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quarta-feira, 21 de novembro de 2018

Vivemos a era da crítica antes de tudo. Com Leandro Karnal.

O mundo contemporâneo e democrático descobriu o caráter construtivo e bom para o desenvolvimento de uma opinião, que é a crítica. Criticar, estabelecer um ponto de divergência ou estabelecer uma análise, indicar a ausência de um ponto essencial num ponto de vista, criticar é muito bom. Mas nós vivemos hoje uma era onde a crítica se tornou tão forte,  que antes de exitir a apreciação de qualquer coisa, de qualquer postagem na internet, de qualquer filme, de qualquer prato apresentado, nós colocamos a crítica em primeiro lugar. A crítica é um passo importante da Democracia. Nós lutamos muito, para que nós pudéssemos ir a público e fazer críticas as idéias, aos nossos governantes, as pessoas na internet. Tudo isso é positivo. Mas está na hora de pensar o quanto da minha crítica traduz uma vontade de melhorar uma idéia,  de aprofundar uma reflexão, de estabelecer com clareza o que realmente deve ser dito, de pensar na melhoria de qualquer coisa e o quanto da crítica é afirmação da minha vontade. O quanto da crítica é apenas o desejo que eu tenho, de impor o meu orgulho, ou de dizer aquilo que eu sei, ou simplesmente atacar o que me incomoda. Muitas críticas que circulam hoje na internet, eu aprendo muito mais sobre a pessoa que está criticando, do que sobre a idéia criticada. Para cada dedo apontado para alguém, eu vejo com clareza três dedos apontados para mim. Pense antes de criticar. Estabeleça uma crítica clara, aprofunde esta crítica que deve ser a mais construtiva possível, e pense nos momentos que seria melhor não fazê-la se não houver nada significativo a ser dito. 

O DIA DA CONSCIÊNCIA NEGRA É UM DIA DE TODOS NÓS ● LEANDRO KARNAL

O mês de novembro é também o mês da Consciência Negra.  O dia 20 de novembro lembra a morte de Zumbi dos Palmares, líder de um dos maiores movimentos de resistência à escravidão. Palmares foi atacada por um bandeirante de São Paulo*, contratado pela elite açucareira do nordeste que via lá em Alagoas,  uma resistência tão grande e tão numerosa,  que podia colocar em risco todo o sistema escravista, sob o qual estava assentada a produção brasileira. Durante algum tempo, algumas pessoas quiseram lembrar como o dia da libertação dos negros, o dia 13 de maio de 1888, porque  a 13 de maio de  1888 Princesa Isabel, assinou num domingo a Lei Áurea, que abolia definitivamente a escravidão no Brasil. Essa memória da Princesa Isabel, muito reforçada antes, convive hoje com a memória que é de Zumbi dos Palmares, que foi o último grande líder dos quilombolas de Palmares. O último grande líder da resistência, que existia por todo o Brasil. Lembrando que em pleno Leblon no Rio de Janeiro, havia um quilombo. Aqui em São Paulo havia dezenas de Quilombos. Mas Palmares se torna um símbolo da resistência a:  tornar um ser humano coisa,  a tirar a força da sua comunidade na África, atravessar o oceano em condições desumanas, matá-lo no trabalho e pior de tudo, após todo esse processo de desumanização, transformá-lo numa memória que deva ser apagada, numa estética que deva ser negada e a negação da violência sob a qual nós baseamos a nossa história, que é a violência da escravidão. O dia de Zumbi, o dia da Consciência Negra é um dia de todos nós brasileiros para  que a gente continue refletindo  sobre a herança de termos sido um país escravista por 388 anos e um país racista por 516.
*Em 1694, o Quilombo dos Palmares foi destruído. Mesmo conhecendo muito bem as matas da região onde estava escondido, Zumbi foi capturado pelas forças de Domingos Jorge Velho e morto em 20 de novembro de 1695.