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sábado, 3 de outubro de 2026

Você reconheceria a mentira vestida de verdade?



A verdade, a Mentira, um poço e uma escolha.

C

onta-se nesta parábola muito conhecida, frequentemente citada como de origem judaica, que vamos começar nosso texto hoje, ela ilustra de forma muito poética a relação entre a Verdade e a Mentira no mundo. A versão mais comum se desenrola desta forma:

A Parábola da verdade e da mentira

Em um dia de sol, a Mentira e a Verdade se encontraram. A mentira, com sua habitual astúcia, cumprimentou a Verdade e a convidou para um banho em um poço ou fonte próxima, dizendo: “A água está maravilhosa, vamos tomar um banho juntas!”

A verdade, sendo cautelosa, testou a água e, ao constatar que estava realmente agradável, aceitou o convite. Ambas se despiram e entraram na água.

No entanto, a mentira, aproveitando um momento de distração da Verdade, saiu rapidamente do poço. Ela pegou as vestes da Verdade, vestiu-se e fugiu, desaparecendo no horizonte.

A Verdade, ao sair da água e perceber o que havia acontecido, recusou-se a vestir as roupas da Mentira, por serem falsas e inadequadas a sua natureza. Preferiu ficar nua e exposta.

Reza a lenda, que desde então, a Mentira viaja pelo mundo vestida com roupas da verdade, parecendo autêntica e sendo facilmente aceita pelas pessoas. Já a Verdade, nua e crua, é frequentemente rejeitada, pois sua aparência sem adornos é vista como chocante, feia ou inaceitável.

Quantas vezes nós preferimos, mentiras enfeitadas, bem embrulhadas, doces e fáceis de se engolir, ou pelo menos fingimos que são, muitas vezes em troca de um conforto aparente, ou apenas para não ter que abrir a porta para verdade, nua e crua e ter que admitir que depois de anos de negação, estamos errados.

Seria muito desconfortável, é muito desconfortável, rejeitar antigas crenças, vieses e modos de pensar, apenas para estar aparentemente do lado de uma mentira confortável, ou para fazer parte do meio que você vive.

O conceito de verdade na História da humanidade

O conceito de verdade é um dos pilares mais importantes do pensamento humano, evoluindo e mudando drasticamente no decorrer da História, em resposta a mudanças sociais, culturais e filosóficas. A busca pela verdade não é apenas uma questão de conhecimento ou saber, mas também de poder, moralidade, existência e bem comum, refletindo os anseios fundamentais de cada época.

A verdade na antiguidade clássica

Na Grécia antiga, a verdade era concebida de duas maneiras distintas, que influenciaram profundamente o pensamento ocidental. O termo grego Aletheia (ἀλήθεια) significava literalmente “o não-oculto” ou “desvelamento”, sugerindo que a verdade era algo que precisava ser revelado, tirado do esquecimento.

Platão (c. 428–348 a.C.) situou a verdade no Mundo das Ideias (ou Formas), um domínio inteligível e eterno, acessível apenas pela razão. Para ele, o mundo sensível é apenas uma cópia imperfeita, e a verdade reside na perfeição imutável das Ideias.

Aristóteles (384–322 a.C.) estabeleceu a formulação da Teoria da correspondência, que se alinha o termo latino Veritas (Exatidão).

Penso eu que a Verdade e essa que desnuda, não-oculta, que muitas vezes incomoda ao ser revelada.

A verdade na idade média e a síntese teocêntrica

Com a chegada do cristianismo, o conceito de verdade passou a estar ligado e identificado com Deus. Santo Agostinho (354–430) defendia que a verdade era alcançada pela iluminação divina da fé e na palavra de Deus. Já São Tomás de Aquino (1225-1274) buscou unir a razão aristotélica com a fé cristã.

A revolução da Filosofia moderna

O teocentrismo fez uma transição para o antropocentrismo na Idade moderna, colocando a razão humana no centro da busca pela verdade. Logo depois o racionalismo, liderado por René Descartes (1596-1630), propôs a dúvida metódica como caminho para a verdade. “Penso, logo existo” (ergo sum). A razão pura é a fonte primária do conhecimento verdadeiro.

Não se pode negar a importância da busca da verdade, afinal esses e outros pensadores, se debruçaram arduamente para acha-la de fato

A Crítica contemporânea a verdade

A partir do século XX, o conceito de verdade absoluta foi intensamente questionado, especialmente por pensadores que exploram a relação entre verdade, poder e linguagem.

Será que nós vendemos, será que perdemos a noção do que realmente e o correto, ou cada um faz a sua própria versão do que é verdade de acordo com suas convicções ou imparcialidades, mesmo se isso o leva a apoiar, pessoas desonestas, atos injustos ou apenas por naquele momento ser prazeroso de algum modo mesmo em detrimento de alguém, mesmo que você tenha como convidada a mentira bem vestida e “agradável” para ceia com você.

Assim como o Padre Antônio Vieira disse “A verdade é filha legítima da Justiça“

Precisamos acolher a Verdade mesmo que desnuda e lhe dar abrigo, pois uma sociedade sem Verdade esta fadada a ser imparcial e injusta, ligada a muitos interesses que oscilam conforme a balança do poder muda de mãos. Penso que para uma sociedade mais justa e igualitária temos que usar a verdade para tirar o véu da ignorância e lutar pelo que é certo, sem partidarismos, sem vieses, sem falsas interpretações do que e correto. Mas para o desenvolvimento de uma sociedade que não se esconde com vestes que não são suas, mas encara a sua própria nudez, enxergando como ela realmente é.

A verdade A mentira, um poço e uma escolha, que possamos então fazer a escolha correta.

sábado, 26 de setembro de 2026

É primavera… e ainda podemos florescer

É primavera… e ainda podemos florescer

Por Deodato Gomes Costa

Escrevi esta reflexão em setembro de 2018, quando a primavera chegava e o Brasil se preparava para votar. Oito anos depois, a estação voltou, outra eleição se aproxima, e me vejo diante da mesma pergunta: como fazer nascer alguma coisa boa em uma terra que tantas vezes parece cansada?

Nesta manhã, voltei a ouvir A Primavera, de Vivaldi. Sempre me impressiona a maneira como a música parece dar movimento à paisagem. Ouço os pássaros, imagino a água correndo, quase sinto a brisa entre as folhas. Há também uma tempestade. Ela passa, e a música continua. Talvez seja por isso que gosto tanto dessa obra: ela me lembra que a beleza da primavera não depende de dias sempre serenos.

No jardim de uma escola, li certa vez uma frase atribuída a Cecília Meireles: “Aprendi com as primaveras a deixar-me cortar e a voltar sempre inteira.” Guardei essas palavras. Quem cuida de um jardim sabe que a poda pode causar tristeza. Durante algum tempo, o galho cortado parece apenas uma perda. Depois, aos poucos, surgem brotos onde não esperávamos mais nada.

Penso nas podas que a vida nos impõe. Há despedidas que não escolhemos, mudanças que nos assustam e decepções que nos deixam sem vontade de recomeçar. Nem sempre voltamos inteiros no sentido de voltar iguais. Às vezes, voltar inteiro é reconhecer a ferida, receber cuidado e encontrar forças para seguir vivendo com ternura.

Também penso no Brasil. Olho para as famílias que fazem contas antes de ir ao mercado, para os jovens que estudam e procuram uma oportunidade, para os professores que chegam à escola carregando as próprias preocupações e, ainda assim, acolhem as de seus alunos. É por essas pessoas, por suas vidas concretas, que desejo uma primavera para o nosso país. Uma primavera que se perceba no prato de comida, na sala de aula, no atendimento de saúde, na segurança de voltar para casa e na possibilidade de fazer planos.

Em poucos dias, iremos votar novamente. O voto, por si só, não faz florescer um jardim. É preciso acompanhar quem foi eleito, cobrar responsabilidade, cuidar do que é público e participar da vida da nossa comunidade. Mas o voto é um gesto precioso: nele, cada pessoa pode olhar para além do próprio quintal e pensar no chão que todos nós dividimos.

Gostaria que atravessássemos este tempo eleitoral sem perder a capacidade de escutar. Podemos discordar com firmeza e continuar reconhecendo a humanidade uns dos outros. Nenhuma ideia sobre o futuro do Brasil deveria nos tornar indiferentes à dor de quem está ao nosso lado. Se queremos um país mais justo, precisamos cultivar também o respeito nas conversas de casa, no trabalho, na escola e nas ruas.

Quando Vivaldi chega aos últimos acordes, tenho vontade de ouvir tudo outra vez. A primavera faz algo parecido conosco: retorna e nos oferece uma nova ocasião para prestar atenção. Há uma flor pequena no caminho, alguém precisando de companhia, uma criança esperando que a gente acredite nela. Há muito a fazer, e ainda há beleza suficiente para nos dar coragem.

Que esta primavera nos encontre dispostos a cuidar. Que saibamos retirar de nós o que sufoca a vida e preservar o que nos torna humanos. E que, ao escolhermos os caminhos do Brasil, não esqueçamos das pessoas que caminharão por eles conosco.

É primavera… e eu ainda acredito que podemos florescer.

domingo, 6 de setembro de 2026

A verdade e a mentira!

A verdade e a mentira

Dom Wilson Tadeu-Dom Wilson Tadeu Jönck-Arcebispo de Florianópolis (SC)

Conta uma parábola de origem judaica que a Mentira e a Verdade, em um dia de sol, saíram a caminhar no campo. E resolveram banhar-se nas águas de um rio que se apresentava muito convidativo. Cada uma tirou a sua roupa e caíram na água. Mas, a um dado momento a Mentira aproveitou-se da distração da Verdade, saiu da água e vestiu as roupas da Verdade. Quando esta saiu da água, negou-se a usar as vestes da Mentira. Saiu nua a perseguir a Mentira. As pessoas que as viam passar acolhiam a Mentira com as vestes da Verdade, mas proferiam impropérios e condenações contra a atitude despudorada da Verdade. Moral: as pessoas estão mais dispostas a aprovar a Mentira com vestes de Verdade do que enfrentar a Verdade nua e crua.

A parábola apresenta uma realidade da comunidade dos seres humanos. Aquilo que mostram nem sempre corresponde à verdade. Mais, as pessoas na sociedade atual consomem tempo e dinheiro para construir vestes vistosas que possam ocultar a realidade da vida. Torna-se uma segunda natureza, artigo que não pode faltar no dia a dia. Há uma indústria de cosméticos, de vestuário, de perfumaria que assumem o nível de primeira necessidade na vida do ser humano. E tantas vezes eles existem para esconder imperfeições ou aspectos menos aceitáveis da própria pessoa.

Outra característica da sociedade hodierna é a exposição da imagem. Os meios de comunicação são especializados em produzir aparências. Aquelas imagens que aparecem na TV são produzidas para provocarem impacto. Quando as pessoas mostram admiração pela imagem apresentada por nós, reagimos como se a imagem fosse o eu verdadeiro. Na sociedade atual somos educados a esconder a verdade que somos nós. Já dizia Fernando Pessoa “o poeta é um fingidor, finge tão completamente que chega a fingir que dor, a dor que deveras sente”.

É da natureza humana o querer apresentar uma imagem de si, melhor do que a realidade. Podemos afirmar de nós mesmos que não somos tão bons, tão justos, tão generosos, tão honestos como fazemos acreditar. Dar-se conta disto é o caminho para se chegar à verdade de si mesmo. Diz o Evangelho: “a verdade liberta”. O mundo da aparência traz consigo o peso da escravidão. Um exemplo: Quando o casamento é realizado sobre aparências que encobrem a verdade, acaba se tornando insustentável. Descobrir a verdade sobre nós mesmos, sobre a realidade que nos cerca, é o caminho de libertação.

Para terminar, uma frase atribuída a Bismark: “Nunca se mente tanto como antes das eleições, durante a guerra, e depois de uma caçada”.

quinta-feira, 7 de maio de 2026

A Era da Integridade: por que o seu sucesso das pessoas hoje depende de quem ela é por dentro.

A lógica e a intuição se complementam, criando um caminho mais íntegro e compassivo. R. Grant, nos convida a refletir sobre a importância de cultivar ambos os aspectos da nossa natureza humana. Na "Era da Integridade", somos chamados a agir com base em valores e princípios, integrando nossa sabedoria interior com nossas ações no mundo.

A Era da Integridade: Por que o seu sucesso hoje depende de quem você é por dentro.

Ontem, 06-05-2026, no evento Inova em Belo Horizonte, tive o privilégio de assistir à palestra de Luiz Fernando Lucas, autor do livro "A Era da Integridade: Homo Conscious". Se eu pudesse resumir o meu sentimento ao assistir aquela palestra em uma frase, seria: um despertar.

Vivemos no ápice da Era do Conhecimento. Temos dados, tecnologia e Inteligência Artificial para tudo. Mas, paradoxalmente, nunca estivemos tão ansiosos e desconectados. O diagnóstico de Luiz Fernando é claro: estamos em transição para a Era da Integridade.

Abaixo, separei os 3 "insights" que vão mudar a forma como você encara sua carreira e sua vida pessoal:

1. A forma segue a consciência

Muitas vezes tentamos mudar nossos resultados mudando apenas nossas estratégias (a "forma"). Mas, como pontuado na palestra através da Teoria U de Otto Scharmer, o resultado de uma intervenção depende do estado interior do interventor. Se a sua liderança ou o seu projeto não está "dando certo", a resposta pode não estar em um novo software ou planilha, mas na qualidade da consciência que você está aplicando ali. A mudança real é de dentro para fora.

2. O dilema da IA: Uma questão de valores

A imagem de um braço humano tocando um braço robótico no telão trouxe a reflexão definitiva: a Inteligência Artificial é uma questão ética. No "Novo Mundo", a tecnologia fará o trabalho pesado, mas a "curadoria" do que é certo ou errado cabe ao ser humano íntegro.

“Fazer o certo é o único jeito de dar certo.” Essa frase de Luiz Fernando desmistifica a ideia de que a ética é um "obstáculo" ao lucro ou ao crescimento. Pelo contrário: na Era da Integridade, ela é o maior ativo competitivo.

3. Do Homo Sapiens ao Homo Conscious

A jornada para se tornar um "Homo Conscious" passa pela integração entre cérebro e coração. Não se trata mais apenas de saber (conhecimento), mas de sentir e agir com coerência.

Na famosa Escala de Valores à Ética apresentada, ficou claro que a Moral é cultural e pode mudar, mas a Ética é o alicerce que nos permite liderar, inovar e prosperar sem perder a paz espiritual.

Conclusão: E você, como está aí dentro?

Essa foi a pergunta que encerrou a palestra e que deixo para vocês hoje. O "barco para a ilha dos prazeres imediatos" está furado. O mundo está pedindo por pessoas inteiras, autênticas e, acima de tudo, íntegras.

Você está pronto para essa evolução?

Gostou desse conteúdo? Deixe seu comentário abaixo sobre como você busca manter a integridade na sua rotina profissional!

quinta-feira, 9 de abril de 2026

🌍 A Terra vista de longe, sentida de perto!

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Há momentos em que a humanidade precisa se afastar de si mesma para, enfim, se compreender.

Foi assim quando os astronautas da missão Artemis II olharam para a Terra e não viram fronteiras, disputas ou diferenças. Viram apenas um ponto azul — frágil, silencioso, suspenso na imensidão do universo.

Um ponto vivo.

O astronauta Jeremy Hansen disse que a Terra parece frágil. E essa palavra carrega uma verdade profunda. Fragilidade não é fraqueza — é convite ao cuidado.

Curiosamente, essa mesma percepção ecoa nas palavras do Papa Francisco em sua encíclica Laudato Si’. Nela, o Papa nos lembra que a Terra não é um recurso a ser explorado, mas uma casa comum a ser cuidada. Uma casa que geme, que sofre, que pede atenção.

E há algo profundamente belo nisso: dois olhares distintos — um vindo da ciência, outro da fé — convergem para a mesma verdade essencial.

Do espaço, os astronautas veem a Terra como um milagre improvável.

Da Terra, o Papa nos convida a enxergá-la como um dom sagrado.

Mas talvez o mais impactante não seja o que se vê, e sim o que se sente.

Lá de cima, dizem os astronautas, não faz sentido destruir. Não faz sentido competir por aquilo que é tão pequeno diante do infinito. Faz sentido cooperar. Apoiar. Construir juntos.

E aqui embaixo, quantas vezes esquecemos disso?

A Terra, vista de longe, não revela cidades ricas ou pobres. Não distingue religiões, ideologias ou nações. Ela revela apenas humanidade.

Uma única humanidade.

Talvez seja esse o maior ensinamento da missão Artemis II: não se trata apenas de ir mais longe no espaço, mas de voltar mais conscientes para casa.

Porque, no fim, o verdadeiro avanço não está na tecnologia que nos leva ao céu, mas na consciência que nos faz cuidar da Terra.

E então, diante dessa pequena esfera azul, tão bela e tão vulnerável, resta uma pergunta simples — e urgente:

Se somos privilegiados por viver aqui… por que ainda não aprendemos a cuidar? 🌱

segunda-feira, 19 de janeiro de 2026

Quando nós mudamos, a Escola muda, e com ela o futuro!


Reflexão para o início do Ano Letivo de 2026

Tema: “Mudança”

Iniciamos o ano letivo de 2026 conscientes de que todo recomeço carrega mais do que datas, horários e planejamentos: carrega pessoas, histórias e disposições interiores. Por isso, escolhemos como tema deste ano a canção Mudança, não apenas para ser cantada, mas para ser vivida em nossos corredores, salas de aula, cozinhas, secretarias e pátios. Ela nos lembra, logo de início, que a transformação começa de dentro, quando “eu acordei com uma vontade de cuidar de mim”.

No ambiente escolar, essa mensagem ganha força especial. Professores, diretores, supervisores, cantineiras e servidores da secretaria: todos nós somos educadores, cada um a seu modo, cada um essencial no processo formativo. Quando arrumamos nossas “gavetas internas” e colocamos “tinta na caneta do coração”, tornamo-nos mais atentos, mais humanos e mais disponíveis para aqueles que são a razão maior da nossa profissão: os estudantes.

A escola muda quando nós mudamos. Quando o professor se permite aprender, o diretor escuta com sensibilidade, o supervisor orienta com respeito, a cantineira acolhe com carinho e a secretaria atende com cuidado. Pequenas atitudes geram grandes movimentos, porque, como diz a canção, “quando eu mudo, o mundo muda”. Um gesto puxa o outro, e o coletivo se balança.

Que este ano nos convide a animar “essa pessoa que mora em mim”, a reencontrar o sentido do que fazemos diariamente e a lembrar que educar é, antes de tudo, um ato de esperança. Se “o que não muda nesse mundo é somente a mudança”, que escolhamos mudar para melhor, juntos, colocando o aluno no centro, a humanidade no caminho e a esperança como horizonte.

Após esta reflexão, cantemos. Que a canção nos una e nos acompanhe durante todo o ano letivo, como lembrete permanente de que, quando nós mudamos, a escola muda — e, com ela, o futuro que construímos todos os dias.

domingo, 18 de janeiro de 2026

Pedagogia que sustenta Sonhos: quando Educar é carregar corações!


Uso essa camiseta com orgulho, nela está escrito: "Um Pedagogo com certeza", porque ela traduz, em imagem simples e delicada, aquilo que carrego como sentido de vida e de profissão.

A estampa mostra um pequeno personagem segurando um livro, suspenso por vários corações em forma de balões. Não são corações aleatórios. Cada um deles representa uma vida tocada, um afeto construído, uma esperança cultivada. O pedagogo não carrega pesos: ele sustenta sonhos. E é exatamente o amor pela educação que o mantém em movimento, mesmo quando o chão parece distante.

O pedagogo trabalha para transformar vidas. Transforma quando acolhe, quando orienta, quando escuta com atenção e intervém com responsabilidade. É aquele profissional que acredita no humano antes de qualquer estatística. Por isso, ouso dizer que o pedagogo colabora com Deus na criação do ser humano: não no sentido biológico, mas na formação ética, intelectual e emocional de cada criança, jovem ou adulto que passa pela escola.

Na escola, o pedagogo é um profissional versátil e essencial. Sua atuação vai além da sala de aula. Embora possa atuar na docência na Educação Infantil e nos Anos Iniciais, seu papel na gestão escolar envolve coordenação, supervisão e orientação educacional. A LDB e a Resolução CNE/CP nº 1/2006 reconhecem esse profissional como responsável pelo planejamento, pela organização e pela avaliação dos processos educativos.

Como afirma Libâneo, a função central do pedagogo é prestar assistência pedagógico-didática aos professores. Não é um “superprofessor”, mas alguém que compreende profundamente o processo educativo e ajuda a melhorar o ensino. Atua no planejamento do PPP, na organização curricular, na formação continuada, na avaliação e na gestão democrática da escola.

O pedagogo não é burocrata, nem substituto ocasional. É presença, mediação e compromisso. É, como diz a estampa da camiseta, alguém que carrega corações — e, com eles, faz a educação voar.

quinta-feira, 15 de janeiro de 2026

O Ano Letivo só melhora se nos melhorarmos!

Professores e Professoras,

No início de mais um ano letivo, a tirinha da Mafalda nos provoca com uma verdade simples e profunda: todos esperam que o ano seja melhor, mas talvez o maior desafio seja que nós, pessoas, sejamos melhores. A educação começa exatamente nesse ponto. A escola não é apenas atravessada pelo tempo do calendário, mas pelo tempo humano, feito de escolhas, atitudes e compromissos cotidianos.

Cada início de ano traz expectativas, metas e planos. Porém, mais do que conteúdos, projetos ou avaliações, somos chamados a renovar o sentido da nossa prática. Ser melhor, aqui, não significa ser perfeito, mas ser mais atento, mais disponível, mais sensível às histórias que chegam à sala de aula. Significa olhar cada estudante como possibilidade, não como limite.

O professor é aquele que inaugura caminhos. Mesmo em cenários desafiadores, é sua postura ética, seu cuidado com a palavra e sua crença no aprendizado que transformam o ano em experiência significativa. Quando um educador se permite crescer, refletir e aprender, ele autoriza seus alunos a fazerem o mesmo.

Que este ano letivo seja melhor porque nós, educadores, decidimos ser melhores: no diálogo, na escuta, na esperança e no compromisso com uma educação que humaniza, acolhe e transforma.

sexta-feira, 12 de setembro de 2025

A grande arte de se reinventar com Leo Chaves na Expominas!

                    Acesse a fotos que fizemos do momento:https://photos.app.goo.gl/gVfzdp3Pg35e7A1n9

A Grande Arte de se Reinventar com Leo Chaves na Expominas!

Na tarde de terça-feira, 9 de setembro de 2025, às 16h30, a Expominas foi tomada por aplausos, euforia e emoção. Eu, Deodato, junto a Zaida, Guilherme, Edna Duarte, Istênia, Leudiana, Nalva, Léo, Renato, Saulo, Jardson, Verônica e Edson, tivemos o privilégio de participar da palestra “A Grande Arte de se Reinventar”, conduzida pelo cantor e palestrante Leo Chaves, da consagrada dupla Victor & Leo.

Fundador do Instituto Hortência, que atua no fortalecimento das competências socioemocionais nas escolas, Leo compartilhou histórias pessoais e reflexões que se transformaram em lições de vida. Com leveza e profundidade, apresentou as sete habilidades que podem mudar a trajetória de qualquer pessoa: Percepção, Aceitação, Direção, Perseverança, Conexão, Gestão e Marca.

Entre ensinamentos, Leo convidou o público a separar o que faz mal e abraçar o que traz felicidade, a buscar harmonia interior e enfrentar seus próprios monstros, deixando de lado as máscaras sociais para reencontrar-se com a melhor versão de si. Quem esteve lá guardará para sempre a metáfora do “descascar da laranja”, símbolo da criação de vínculos verdadeiros.

A palestra ganhou ainda mais intensidade quando Leo Chaves cantou sucessos, incluindo a emblemática “Deus e Eu no Sertão”, que arrebatou o público. Foi impossível não se emocionar com a voz que mistura afeto, simplicidade e espiritualidade.

Ao final, ficou a certeza: a reinvenção começa aqui e agora, e deve ser cultivada diariamente. Entre a beleza física que encantou muitas mulheres e a beleza interior expressa em suas palavras, Leo Chaves deixou em todos nós a semente da transformação.

"O que plantamos hoje é uma semente que florescerá amanhã e ajudará a transformar o mundo"

sábado, 23 de agosto de 2025

Quando o silêncio fala mais alto: Octavio Paz e o choque entre índios e europeus!

 

📖 Trecho de Octavio Paz – O Labirinto da Solidão

“Os índios não podiam responder ao mundo que os espanhóis lhes impunham porque não compartilhavam os seus símbolos nem a sua visão. Faltava-lhes esse recorte cultural que dava sentido às palavras do conquistador. A palavra europeia caía sobre eles como algo estranho, sem equivalente no seu universo. Daí o silêncio, a incomunicação, a derrota espiritual que acompanhou a militar.” (O Labirinto da Solidão, p. 101).


✨ Explicação didática

Octavio Paz nos mostra que, durante a Conquista, o choque entre espanhóis e povos indígenas não foi apenas militar, mas também cultural e simbólico. Os indígenas não tinham como compreender plenamente as palavras e os conceitos trazidos pelos europeus, porque pertenciam a mundos diferentes, com referências e significados distintos.

Essa ausência de uma linguagem comum gerou silêncio e incomunicação, como se cada lado falasse um idioma impossível de traduzir para o outro. A derrota, portanto, não aconteceu só no campo de batalha, mas também no espírito, já que os indígenas perderam a possibilidade de diálogo em pé de igualdade.

Esse ponto levantado por Paz nos ajuda a refletir sobre como a falta de reconhecimento do outro e de sua visão de mundo pode gerar exclusão, violência simbólica e apagamento cultural.

💭 Perguntas para refletir e comentar:

  1. Você já parou para pensar que, muitas vezes, a falta de diálogo entre culturas nasce porque não partilhamos os mesmos símbolos e referências?

  2. Como podemos, hoje, evitar esse “silêncio” entre diferentes grupos sociais, culturais ou linguísticos?

  3. O que o trecho de Octavio Paz nos ensina sobre a importância de valorizar e respeitar a cultura indígena no Brasil?

  4. Quando uma cultura tenta se impor sobre a outra, quem perde mais: quem domina ou quem é dominado?

  5. E se a conquista tivesse sido baseada no diálogo e no respeito mútuo, como poderia ter sido diferente a história da América?

domingo, 20 de julho de 2025

A Morte da Sabedoria e o Triunfo do Superficial: uma reflexão necessária para tempos apressados!

A Morte da Sabedoria e o Triunfo do Superficial: uma reflexão necessária para tempos apressados!

Vivemos um tempo de paradoxos. Estamos mais conectados do que nunca, mas também mais distraídos, mais ansiosos, mais sozinhos. A era digital nos deu o milagre da informação instantânea, mas também nos afogou em ruídos, pressas e superficialidades. Em vez de buscarmos sentido, mergulhamos em entretenimento. Em vez de refletirmos, performamos. Em vez de cultivarmos sabedoria, celebramos a distração.

O vídeo “Por que o Mundo Moderno Glorifica a Estupidez – A Morte da Sabedoria” oferece um diagnóstico corajoso desse cenário. Ele revela como a cultura do espetáculo, já prevista por Guy Debord¹, transformou a vida numa vitrine onde tudo é aparência, onde o valor do conteúdo importa menos do que a estética da entrega.

A glorificação do banal, dos conteúdos vazios e dos influenciadores que nada dizem, é um sintoma profundo: é a dor emocional de uma sociedade que perdeu suas âncoras simbólicas — a religião, a política ética, a ciência com propósito — e tenta se anestesiar com dopamina digital. A distração virou remédio; o vazio, refúgio.

Na educação pública, esse fenômeno nos atinge diretamente. Quando nossos estudantes consomem conteúdos fúteis e celebram valores invertidos, perdem, muitas vezes, a capacidade de pensar criticamente, de discernir o justo, de resistir à manipulação. E nós, educadores, precisamos fazer mais do que ensinar: precisamos despertar. Ensinar não apenas a ler palavras, mas a decifrar o mundo. Ensinar a desconfiar dos slogans fáceis, das promessas instantâneas e dos ídolos de plástico.

Pensar, hoje, é um ato político. Recusar o espetáculo e escolher a profundidade é um gesto de resistência. Recuperar o silêncio, o tempo lento da leitura, o desconforto do pensamento, é salvar nossa humanidade da diluição. Porque no fim das contas, como bem conclui o vídeo, “o que nos salva não é o que nos distrai, é o que nos transforma”.

A pergunta que deixo a você, leitor do meu blog: qual foi a última vez que algo realmente profundo te fez parar e pensar?


¹ Guy Debord (1931–1994) foi um filósofo, cineasta e teórico marxista francês, fundador da Internacional Situacionista. É autor da obra A Sociedade do Espetáculo (1967), em que critica a transformação das relações sociais em representações midiáticas e mercadológicas, analisando o papel da imagem e da alienação na sociedade capitalista moderna. Sua teoria influenciou profundamente os estudos culturais, filosóficos e políticos contemporâneos.

sábado, 3 de maio de 2025

A APOSTA DE ANTON TCHEKHOV!


A Ilusão da Espera: 15 anos para descobrir o vazio da vida!

📖 Baseado no conto “A Aposta”, de Anton Chekhov

Introdução:

Anton Chekhov, um dos maiores contistas da literatura russa, nos presenteia com uma reflexão brutal e filosófica sobre o sentido (ou a ausência dele) da vida moderna em seu conto “A Aposta”. Nele, um jovem advogado aceita viver 15 anos isolado para provar que a reclusão não destrói a mente humana. A aposta? Dois milhões de rublos.

Mas o que começa como um desafio de orgulho e ambição termina como uma denúncia existencial: nada do que valorizamos tem permanência ou plenitude.


I. A Aposta: um conto, uma crítica

Chekhov nos apresenta dois personagens centrais: o banqueiro e o jovem advogado. Um defende a pena de morte, o outro, a prisão perpétua. Para provar seu ponto de vista, o advogado aceita viver isolado por 15 anos. A promessa? Uma fortuna. Mas o que ele encontra não é riqueza — é desilusão.


II. O saber não salva

Durante o isolamento, o advogado mergulha nos livros, nas religiões, na filosofia e nas ciências. No entanto, quanto mais lê, mais percebe que o conhecimento não preenche o vazio da existência. Ele escreve:

“O saber humano é pó e vaidade. Estudei tudo, li os sábios, mas compreendi que tudo é vaidade.”


III. A vida como prisão disfarçada

Chekhov usa a cela do advogado como metáfora da vida moderna. Quantos de nós vivemos em cárceres invisíveis? Trabalhamos anos para alcançar segurança, sucesso, títulos — apenas para descobrir, tarde demais, que tudo era ilusão. Sacrificamos saúde por riqueza, juventude por status. E, no fim, o que resta?

“A vida é uma aposta onde a perda é garantida.”


IV. A verdadeira liberdade

No final, o advogado renuncia ao prêmio e escreve uma carta que é, ao mesmo tempo, confissão e libertação. Ele percebe que o verdadeiro triunfo não está em vencer, mas em desistir de jogar o jogo da ilusão. Renunciar ao dinheiro é romper com o sistema de falsas promessas.

“Desprezo vossos bens, vossa sabedoria e vossa glória. Renuncio aos dois milhões e a tudo o que chamam de vida.”


V. Reflexão final

Chekhov não oferece consolo. Ele nos obriga a olhar para o abismo do niilismo, onde o sentido não é dado, mas inventado — e nem sempre é suficiente. É um convite para romper com a anestesia social e assumir a lucidez como única forma honesta de viver.


Referência literária: 

PATACA, Abel. 15 anos para descobrir que nada faz sentido — A Aposta de Anton Chekhov. YouTube, 2 maio 2025. Vídeo (19min20s). Disponível em: https://www.youtube.com/@abelpatacaap. Acesso em: 3 maio 2025.


Acesse o conta-clique aqui:
🧠 Pergunta para refletir:
Quantos anos da sua vida você tem apostado em algo que talvez nunca venha?

📩 Compartilhe nos comentários o que mais te tocou nessa leitura.

sábado, 19 de abril de 2025

Um vaso quebrado!

Cada um de nós, quando consegue olhar com toda a verdade e sinceridade para dentro de si, se descobrirá um vaso quebrado. É um grande acontecimento quando conseguimos enxergar onde estão as rachaduras e nos dizemos: “Estou quebrado aqui, ali e acolá”. 

Do ponto de vista humano, parece que chegamos ao fim de um percurso de conhecimento de nós mesmos. E é verdade. Não podemos fazer mais nada além de olhar as rachaduras… Mas do ponto de vista do nosso relacionamento com Jesus, estamos começando um novo e fascinante percurso. Jesus veio exatamente para isso. A Bíblia fala que Jesus veio para nos dar a vida verdadeira, eterna; que em grego se diz zoè. 

Com Ele, e exatamente por meio de nossas rachaduras, começaremos um outro percurso de vida. Um percurso (parece impossível, mas é verdade) de reparação, de cura, de experiência de ser amado e de misericórdia. Jesus nunca se impõe, é delicado. O modo como Ele age é pleno de respeito pela nossa liberdade. Ele diz: “Se você quiser, eu o ajudo. Os meus braços divinos, fortes e potentes, carregarão esse vaso quebrado que você é, com delicadeza e amor. Eu consigo fazer um novo e lindo vaso”. Como dizia Isaías (64,7): Tu és nosso Pai, nós somos a argila e tu és o nosso oleiro, todos nós somos obras de tuas mãos. 

Qual é o caminho? Em primeiro lugar, é preciso reconhecer e dizer com a boca, por meio da Confissão, todas as rachaduras que vemos em nós. A Confissão nos entregará à graça. E, no estado de graça, estamos prontos, e, se quisermos, podemos nos entregar nos braços de Jesus e Ele nos ajudará. Ele não exigirá nada. Não pede que sejamos melhores do que conseguimos ser. Ele apenas quer que nos abandonemos. Na verdade, Ele deseja mais do que tudo (e nos suplica da cruz) que deixemos que Ele conserte nosso vaso quebrado, com sua misericórdia potente. Ele veio para ser Deus conosco: aquele que com força e amor vem para nos resgatar. Ele não tirará o que amamos e desejamos. Mas, fará, junto conosco, um percurso que nos ensinará a como amar verdadeiramente, e a não estragar nada, nem nossa vida, nem a dos outros, nem a natureza que Ele ama e criou, deslumbrado pela sua beleza… 

Em segundo lugar, é preciso que nos tornemos pessoas de oração. Que comecemos a rezar de verdade e sinceramente. Não rezar para mudar, pois só Ele sabe como será o nosso caminho, mas rezar para se abandonar verdadeiramente, em suas mãos poderosas. Um vaso quebrado não consegue se autoconsertar. 

Quem quer que sejamos, ou quaisquer sejam as nossas rachaduras, a oração, a Confissão e os sacramentos nos ajudarão a fazer o caminho para os braços de Jesus, que quer nos refazer com todo o amor. A oração privilegiada, a partir da experiência milenar da Igreja, e como descobriram os monges e monjas, é chamada Liturgia das Horas, a leitura e meditação dos salmos (usando, por exemplo, o aplicativo iLiturgia), e a leitura diária da Bíblia, chamada de Lectio Divina ou leitura orante da Bíblia (como auxílio, podemos aprender os passos da leitura orante da Bíblia por meio do livro Ler e Meditar a Bíblia, Uma Breve Introdução à Lectio Divina, de Dom Innocenzo Gargano, editora Benedictus). 

Aos poucos, e com delicadeza, nossa vida mudará. E Jesus, que é nosso grande amigo, nos conduzirá, como fez com Paulo, a pertencer a uma comunidade eclesial, e a viver na sua Igreja. Confiemos Nele! Ele vive para nós e não contra nós. 

🙏 Interaja com seu coração: vamos conversar?


    🏺 Você já reconheceu alguma rachadura na sua vida?

    ➡️ Se sim, como foi esse momento? O que mudou a partir disso?


    ✨ Você acredita que Deus pode restaurar um “vaso quebrado”?

    ➡️ O que te impede — ou te ajuda — a se entregar totalmente nas mãos do Oleiro?


    💬 Você já fez uma confissão que te trouxe verdadeira paz interior?

    ➡️ Como foi essa experiência? Que sentimento ficou depois?


    🕯️ Como tem sido sua vida de oração?

    ➡️ Você já tentou a leitura orante da Bíblia? Já ouviu falar da Liturgia das Horas?


    🛐 Você sente que pertence a uma comunidade que te sustenta na fé?

    ➡️ Que lugar a Igreja ocupa hoje na sua caminhada?


    🤲 O que mais te toca nesta frase: “Jesus não exige que sejamos melhores do que conseguimos ser, Ele só quer que nos abandonemos”?

    ➡️ Comente com 💔 se você se sente assim hoje. Ou com ✝️ se está disposto a confiar.


Texto: Um vaso quebrado – Ana Lydia Sawaya, publicado em 2 de abril de 2025 no site do jornal O São Paulo.
👉 Leia em: https://osaopaulo.org.br/colunas/um-vaso-quebrado/