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domingo, 12 de abril de 2020

Papa na mensagem de Páscoa: deixar-se contagiar pela esperança de Cristo



Queridos irmãos e irmãs, Feliz Páscoa!
Hoje ecoa em todo o mundo o anuncio da Igreja:  Jesus Cristo ressuscitou! Ressuscitou verdadeiramente, como uma nova chama se acendeu esta boa nova, na noite. E a noite do mundo já abraça com  desafios epocais e  agora oprimido pela pandemia,  que coloca a dura prova,  a nossa grande família humana. Nesta noite, ressoa a voz da igreja, Cristo, minha esperança ressuscitou! É um contágio diferente que se transmite de coração a coração. Porque todo o coração humano, aguarda esta boa nova.  É o contágio da esperança. Cristo minha esperança ressuscitou... ressuscitou!  Não se trata de uma fórmula mágica, que faça desvanecer em si os problemas, não. A ressureição de Cristo não é isto. Mas é a vida do amor sobre a raiz do mal. Uma vitória, que não salta por cima do sofrimento e da morte. Mas atravessa-os abrindo uma estrada no abismo, transformando o mal em bem, marca exclusiva do poder de Deus. O ressuscitado é o crucificado e não outra pessoa. Indeléveis no seu corpo glorioso, traz as chagas, feridas que se tornaram frestas de esperança. Para ele voltamos o nosso  olhar para que  sare as feridas da humanidade atribulada. Hoje, penso sobretudo em quantos foram atingidos diretamente  pelo coronavírus, os doentes, os que morreram e os familiares que choram, a partida  dos seus entes queridos. E por vezes, sem conseguir sequer dizer-lhes o último adeus. O Senhor da vida acolha junto de si, no seu reino, os falecidos e de conforto a quem ainda está na prova,  especialmente os idosos e as pessoas sem ninguém. Não deixe faltar a sua consolação e os auxílios necessários a quem se encontra  em particular condições de vulnerabilidade, como aqueles que  trabalham nas casa de cura, ou vivem nos quartéis e nas  prisões. Para muitos é uma Páscoa de solidão vivida  entre lutos e tantos incômodos que a pandemia está causando, desde os sofrimentos físicos até  os problemas econômicos.  Esta epidemia não nos  privou apenas dos afetos, mas  também da  possibilidade de recorrer pessoalmente à consolação que brota  dos sacramentos, especialmente da Eucaristia e da reconciliação. Em muitos países não  foi possível aceder a eles, mas o Senhor  não nos deixou sozinhos, permanecendo unidos na oração, temos a certeza de que ele colocou sobre nós  a sua mão, repetindo a cada um com veemência: não tenhas medo, ressuscitei e estou contigo para sempre. Jesus, nossa Páscoa dê força e esperança aos médicos e enfermeiros que por todo o lado oferece o testemunho de solicitude e amor ao próximo até ao extremo das forças e por vezes  até o sacrifício da própria saúde.  Para eles, bem como para quantos, trabalham assiduamente para garantir os serviços essenciais à convivência civil. Para as forças da ordem que em muitos países contribuíram para aliviar as dificuldades e atribulações da população, vai a nossa  saudação afetuosa, juntamente com  a nossa gratidão.  Nesta semana, alterou-se improvisadamente a vida de milhões de pessoas. Para muitos ficar em casa, foi uma ocasião para refletir, parar os ritmos frenéticos da vida, permanecer com os próprios familiares e  desfrutar da sua companhia. Mas para muitos outros, é também um momento de preocupação pelo futuro, que se apresenta incerto.  Este não é tempo para a indiferença, porque o  mundo inteiro está sofrendo e deve sentir se  unido ao enfrentar a pandemia. Jesus ressuscitado dê esperança a todos os pobres, a quantos vivem nas periferias, aos refugiados e aos sem abrigo. Que não sejam deixados sozinhos estes irmãos e irmãs mais frágeis que povoam  as cidades e as periferias de todas as partes do  mundo. Não lhes deixemos faltar os bens de primeira necessidade, mas difíceis de encontrar,  agora que muitas atividades estão sendo encerradas, bem como os medicamentos e sobretudo a possibilidade de uma assistência sanitária adequada. Em consideração das presentes circunstâncias, sejam abrandadas  também as sanções internacionais que impedem os países visados de proporcionar apoio adequados aos seus cidadãos.  Que seja permitido a  todos os estados acudir as maiores  necessidades do momento atual, reduzindo e até mesmo perdoando a dívida que pesa sobre os orçamentos dos mais pobres. Este não é tempo para egoísmo,  pois o desafio que enfrentamos nos une a todos  e não faz distinção de pessoas. Dentre as muitas  áreas do mundo, penso de modo especial na Europa depois da 2ª Guerra Mundial, este amado continente pôde ressurgir graças ao espírito concreto de solidariedade e lhe permitiu superar as rivalidades do passado. É muito urgente sobretudo, nas circunstâncias  presentes que tais rivalidades não retomem vigor, antes pelo contrário se reconheçam como parte de uma única família e se apõem mutuamente.  Hoje a sua frente a União  Européia tem um desafio epocal  de que dependerá o  futuro dela, mas também o do mundo inteiro. Que não se perca esta ocasião para dar uma nova prova de  solidariedade, inclusive  recorrendo a soluções inovadoras. Como alternativa  resta apenas o egoísmo dos interesses particulares e a tentação  do regresso ao passado, com o risco de colocar a dura prova  a convivência pacífica e o progresso das próximas gerações.  Este não é tempo para divisões,  Cristo nossa  paz ilumine a quantos tem responsabilidade  nos conflitos para que tenham a coragem de  aderir ao apelo a um acessar fogo global e imediato em todos os cantos do mundo. Este não é tempo para continuar a fabricar  e comercializar armas, gastando  somas enormes, que deveriam  ser usadas para cuidar  das pessoas e salvar vidas. Ao contrário, seja o tempo que finalmente se ponha termo a longa guerra que ensanguentou a Síria, ao conflito do Iêmem e as tensôes  no Iraque bem como no Líbano.  Seja este o  tempo em que retomem o diálogo entre Israelenses e Palestinos, para  encontrar uma solução estável e duradoura que permita a ambos os povos viverem em Paz. Cessem  os sofrimentos da população que vivem  nas regiões  orientais da Ucrânia. Ponha se  termo aos ataques terroristas perpetrados contra tantas pessoas inocentes, em vários países da África.  Este não é tempo para o esquecimento, a crise que estamos enfrentando, não nos faça esquecer muitas outras emergências que acarretam sofrimentos a tantas  pessoas. Que o Senhor da vida se mostre próximo das populações da Ásia e África, que estão atravessando graves crises  humanitárias  como na região de Cabo Delgado  do Norte de Maçambique. Acalente o coração de inúmeras pessoas refugiadas e deslocadas por causa de guerras, secas,  e  penúria.  Proteja os inúmeros migrantes e refugiados, muitos deles crianças, que vivem em condições  insuportáveis, especialmente na Líbia e na fronteira entre a Grécia e a Turquia. Não quero esquecer a Ilha de Lesbos.  Faça com que na Venezuela se chegue a soluções concretas e imediatas, destinadas  a permitir a ajuda internacional a população que sofre por causa da grave conjuntura política, sócioeconômica e sanitária. Queridos irmãos e irmãs, verdadeiramente palavras como indiferença, egoísmo, divisão, esquecimento, não são  as que queremos  ouvir neste tempo, mas queremos  baní-las de todos os tempos. Elas parecem prevalecer quando em nós vencem o medo  e a morte, isto é quando não  deixamos  o Senhor Jesus vencer no nosso  coração  e na nossa vida.  Ele que já derrotou  a morte, abrindo-nos  a senda da salvação eterna, dissipe as trevas da nossa  pobre humanidade  e introduza  no seu dia glorioso que não  conhece ocaso. Gostaria de desejar a todos Boa Páscoa!...        Por Papa Francisco.

sexta-feira, 27 de março de 2020

Papa Francisco: Abraçar o Senhor para abraçar a esperança


Com o cenário inédito da Praça São Pedro vazia com o Papa Francisco diante da Basílica Vaticana, o Pontífice afirmou que é "diante do sofrimento que se mede o verdadeiro desenvolvimento dos povos”. Francisco falou ainda da ilusão de pensar :que continuaríamos sempre saudáveis num mundo doente".

Abraçar o Senhor para abraçar a esperança: esta é a mensagem do Papa Francisco aos fiéis de todo o mundo que, neste momento, se encontram em meio à tempestade causada pela pandemia do coronavírus.
Diante de uma Praça São Pedro completamente vazia, mas em sintonia com milhões de pessoas através dos meios de comunicação, o trecho escolhido para a oração dos féis foi a tempestade acalmada por Jesus, extraído do Evangelho de Marcos.

E foi esta passagem bíblica que inspirou a homilia do Santo Padre, que começa com o “entardecer…”.

“Há semanas, parece que a tarde caiu. Densas trevas cobriram as nossas praças, ruas e cidades; apoderaram-se das nossas vidas, enchendo tudo de um silêncio ensurdecedor e de um vazio desolador… Nos vimos amedrontados e perdidos.”


Estamos todos no mesmo barco

Estes mesmos sentimentos, porém, acrescentou o Papa, nos fizeram entender que estamos todos no mesmo barco, “chamados a remar juntos”.

Neste mesmo barco, seja com os discípulos, seja conosco agora, está Jesus. Em meio à tempestade, Ele dorme – o único relato no Evangelho de Jesus que dorme – notou Francisco. Ao ser despertado, questiona: «Porque sois tão medrosos? Ainda não tendes fé?» (4, 40).

“A tempestade desmascara a nossa vulnerabilidade e deixa a descoberto as falsas e supérfluas seguranças com que construímos os nossos programas, os nossos projetos, os nossos hábitos e prioridades. Mostra-nos como deixamos adormecido e abandonado aquilo que nutre, sustenta e dá força à nossa vida e à nossa comunidade.”

A ilusão de pensar que continuaríamos saudáveis num mundo doente


Com a tempestade, afirmou o Papa, cai o nosso “ego” sempre preocupado com a própria imagem e vem à tona a abençoada pertença comum que não podemos ignorar: a pertença como irmãos.

“Na nossa avidez de lucro, deixamo-nos absorver pelas coisas e transtornar pela pressa. Não nos detivemos perante os teus apelos, não despertamos face a guerras e injustiças planetárias, não ouvimos o grito dos pobres e do nosso planeta gravemente enfermo. Avançamos, destemidos, pensando que continuaríamos sempre saudáveis num mundo doente. Agora, sentindo-nos em mar agitado, imploramos-Te: «Acorda, Senhor!»”
O Senhor então nos dirige um apelo, um apelo à fé. Nos chama a viver este tempo de provação como um tempo de decisão: o tempo de escolher o que conta e o que passa, de separar aquilo que é necessário daquilo que não é. “O tempo de reajustar a rota da vida rumo ao Senhor e aos outros.”  

A heroicidade dos anônimos

Francisco cita o exemplo de pessoas que doaram a sua vida e estão escrevendo hoje os momentos decisivos da nossa história. Não são pessoas famosas, mas são “médicos, enfermeiros, funcionários de supermercados, pessoal da limpeza, transportadores, forças policiais, voluntários, sacerdotes, religiosas e muitos – mas muitos – outros que compreenderam que ninguém se salva sozinho”.
“É diante do sofrimento que se mede o verdadeiro desenvolvimento dos nossos povos”, afirmou o Papa, que recordou que a oração e o serviço silencioso são as nossas “armas vencedoras”.
A tempestade nos mostra que não somos autossuficientes, que sozinhos afundamos. Por isso, devemos convidar Jesus a embarcar em nossas vidas. Com Ele a bordo, não naufragamos, porque esta é a força de Deus: transformar em bem tudo o que nos acontece, inclusive as coisas negativas. Com Deus, a vida jamais morre.

Temos uma esperança

Em meio à tempestade, o Senhor nos interpela e pede que nos despertemos. “Temos uma âncora: na sua cruz fomos salvos. Temos um leme: na sua cruz, fomos resgatados. Temos uma esperança: na sua cruz, fomos curados e abraçados, para que nada e ninguém nos separe do seu amor redentor.”
Abraçar a sua cruz, explicou o Papa, significa encontrar a coragem de abraçar todas as contrariedades da hora atual, abandonando por um momento a nossa ânsia de onipotência e posse, para dar espaço à criatividade que só o Espírito é capaz de suscitar. “Abraçar o Senhor, para abraçar a esperança.” Aqui está a força da fé e que liberta do medo. Francisco então concluiu:
 “Deste lugar que atesta a fé rochosa de Pedro, gostaria nesta tarde de confiar a todos ao Senhor, pela intercessão de Nossa Senhora, saúde do seu povo, estrela do mar em tempestade. Desta colunata que abraça Roma e o mundo, desça sobre vocês, como um abraço consolador, a bênção de Deus.”
Ao final da homilia, o Pontífice adorou o Santíssimo e concedeu a bênção Urbi et Orbi, com anexa a Indulgência Plenária.

terça-feira, 1 de janeiro de 2019

Vale a pena ouvir a homilia do Papa Francisco na Missa do dia 1º-01-2019 - Papa Francisco: Maria é remédio para a solidão e a desagregação "Nossa Senhora introduz na Igreja a atmosfera de casa, duma casa habitada pelo Deus da novidade", disse o Papa em sua homilia.



Papa Francisco: Maria é remédio para a solidão e a desagregação
"Nossa Senhora introduz na Igreja a atmosfera de casa, duma casa habitada pelo Deus da novidade", disse o Papa em sua homilia.

O Papa Francisco celebrou a missa, nesta terça-feira (1º/01), Solenidade de Santa Maria, Mãe de Deus, na Basílica de São Pedro.
O Pontífice iniciou sua homilia partindo do capítulo 2, versículo 18 do Evangelho de Lucas: «Todos os que ouviam os pastores, ficaram maravilhados com aquilo que contavam».
“Maravilhar-nos: a isto somos chamados hoje, na conclusão da Oitava de Natal, com o olhar ainda fixo no Menino que nasceu para nós, pobre de tudo e rico de amor. Maravilha: é a atitude que devemos ter no começo do ano, porque a vida é um dom que nos possibilita começar sempre de novo.”

Segundo o Papa, “hoje é também o dia para nos maravilharmos diante da Mãe de Deus: Deus é um bebê nos braços duma mulher, que alimenta o seu Criador. A imagem que temos à nossa frente mostra a Mãe e o Menino tão unidos que parecem um só”.

Mãe que gera a maravilha da fé

“Tal é o mistério de hoje, que suscita uma maravilha infinita: Deus uniu-se à humanidade para sempre. Deus e o homem sempre juntos: eis a boa notícia no início do ano. Deus não é um senhor distante que habita solitário nos céus, mas o Amor encarnado, nascido como nós duma mãe para ser irmão de cada um. Está nos joelhos de sua mãe, que é também nossa mãe, e de lá derrama uma nova ternura sobre a humanidade. Nós compreendemos melhor o amor divino, que é paterno e materno, como o duma mãe que não cessa de crer nos filhos e nunca os abandona. O Deus-conosco nos ama independentemente dos nossos erros, dos nossos pecados, do modo como fazemos caminhar o mundo. Deus crê na humanidade, da qual sobressai, primeira e incomparável, a sua Mãe.”

“No início do ano, pedimos-Lhe a graça de nos maravilharmos perante o Deus das surpresas”, disse ainda Francisco. “Renovamos a maravilha das origens, quando nasceu em nós a fé. A Mãe de Deus nos ajuda: a Theotokos, que gerou o Senhor, gera-nos para o Senhor. É mãe e gera sempre de novo, nos filhos, a maravilha da fé. A vida, sem nos maravilharmos, torna-se cinzenta, rotineira; e de igual modo a fé. Também a Igreja precisa renovar a sua maravilha por ser casa do Deus vivo, Esposa do Senhor, Mãe que gera filhos; caso contrário, corre o risco de assemelhar-se a um lindo museu do passado. Mas, Nossa Senhora introduz na Igreja a atmosfera de casa, duma casa habitada pelo Deus da novidade. Acolhamos maravilhados o mistério da Mãe de Deus, como os habitantes de Éfeso no tempo do Concílio lá realizado! Como eles, aclamemos a «Santa Mãe de Deus»! Deixemo-nos olhar, deixemo-nos abraçar, deixemo-nos tomar pela mão… por Ela.”

Deixemo-nos olhar

“Deixemo-nos olhar”, frisou ainda o Papa, “sobretudo nos momentos de necessidade, quando nos encontramos presos nos nós mais intrincados da vida, justamente olhamos para Nossa Senhora. Mas é lindo, primeiramente, deixar-se olhar por Nossa Senhora. Quando nos olha, Ela não vê pecadores, mas filhos. Diz-se que os olhos são o espelho da alma; os olhos da Cheia de Graça espelham a beleza de Deus, refletem sobre nós o paraíso. Jesus disse que os olhos são «a lâmpada do corpo» (Mt 6, 22): os olhos de Nossa Senhora sabem iluminar toda a escuridão, reacendem por todo o lado a esperança. O seu olhar, voltado para nós, diz: «Queridos filhos, coragem! Estou aqui Eu, a sua mãe».”

Segundo o Pontífice, “este olhar materno, que infunde confiança, ajuda a crescer na fé. A fé é um vínculo com Deus que envolve a pessoa inteira, mas, para ser guardado, precisa da Mãe de Deus. O seu olhar materno ajuda a vermo-nos como filhos amados no povo fiel de Deus e a amarmo-nos entre nós, independentemente dos limites e opções de cada um.”

“Nossa Senhora nos enraíza na Igreja, onde a unidade conta mais que a diversidade, e nos exorta a cuidarmos uns dos outros. O olhar de Maria lembra que, para a fé, é essencial a ternura, que impede a apatia. Quando há lugar na fé para a Mãe de Deus, nunca se perde o centro: o Senhor. Com efeito, Maria nunca aponta para Si mesma, mas para Jesus e os irmãos, porque Maria é mãe.”

“Olhar da Mãe, olhar das mães. Um mundo que olha para o futuro, privado de olhar materno, é míope. Aumentará talvez os lucros, mas jamais será capaz de ver, nos homens, filhos. Haverá ganhos, mas não serão para todos. Habitaremos na mesma casa, mas não como irmãos. A família humana fundamenta-se nas mães. Um mundo, onde a ternura materna acaba desclassificada a mero sentimento, poderá ser rico de coisas, mas não rico de amanhã. Mãe de Deus, ensina-nos o seu olhar sobre a vida e volte o seu olhar para nós, para as nossas misérias.” “Esses vossos olhos misericordiosos a nós volvei”, disse o Papa, citando um trecho da oração da Salve Rainha.

Deixemo-nos abraçar

“Deixemo-nos abraçar”, sublinhou ainda Francisco. “Depois do olhar, entra em cena o coração, no qual Maria, diz o Evangelho de hoje , «conservava todas estas coisas, meditando-as» (Lc 2, 19). Por outras palavras, Nossa Senhora tinha tudo no coração, abraçava tudo, eventos favoráveis e contrários. E tudo meditava, isto é, levava a Deus. Eis o seu segredo. Da mesma forma, tem no coração a vida de cada um de nós: deseja abraçar todas as nossas situações e apresentá-las a Deus.”

“Na vida fragmentada de hoje, onde nos arriscamos a perder o fio à meada, é essencial o abraço da Mãe. Há tanta dispersão e solidão por aí! O mundo está todo conectado, mas parece cada vez mais desunido. Precisamos nos confiar à Mãe. Na Sagrada Escritura, Ela abraça muitas situações concretas e está presente onde há necessidade: vai encontrar a prima Isabel, socorre os esposos de Caná, encoraja os discípulos no Cenáculo... Maria é remédio para a solidão e a desagregação. É a Mãe da consolação, a Mãe que “consola”: está com quem se sente só. Ela sabe que, para consolar, não bastam as palavras; é necessária a presença. E Maria está presente como mãe. Permitamos-lhe que abrace a nossa vida. Na Salve Rainha, chamamos Maria de «vida nossa»: parece exagerado, porque a vida é Cristo (cf. Jo 14, 6), mas Maria está tão unida a Ele e tão perto de nós que não há nada melhor do que colocar a vida em suas mãos e reconhecê-la «vida, doçura e esperança nossa».

Deixemo-nos tomar pela mão

Por fim, “deixemo-nos tomar pela mão”, disse o Papa. “As mães tomam pela mão os filhos e os introduz amorosamente na vida. Mas hoje, quantos filhos, seguindo por conta própria, perdem a direção, creem-se fortes e extraviam-se, livres e tornam-se escravos! Quantos, esquecidos do carinho materno, vivem zangados e indiferentes a tudo! Quantos, infelizmente, reagem a tudo e a todos com veneno e maldade! Mostrar-se maus, às vezes, até parece um sinal de força; mas é só fraqueza! Precisamos aprender com as mães que o heroísmo está em doar-se, a força em ter piedade, e a sabedoria na mansidão.”

“Deus não prescindiu da Mãe: por esta razão nós precisamos dela”. Ele nos doou a sua Mãe “e não num momento qualquer, mas quando estava pregado na cruz: «Eis a tua mãe» (Jo 19, 27), disse Ele ao discípulo, a cada discípulo. Nossa Senhora não é opcional: deve ser acolhida na vida. É a Rainha da paz, que vence o mal e guia pelos caminhos do bem, que devolve a unidade entre os filhos, que educa para a compaixão.”

Francisco concluiu, pedindo a Maria para que nos tome pela mão, nos ajude a superar “as curvas mais fechadas da história”, a “descobrir os laços que nos unem”, a nos reunir “sob o seu manto,  na ternura do amor verdadeiro, onde se reconstitui a família humana”.

domingo, 2 de dezembro de 2018

O Papa acendeu hoje a primeira vela do Advento unindo as crianças Sírias vítimas de uma guerra que já dura 8 anos e a todos os fiéis que acendem velas!

Papa adere à campanha pela Síria e acende a primeira vela do Advento na Praça S. Pedro.
Veja a triste realidade das crianças da Síria às quais o Papa se refere.



A campanha natalina de oração, ajuda e solidariedade ao país martirizado por 8 anos de guerra, é intitulada “Velas pela Paz na Síria”.

Após rezar a oração mariana do Angelus com o povo de Deus na Praça São Pedro, o Papa Francisco anunciou sua adesão à campanha natalina de oração,  “Velas pela Paz na Síria”. Vejam o que ele disse sobre esta situação:

"O Advento é tempo de esperança e nesse momento eu gostaria de fazer minha a esperança de Paz das crianças da amada e martirizada Síria. Castigada por uma guerra que já dura 8 anos. Por isso aderindo a iniciativa de ajuda a Igreja que sofre, eu vou acender agora um vela unindo me a tantas crianças Sírias e tantos fiéis no mundo em que neste momento acendem também as suas velas.Essa chama de esperança, dispersem as trevas da guerra. Rezemos e ajudemos os cristãos a permanecerem na Síria e no Oriente Médio . Como testemunha de misericórdia de perdão e de reconciliação. Que essa chama de esperança, chegue também a todos aqueles que sofrem com conflitos e tensões em várias partes do mundo, próximas e distantes. Que a oração da igreja os ajude a sentir a proximidade de Deus fiel e toque todas as consciências por um compromisso sincero em favor da Paz. Que Deus nosso senhor, perdoe aqueles que fazem a guerra, aqueles que produzem armas, para destruir-se e converta os seus corações. Rezemos pela Paz na amada Síria". 

No Advento não vivemos apenas a espera do Natal, somos também convidados a despertar a expectativa do retorno glorioso de Cristo, preparando para um encontro final com ele, com escolhas coerentes e corajosas. Palavras do Papa hoje na abertura do advento.



No encontro dominical com os fiéis, o Papa Francisco indicou estas atitudes citadas acima, recomendadas por Jesus como o caminho, neste início de Advento, para “sairmos de um modo de vida resignado e habitual e alimentar esperanças e sonhos para um novo futuro, com a vinda de Deus”.


O Evangelho deste domingo nos adverte contra a opressão de um estilo de vida egocêntrico e dos ritmos convulsivos de nosso cotidiano 

“O Advento nos convida a um compromisso de vigilância, a olhar para fora de nós mesmos, ampliando nossa mente e nosso coração para nos abrirmos às necessidades de nossos irmãos e ao desejo de um novo mundo. É o desejo de tantos povos martirizados pela fome, pela injustiça e pela guerra; é o desejo dos pobres, dos mais frágeis e abandonados", frisou o Papa.

“ Este tempo é apropriado para abrir nossos corações, para nos questionarmos concretamente sobre como e para quem dedicamos nossas vidas ”
A segunda atitude para viver bem o tempo da espera pelo Senhor é a oração: trata-se de levantar e rezar, voltando nossos pensamentos e nossos corações para Jesus que está para vir.

Mas qual é o horizonte da nossa espera em oração?


Como o profeta Jeremias, que fala ao povo severamente sofrido pelo exílio e que teme perder sua identidade, nós cristãos também corremos o risco de nos mundanizar e até mesmo "paganizar" o estilo cristão. Por isso, precisamos da Palavra de Deus.




“Que a Virgem Maria, mulher da espera e da oração, nos ajude a fortalecer nossa esperança nas promessas de seu Filho Jesus, para nos fazer sentir que, através das aflições da história, Deus permanece fiel e utiliza também os erros humanos para nos demonstrar sua misericórdia”.

quinta-feira, 8 de novembro de 2018

Um verdadeiro encanto este grafite e muito procedente a JORNADA MUNIDAL DOS POBRES : um apelo da Igreja Católica!


Gostei demais do grafite que se tornou a identidade visual desta II Jornada Mundial dos Pobres. Foi criada pelo coletivo Família Hip Hop de Santa Maria (DF).  Viram  que é formidável, lindo,  expressivo e afetivo esta arte ! Esta criação aborda esta problemática social que milhões de pessoas vivem no Brasil e no mundo.
Com uma chamada baseada no Salmo 34: “Este pobre grita e o Senhor o escuta” (Sl 34,7), a Cáritas convoca  todas as pessoas para a realização da Semana da Solidariedade - Jornada Mundial dos Pobres.  O apelo é para que nos dias 11 a 18 de novembro, realize nas Igrejas, co-munidades, pastorais, ruas e locais de vivência das pessoas empobrecidas, gestos concretos de solidariedade e acolhida com as pessoas em situação de vulnerabilidades extremas. A chamada é para que se expresse a capacidade de viver a experiência de ser uma comunidade: solidária, acolhedora, amorosa e cuidadora da Criação, na  Semana da Solidariedade - Jornada Mundial dos Pobres!
O tema foi escolhido pelo Papa Francisco para a II Jornada Mundial dos Pobres (JMP) e traz a inspiração do Salmo 34: “Este pobre grita e o Senhor o escuta” (Sl 34,7). Na mensagem divulgada para mobilizar a jornada, o Papa Francisco diz: 

“As palavras do salmista tornam-se também as nossas no momento em que somos chamados a encontrar-nos com as diversas condições de sofrimento e marginalização em que vivem tantos irmãos e irmãs nossos que estamos habituados a designar com o termo genérico de ‘pobres”.

A Cáritas Brasileira, é um dos organismos da CNBB e está responsável pelo evento religioso.

Atividade Mobilizadoras sugeridas pela Cáritas:
1. gincanas para arrecadação de alimentos e roupas; 
2. celebrações da Palavra e Eucarísticas; 
3. estudo da mensagem do Papa Francisco e rodas de diálogos; 
4. círculos bíblicos; manifestações públicas para chamar atenção do poder público local sobre alguma situação de negação de direitos aos empobrecidos; 
5. campanhas de cidadania com atendimentos sociais;
6. atividades lúdicas e esportivas; 
7. audiências públicas; 
8. atividades em espaços de medida socioeducativa, asilos, orfanatos, presídios, com o povo da rua.
9. partilha fraterna das refeições (café da manhã, almoço ou jantar) com as pessoas em situação de rua ou vulnerabilidade social, especialmente no Dia Mundial dos Pobres, celebrado no dia 18 de novembro.

Subsídio  para mobilizar encontros e celebrações pode ser acessado no link a seguir: