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terça-feira, 21 de abril de 2020

A REINVENÇÃO DO PROFESSOR EM TEMPOS DE CORONAVÍRUS. Entenda que a pandemia está funcionando como um acelerador de mudanças e antecipador de novos cenários. Não acredita? Tendências que levariam meses, talvez anos, para acontecer, estão chegando sob pressão

        Foto da Escola João Beraldo-2020-momento de formação entre os professores

A reinvenção do professor em tempos de coronavírus

Entenda que a pandemia está funcionando como um acelerador de mudanças e antecipador de novos cenários. Não acredita? Tendências que levariam meses, talvez anos, para acontecer, estão chegando sob pressão.



Querida professora, querido professor:

Cá está você, de novo, no meio de mais um tiroteio histórico, sem saber bem nem como e nem por quê. Ninguém lhe consultou sobre fechar escolas, promover aprendizados a distância, férias ou calendários escolares. Você e as crianças, os verdadeiros sujeitos da educação, sentem-se um tanto quanto desamparados e desorientados. E não é pra menos! Vivemos o tempo do “re”: repensar, refazer, ressignificar, reconstruir, remodelar. E agora venho eu para lhe complicar um pouco mais ainda: é hora de se REINVENTAR. E digo mais, é de fundamental importância.

Permita-me colaborar no seu processo de reinvenção com algumas ideias. Quem sabe lhe ajudem!

1. Se você quer reinventar o seu trabalho, você precisa SE reinventar. Parta sempre de si mesmo e não dos outros. O movimento é de dentro para fora e não o contrário.

2. Tenha consciência de que o século XX acabou de acabar, e desculpe a redundância. Se, como afirmou o historiador britânico Eric Hobsbawm, o século XIX só acabou após a Primeira Guerra Mundial (1914-1918), podemos afirmar que a pandemia da COVID-19 decreta, agora sim, o final do século XX. É a tal diferença entre o tempo cronológico e o tempo histórico. O século da tecnologia e dos avanços científicos termina, assim, de forma um tanto quanto melancólica.

3. Entenda que a pandemia está funcionando como um acelerador de mudanças e antecipador de novos cenários. Não acredita? Tendências que levariam meses, talvez anos, para acontecer, estão chegando sob pressão. Olhe ao redor: home office, tempo disponível em casa, relação familiar mais intensa, sustentabilidade e crise ambiental, educação a distância, transporte de massa, crise sanitária e uma nova ordem geopolítica mundial, são alguns dos assuntos que vêm se impondo. Já pensou nisso e nas suas implicações?

4. A partir dessa constatação, perceba que novos cenários já emergem e devem acabar se impondo no mundo pós-pandemia. A educação não está alheia a esse movimento. Mais ainda, é um segmento claramente sensível a essa mudança de cenários. A pergunta é: você está consciente disso e com espírito e ânimo de se preparar para esses novos cenários e seus desafios? Fique firme, pois a tarefa é ingente e revigoradora ao mesmo tempo.

5. Talvez, na sua volta ao trabalho, a instituição escolar na qual você exerce como professor não lhe pareça mais a mesma. Não importa quantos anos faz que você trabalha nela. Dificuldades econômicas, de gestão, de relação com as famílias, de credibilidade e outras, podem tê-la afetado. Talvez paire no ar uma certa angústia e desorientação diante dos novos cenários e rumos da educação. Preste atenção nisso e seja positivo e colaborador com ela. O momento é de comprometimento.

6. Prepare-se para receber estudantes que passaram por experiências marcantes, estressantes e diferenciadas. Tipo “geração coronials”. Não se apavore se chegam com outras perguntas, outros pressupostos, valores e formas de ver a vida. Assuma que a sua relação será, daqui pra frente e preferencialmente, professor-aluno mais do que professor-turma.

7. Não se esqueça das famílias dos estudantes. Com certeza, você terá famílias marcadas por experiências diversas. Algumas, fragilizadas por terem perdido entes queridos, o emprego ou o negócio, por relações familiares conturbadas, enfim. Outras, fortalecidas pelo convívio familiar sadio, pela recuperação da intimidade do lar, pelo aproveitamento do tempo e o crescimento comum e pessoal. Fique atento, é fundamental entender esse cenário e a possível influência nos estudantes.

8. É o seu propósito  que vai comandar a sua vida e o seu trabalho. Troque, aqui e agora, o objetivo pelo propósito. Saiba com clareza o que você quer, aonde você quer chegar e qual o caminho a ser percorrido. Isso lhe ajudará muito e, com certeza, passará firmeza e convicção aos seus educandos. Não esqueça, e prepare-se, da importância que você vai ter como mentor educacional presencial (ou virtual).

9. O planejamento passará a ser mais fundamental do que nunca. Tudo bem que brasileiro não liga muito para “por que” e “para que” e vai logo querendo saber “como”, mas, daqui para frente, o conteúdo e o planejamento vão comandar. Entenda, conteúdo não é conteudismo e sim cerne, fundamento da questão, o que importa. Metodologias ativas não vão funcionar em “currículo velho”. Lute para mudar isso, fique atento e prepare-se, pois tudo parece apontar para a preponderância do ensino híbrido, ao menos na educação básica.

10. Se você era, ou ainda é, resistente à tecnologia, entenda: não há volta. Aproveite e mergulhe, busque novos conhecimentos e mantenha-se em processo de contínuo aprendizado. Não queira ficar na idade da caneta, mas, também, não esqueça que você não é um Youtuber e sim um professor, um profissional da educação e tenha orgulho disso. Tecnologia e EAD vieram para ficar!

11. Trabalhe em equipe. Mova-se coletivamente, seja rápido, compartilhe o saber e as iniciativas e dê o melhor de si para os colegas.

12. Não seja excessivamente otimista, mas mantenha uma esperança ativa, que não o deixe cair na desespero, no ceticismo ou na falta de ilusão. Valores como resiliência, solidariedade empatia sairão fortalecidos e passarão a valer muito. Pratique-os sempre!
E no mais, coragem, saúde e paz. Apesar de tudo, são bons tempos! Reinvente-se!

Francisco Morales foi diretor-geral do Colégio Santo 
Agostinho-BH durante 20 anos. Atualmente, é diretor 
pedagógico do Grupo Educacional Vereda.