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domingo, 22 de maio de 2022

Os entardeceres de maio



O frio chegou desinteressado da minha opinião. Não me lembro de um maio assim, tão exigidor de agasalhos. Acordo dos meus comodismos e decido ajudar alguns irmãos meus que sofrem nas calçadas dos abandonos. Não sou o resolvedor das misérias humanas, mas sou um humano capaz de algum aquecer. 

Vejo os meus irmãos das calçadas e os reconheço. Um homem apressado passa por mim contrariado por eu estar ali combatendo a despessoalização. Não gosta de que os ajude. Imagina que, se os ajudarem, ficarão por ali, e que a cidade seria mais limpa sem eles. Digo nada e prossigo na conversa. Atenção também aquece.  

Sento em uma padaria e espero uma amiga, Luciana. Vem ela com os esbaforidos dizeres de um dia bom de trabalho. Uma criança nos olha e nada pede. Eu ofereço um algo que alimenta. Ela sorri aceitando. Luciana percebe o frio e, então, tira sua blusa e entrega à criança. A blusa era grande para um corpo tão pequeno. Mas aquece. 

Pergunto da família, ela responde que só tem mãe e que a mãe não está bem. Os olhos lacrimejantes atestam os dizeres.  Vive ela com uma tia e, antes da pandemia, ia para escola. Ainda não voltou. Quer voltar. Não tem roupa. Não tem incentivo. Tem medo. Também se chama Luciana.  

Resolvemos resolver algumas pedras que impedem o florescer da menina. Sei que é apenas uma menina entre tantas outras que se perdem nos desperdícios do infamiliar. Os que passam não reconhecem os que param nas ruas frias como membros de uma mesma família humana. Os que passam não acreditam nos que param, como se parar fosse uma decisão. E não é fácil reconhecer. Há medos que nos rondam. Há comodismos que nos convencem de que somos apenas um na multidão.  

Na conversa com as duas Lucianas, percebi o entardecer iluminador pintando de beleza os céus.  A Luciana menina com aquele blusão já falava com alguma segurança. Disse dos remédios que a mãe tomava e de seu nervosismo. Disse da tia, que era uma santa, mas que tinha criança demais para cuidar. Disse de uma boneca que havia ganhado. Disse do que gostava de brincar. 

Nos olhos daquela criança, o sol se despedindo iluminava mais bonito a vida.  Algumas roupas, alguma ajuda financeira e uma conversa com a tia. E o jardim da humanidade recebeu um pouco do tanto que necessita para florir. Humanidades. 

De onde moro, tenho o privilégio de ver o sol se escondendo nas montanhas. A vista é linda. Os prédios, construções humanas, ficam pequenos perto da grandiosidade de um espetáculo que é sempre o mesmo e que nunca se repete. Somos pó perto da incandescente energia que vê o mundo pequeno em que vivemos. Do mundo pequeno que somos. A pequena Luciana ficou maior pela generosidade da Luciana, grande nos gestos bonitos de entender o amor, mesmo por alguém que se viu pela primeira vez. Que se viu! 

Descanso o dia pensando. Tenho tanto. Plantaram tanto em mim. Será que retribuo ao mundo na mesma proporção do que recebi? Tenho medo dos medos que me fazem viver de comodismos. Ou das descrenças que me fazem deixar de ver, que me fazem permitir o desaparecimento do outro.  

Enquanto penso, remexo no bom que plantaram em mim. E me vem a linda imagem do meu pai, um jardineiro de felicidades. Sorrio de histórias lindas que moram em mim daquele homem bom ajudando uma cidade inteira.  Meu pai, aluno da vida dura que teve e que transformou em bondades.  

Os entardeceres de maio são lindos. Principalmente, quando o brilho que brilha nos altos brilha dentro da gente.

Gabriel Chalita

quinta-feira, 6 de junho de 2019

Um Ipê por três Ipês carregam a sinergia da Festa Junina na Escola João Beraldo em 2019! Pode vir que vai tá bom e você vai gostar! Ao final ouça a divulgação da nossa Festa.


Este Ipê, muito floria, trazendo serenidade à Comunidade Educacional João Beraldo durante muito tempo, antes do seu espaço virar sala de aula. Sob o reflexo desta imagem que ficou em muitas pessoas, vimos nos alegrar com todos vocês  que trabalham pela Festa Junina 2019,  com tanto afinco. Todos, de uma forma ou de outra vivem esta sinergia indistintamente. Da decoração empreendida por D. Ana, às doações de professores, alunos, servidores da cantina e da secretaria que não mensuram esforços para fazer acontecer. O Ipê que não existe mais, e que tentamos resgatá-lo nos três novos Ipês que plantamos em outro lugar da escola, e o trabalho de todos pela Festa Junina 2019,   nos confirmam a importante verdade,  escola sempre é fruto do amor coletivo daqueles que não se cansam da esperança de um mundo novo entre a gente. 
NOSSA FESTA JÁ É UM SUCESSO, PORQUE TEM O  COMPROMETIMENTO TOTAL DE TODOS!
O amor efetivamente move a educação  e faz a nossa Festa Junina assim como um educador movido por um jardim que trazia dentro de si um dia, plantou o Ipê que hoje só existe na memória de quem o vivenciou e que florescerá nos três novos Ipês fincados em outro lugar do Pátio da Escola.  Obrigado colegas por todo seu abraçamento e motivação que faz vivo esta atmosfera do bem. Sem imposições e com diálogo, vamos construindo e cada um vai encontrando seu lugar de trabalho neste lindo movimento de preservação das nossas tradições Juninas em  2019.

Três novos Ipês foram plantados, e vão trazer mais beleza para o pátio da Escola.



DIVULGAÇÃO DA NOSSA FESTA.