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quarta-feira, 18 de fevereiro de 2026

"Rasgar o coração, e não as vestes." (Jl 2,13) 📖

Hoje, às 9 horas, enquanto acompanhava a Santa Missa de Aparecida, as palavras do profeta Joel ecoaram de forma diferente em meu peito: "Rasgai o coração, e não as vestes".

Fiquei pensando na facilidade com que nos prendemos ao exterior, às aparências e às formalidades da fé. Muitas vezes, gastamos energia "rasgando as vestes" — nos preocupando com o que os outros veem — enquanto o nosso interior permanece intacto, blindado, intocado.

Quaresma: o tempo de trocar o rasgar das vestes pelo abrir do coração, para que, na nudez da nossa verdade, Deus possa reconstruir em nós um espírito decidido.

Para mim, essa "nudez da verdade" é o momento em que paramos de dar desculpas para Deus. É quando deixamos de lado as justificativas e apresentamos a Ele exatamente o que somos: pó, fragilidade, mas também saudade de Infinito. Rasgar o coração dói porque exige honestidade. Exige romper com o orgulho que nos faz parecer autossuficientes.

Mas o consolo é imediato: o Senhor é benigno e compassivo. Ele não quer o nosso sacrifício vazio; Ele quer a nossa volta para casa. Ao abrirmos essa fenda no coração, permitimos que Ele reconstrua em nós não apenas um hábito religioso, mas um espírito firme e decidido a amar.

Nesta Quarta-feira de Cinzas, a liturgia me lembrou que o essencial acontece no "escondido", onde apenas o olhar do Pai alcança.

Uma provocação que levo comigo e compartilho com vocês: Frequentemente buscamos sacrifícios externos extraordinários, mas, diante de um Deus que lê o que está oculto, o que seria praticar uma verdadeira e grande penitência? Seria domar a língua? Renunciar ao julgamento apressado? Ou talvez a maior das penitências: a humildade de se reconhecer necessitado de misericórdia?

Uma santa e abençoada jornada quaresmal a todos nós! 🙏✨


quarta-feira, 26 de fevereiro de 2020

Quarta-feira de cinzas – o mistério do “cristão-fênix”

Ao entrar na Quaresma, nesta Quarta-feira de Cinzas, nós podemos nos sentir como uma fênix — mas não aquela majestosa e segura de si. Sentir-nos como um pássaro cansado, que carrega nas asas o peso das próprias contradições.

A fênix morre em chamas e renasce das cinzas. O cristão também. Mas, diferente do mito, nós não renasçemos da nossa força própria. E talvez aí esteja a verdade que mais dói: não somos capazes de nos salvar sozinho.

Quantas vezes entramos na Quaresma com certa altivez silenciosa… Orgulhosos por “ser cristão”, por conhecer a fé, por cumprir ritos, por defender valores. Como se as penas coloridas da nossa religiosidade  nos garantissemos altitude espiritual. E então, quase sem perceber, o amor que deveria ser gratidão transforma-se em orgulho. Um orgulho sutil, disfarçado de zelo.

De repente, a queda. A fumaça. A constatação de que a nossa fé, quando se apoia apenas na gente mesmo, queima.

Há uma rachadura na gente. Uma fragilidade que não se cura com discursos, nem com aparência de virtude. A combustão acontece quando nós reduzimos a graça ao nosso esforço, quando pensamos que podemos negociar com Deus, quando transformamos fé em cultura, e não em entrega.

As cinzas na testa nos lembram: sou pó. Mas também nos lembram que o pó pode ser tocado pela misericórdia.

A fênix renasce como se nada tivesse acontecido. A gente não. Nós renasçemos marcado pela memória do nosso limite. E isso é libertador. Porque descubrimos que o perdão não nasce da nossa força, mas do amor que nos precede.

Não damos a vida a nós mesmo. Nós a recebemos.
Não produzimos o perdão. Nós o acolhemos.

Quando escutamos a absolvição pronunciada por uma voz humana, sentimos o peso da culpa se desfazer. Ali, compreendemos que o que era cinza pode se tornar início. Não por mérito, mas por graça.

Talvez a verdadeira Quaresma seja essa travessia: deixar queimar o orgulho, mas proteger as asas da esperança. Cair, sim — mas cair nos braços de Cristo.

Hoje, ao tocar as cinzas, quero não ver apenas o fim. Quero ver a possibilidade de um recomeço humilde.
Não como uma fênix autossuficiente, mas como um cristão perdoado que aprende, todos os dias, a ressuscitar com o Senhor.