este ano ao seu ponto mais crítico. Além da queda acentuada de orçamento, o MEC desarticulou as políticas da modalidade, encerrando a Secretaria de Educação Continuada, Alfabetização, Diversidade e Inclusão (Secadi), responsável por fomentar políticas para o setor em estados e municípios. A EJA acabou dividida em três secretarias diferentes. Presidente do Conselho Nacional de Secretários de Educação (Consed) e secretário estadual de Pernambuco, Fred Amâncio aponta que, quando a verba federal diminui, a conta aumenta para estados e municípios. —Com isso, pode acontecer que se tenha dificuldade de manter todas as turmas abertas —afirma. Segundo Di Pierro, a diminuição da participação da União no fomento de oferta de vagas contribui para a queda de 16% dos alunos em seis anos. Ela defende reformular a metodologia aplicada na EJA: — Há um divórcio entre as necessidades e condições de aprendizagens e o modelo ofertado. As aulas ainda são muito baseadas na educação oferecida às crianças. Soma-se isso a professores mal formados, e a equação não fecha. Reformular isso é um papel da União, estados e municípios, mas depende de uma situação política e institucional mais favorável e de investimento— diz a professora da USP.

“Com a pressão por mais vagas em creche e pré-escolas, além do teto de gastos, a EJA vai perdendo recursos ao longo dos anos” Rita Pacheco, professora especialista em EJA da UFSC

terça-feira, 5 de dezembro de 2017

Idosos, adultos e jovens de 15 anos ou mais, moradores de Carlos Chagas, que desejam ingressar na escola para concluir o ensino fundamental, tá na hora. Procure a Escola João Beraldo a noite.



A Escola João Beraldo já está recebendo as matrículas para a EJA 2018. Podem estudar na EJA: idosos, adultos e jovens de 15 anos ou mais, moradores de Carlos Chagas, que desejam ingressar na escola para  concluir o ensino fundamental 2.