Bullying

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sexta-feira, 6 de dezembro de 2019

Durante a adolescência, a fé dos jovens se torna mais íntima. Eles passam de uma piedade infantil, ainda muito ligada ao comportamento dos pais, a uma fé adulta. A oração em família pode então assumir outra forma


A dificuldade da oração em família cresce conforme as crianças ficam mais velhas. A partir dos 12-13 anos, é comum que os filhos se sintam facilmente retraídos por essa abordagem. Eles gradualmente abandonam a oração em família, preferindo uma abordagem mais pessoal ou às vezes se recusam a rezar. Aqui estão algumas sugestões para incentivá-los a continuar rezando em família.

1. Reserve um horário à noite, um dia fixo na semana, para a leitura do Evangelho do domingo seguinte. Será uma preparação excelente e necessária para a missa. Este momento em família pode ser seguido de um tempinho de mediação ou de partilha e concluído com uma oração de ação de graças e intercessão.

2. Aproveite os momentos litúrgicos mais importantes como o Natal e a Páscoa para ter um tempo juntos de partilha, leitura da Palavra e oração.

3. Utilize momentos como as festas e aniversários de cada membro da família; as partidas, ausências e retornos um do outro; as escolhas decisivas; a morte de entes queridos, para meditar em família. Cada um deve estar atento aos sinais da presença amorosa de Deus na história da família e fazer disso um motivo de comunhão familiar e de encontro com o Senhor em ação de graças.

4. Dê aos seus filhos adolescentes um livro com orações. À primeira vista, você pode achar que a vida de oração é muito exigente para eles. Bem, você ficará muito surpreso ao descobrir que, encorajados pelo fato de serem tratados pelo que são, adultos aos olhos do Senhor, eles O farão companheiros para a vida!
                          Jean-Régis Fropo

segunda-feira, 3 de junho de 2019

Porque os adolescentes se automutilam?


Essa parece ser uma das perguntas mais frequentes da atualidade, especialmente nos contextos familiar e escolar. Pais de adolescentes tem manifestado muita preocupação com o fato de estar aumentando consideravelmente a frequência de autolesões em jovens. Essa temática também é uma constante no contexto escolar, emergindo como uma das maiores preocupações dos educadores.
Frequentemente os temas da automutilação, das tentativas de suicídio e do suicídio são tratados e discutidos por profissionais da saúde mental, mas esses fenômenos não devem ser exclusivamente pensados nesse contexto. Isso porque são fenômenos que ocorrem e são motivados por múltiplas causas, humanas, existenciais e pela interação de fatores individuais e sociais. Na medida em que o individual é coletivo, já que construímos nossas identidades e nos integramos psiquicamente enquanto sujeitos, na relação com o outro, com o coletivo é preciso situar a ocorrência de atos individuais no contexto social no qual ocorrem. Nada que seja da esfera do humano, nem mesmo os transtornos mentais, podem ser pensados exclusivamente pelo viés de um único saber, uma vez que se adoecemos, mesmo que psiquicamente, adoecemos num contexto específico, numa realidade histórica determinada.

Nesse sentido, antes de perguntarmos por que os adolescentes têm se ferido propositalmente, precisamos perguntar antes: quem são os adolescentes em nossa sociedade? Como os tratamos? O que esperamos deles? Estamos à disposição desses jovens em suas angústias? Em nossa sociedade, há espaço para sofrimento, dor e tristeza (falamos um pouco disso aqui)

Para a psicanálise (especificamente a do psicanalista inglês Donald W. Winnicott), ao menos desde os anos 1950 a sociedade ocidental tem cerrado o espaço de manifestação de angústia dos jovens. E, ao menos desde essa época, cada vez mais a tendência no âmbito social (de forma genérica) é tratar a adolescência como um problema, como algo a ser curado. Winnicott lembra que não há cura para a adolescência, já que essa fase do desenvolvimento humano e de preparação para a vida adulta não constitui uma patologia, nem um aborrecimento, mas uma fase de preparação pela qual todos nós, incluindo aqueles que tratam adolescentes como aborrecentes, já passamos. O psicanalista nos lembra, além disso, que o adolescente carrega toda a dinâmica psíquica previamente construída na infância: ou seja, o adolescente exterioriza sua maior ou menor preparação psíquica para a vida, para a construção da identidade e do Ser (próprias da adolescência), mas essa prévia integração psíquica depende de como foi a infância, entre outros aspectos. Aqui, podemos colocar outra questão: de que modo estamos, atualmente, investindo no cuidado e formação psíquica das crianças?
A adolescência é uma fase peculiarmente complexa pois combina diversos fatores que podem ser estressores: fatores hormonais, sociais e os psíquicos. E além desses fatores psíquicos que citamos, cabe salientar que o adolescente busca modos de se fazer sentir real em seu próprio corpo, e, na constituição de sua identidade pessoal, irá se isolar dos pais algumas vezes, buscar entender seu próprio espaço no mundo e no próprio corpo. Esses processos são esperados e nada tem de incomum. A questão é quando isso ocorre com problemas carregados da infância, de frágil constituição psíquica, de cobranças desde a infância para uma existência bem sucedida. É na infância que o potencial espontâneo e criativo se efetua e sem isso, ou com falhas nesse processo, o sujeito pode não conseguir se sentir real, pode se sentir em uma existência de vazio e isso pode emergir na adolescência. Winnicott enfatiza a importância do brincar na infância, mas atualmente as crianças parecem estar cada vez mais tendo seus currículos profissionais construídos. Há justificativas e méritos em investir na formação intelectual desde cedo, mas há também que se pensar nos excessos e nas poucas brechas que muitas vezes as crianças têm para brincar e serem crianças. Há ainda, certamente, que se pensar no caso a caso.
É preciso citar ainda outras variáveis: nossa sociedade é caracterizada por uma racionalidade competitiva, em termos de mercado de trabalho e de marketing pessoal em todos os sentidos. A ideia instituída como imperativo de que: “somos empresários de nós mesmos” nem sempre é declarada, mas estamos sob essa dinâmica e isso é fácil de verificar nos perfis das redes sociais. Só é declarado o melhor de si, o alegre, sorridente e realizador. E é claro que nossa existência não se reduz a isso; essa é uma fantasia perigosa para adultos, para adolescentes pode ser devastadora.

E qual é, então, a relação, a articulação de tudo isso com a automutilação? A automutilação em muitos casos é uma tentativa de transpor ao corpo, ao somático, uma dor que é psíquica e que portanto, é sem medida, é inominável. Pode parecer paradoxal, mas a autolesão pode ser uma tentativa de regulação emocional, de dar visibilidade a uma dor intangível na esfera emocional. É como uma tentativa de fazer a dor do corpo dar realidade ao próprio corpo, ao próprio eu, e silenciar, ao mesmo tempo, a dor psíquica. Se nossos adolescentes estão cada vez mais recorrendo a isso para aliviarem suas angústias precisamos, em resumo, levar em consideração todos os fatores que podem estar contribuindo para o crescimento desmedido de suas angústias psíquicas.  Se o adolescente não encontra espaço para relatar que nem sempre consegue corresponder às expectativas da escola, dos pais e da sociedade sobre ele, pode interiorizar o sofrimento e posteriormente, por não aguentar, exteriorizar essa mesma angústia em seu corpo. O comportamento auto-lesivo pode ser a alegoria de um pedido de ajuda que por diversas razões não conseguiu ser oralmente comunicado. Precisamos, portanto, abrir espaços genuínos para que os adolescentes exponham suas angústias sem serem julgados, deslegitimados ou desrespeitados. E é preciso que eles estejam certos e seguros da estabilidade desses espaços de diálogo e apoio, constantemente.

Por fim, sem dúvidas é preciso que todos estejamos atentos e que haja ações de intervenção no sentido da promoção da saúde mental e do tratamento adequado dessas ocorrências. Mas essas ações necessitam estar interligadas, articuladas a outras discussões mais amplas, em torno da promoção de equidade de direitos a todos, promoção de qualidade de vida e da reflexão ampla sobre a dignidade de vida, incluindo dos modos de vida, de constituição e de educação de nossas crianças e adolescentes. A discussão, passa e ultrapassa o contexto da saúde mental. É de todos.
Flávia Andrade Almeida é Psicóloga Clínica e Hospitalar, Especialista em Psicologia da Saúde, Psico-Oncologia e Prevenção do Suicídio. Atualmente Mestranda em Filosofia pesquisando o tema do suicídio à luz dos escritos de Michel Foucault. Autora do blog e página do Facebook “Psicologia e Prevenção do Suicídio

sábado, 17 de novembro de 2018

Pobreza atinge 17,3 milhões de crianças e jovens brasileiros com até 14 anos Levantamento foi divulgado pela Fundação Abrinq


A publicação “Cenário da Infância e da Adolescência no Brasil”, lançada pela Fundação Abrinq, aponta que 40% de crianças e adolescentes com até 14 anos de idade vivem em situação domiciliar de pobreza no Brasil, o que representa 17,3 milhões de jovens. Destes, 5,8 milhões, ou 13,5%, vivem em situação de extrema pobreza.
A realidade de 2018, porém, pode ser ainda pior. Durante a apresentação do estudo, a administradora executiva da Fundação Abrinq, Heloisa Oliveira, destacou que o impacto da política de cortes de investimentos adotada pelo governo Michel Temer ainda não foi medida.


O estudo mostrou que 40% de crianças e adolescentes com até 14 anos de idade vivem em situação domiciliar de pobreza no Brasil.

 “Em função da limitação de gastos imposta pela Emenda Constitucional 95, alguns investimentos já reduziram e vão se refletir num agravamento das estatísticas, com certeza. Mas, como nós estamos agora com a estatística de 2016, esses reflexos ainda não estão presentes. Esperamos que haja uma decisão politica de mais investimentos na infância e que a gente não tenha que estar aqui no futuro falando que piorou”, apontou.
Os piores índices estão nas regiões Norte e Nordeste do país, onde 54% e 60% das crianças e adolescentes, respectivamente, vivem em situação de pobreza. O estudo considera como pobres aqueles cujo rendimento mensal domiciliar per capita é de até meio salário mínimo (valor equivalente a R$ 477,00, considerando o atual salário mínimo de R$ 954). Já os extremamente pobres teriam rendimento mensal domiciliar per capita de até um quarto de salário mínimo (ou R$ 238,00).
Oliveira salientou que o estudo da Fundação Abrinq busca, a partir da compilação de todas as estatísticas públicas disponíveis, fazer um recorte sobre a população de crianças e adolescentes e criar indicadores que possam ser relacionados com as metas dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) –guia de ações de inclusão e sustentabilidade sugerida aos governos pela Organização das Nações Unidas a partir dos debates realizados na conferência Rio+20. O ODS número 1 pretende erradicar a pobreza extrema em todo o mundo até 2030 e diminuir pela metade a população pobre mundial no mesmo período. 
Outro dado alarmante se relaciona com o ODS 16, sobre promoção de sociedades pacíficas e inclusivas. No Brasil, dos quase 57 mil mortos por homicídios em 2016, 18,4%, ou 10,7 mil pessoas, tinham menos de 19 anos. 
 “Essa estatística é formada em sua grande maioria por jovens pobres, negros e que vivem em regiões periféricas das grandes cidades. Ou seja, as estatísticas da violência refletem a ausência de investimento nas politicas sociais básicas e estruturantes do desenvolvimento das pessoas”, analisa Heloísa Oliveira. 
Com relação ao ODS 3, que trata de assegurar vida saudável a todos, o estudo alerta para o problema da gravidez precoce no Brasil: 17,5% das mulheres que foram mães em 2016 tinham 19 anos ou menos, e conceberam mais de 500 mil crianças.
Com relação ao saneamento, uma preocupação do ODS 6 e fator de grande relevância para propagação de doenças entre crianças, a fundação alerta para o fato de que 43% da população brasileira não é atendida pela rede de coleta de esgoto.
Bem-vindo ao Observatório da Criança e do Adolescente! Aqui você pode consultar o Cenário da Infância e pesquisar sobre temas e indicadores relacionados às crianças e adolescentes de todo o Brasil.

quinta-feira, 28 de setembro de 2017

Inauguramos os espelhos nos sanitários da Escola João Beraldo, trazendo duas reflexões para os nossos adolescentes e a sua busca de identidade e de sua afirmação social . Sabe-se o quanto o adolescente é ligado a sua imagem e o quanto esta interfere na sua saúde mental e autoestima.


O espelho é importante na construção da  identidade adolescente, pelo fato do mesmo, como o Narciso do mito grego,  ser extremamente ligado à própria imagem, por isso mesmo fundamental para a construção de sua autoestima. Por isso fizemos questão de colocar espelhos nos sanitários, disponibilizando aos estudantes a sua própria imagem.

   O ADOLESCENTE É UM SER EM FORMAÇÃO

“Espelho, espelho meu, existe alguém ...” A adolescência é a fase da formação da identidade do jovem, de descobertas e também da busca do autoconhecimento. Ter uma identidade formada está relacionado á aquisição de valores, princípios e conceitos, capazes de modificar comportamentos, porém, na adolescência nada é estável nem definitivo, o que provoca conflitos na personalidade do jovem. As descobertas na vida do adolescente são como portas abertas para uma ampla visão do mundo, por isso é de grande importância o acompanhamento e a orientação da família e da sociedade para os perigos oferecidos pelo mundo. Grande parte dos adolescentes já fez essa pergunta: Afinal, quem realmente sou? As dúvidas nessa idade são frequentes e as respostas, sempre bem contraditórias. A necessidade de autoconhecimento está relacionada com a velocidade das modificações físicas e psicológicas que ocorrem com cada adolescente. Portanto, o processo de formação do adolescente consiste na busca da identidade e da personalidade, além da necessidade de autoconhecimento.


"Insegurança"

O adolescente se olha no espelho e se acha diferente.Constata facilmente que perdeu aquela graça infantil que, em nossa cultura , parece garantir o amor incondicional dos adultos, sua proteção e solicitude imediatas. Essa insegurança perdida deveria ser compensada por um novo olhar dos mesmos adultos, que reconhece as imagens púbere como sendo a figura de outro adulto, seu par iminente. Ora, se olhar falha: o adolescente perde ( ou, para crescer, renuncia) a segurança do amor que era garantido à criança, sem ganhar em troca outra forma de reconhecimento que lhe parecia nessa altura devido .



Ao contrario, a maturação, que , para ele, é evidente, invasiva e destrutiva do que fazia sua graça de criança, é recusada, suspensa, negada. Talvez haja maturação, lhe dizem, mais ainda não e maturidade.Por consequência, ele não é mais nada, nem criança amada, nem adulto reconhecido.


O que vemos no espelho não e bem nossa imagem. É uma imagem que sempre deve muito ao olhar dos outros. Ou seja me vejo bonito ou desejável se tenho razoes de acreditar que os outros gostam de mim ou me desejam.Vejo e suam, o que eu imagino que os outros vejam.Por isso o espelho e ao mesmo tempo tão tentador e tão perigoso para o adolescente:porque gostaria muito de descobri o que os outros veem nele. Entre a criança que se foi e o adulto que não chega , o espelho do adolescente é frequentemente vazio.Podemos entender então como essa época da vida possa se campeã em fragilidade de alto estima(...).

Parado na frente do espelho, caçando as espinhas, medindo as novas formas de seu corpo, desejando e ojerizando seus novos pelos ou seios, o adolescente vivi a falta do olhar apaixonado que ele merecia quando criança e a falta de palavras que os admitam como par na sociedade do adultos. A insegurança se torna assim o traço próprio da adolescência.


Grande parte das dificuldades relacionadas dos adolescentes, tanto com os adultos quanto com seus coetâneos, derive dessa insegurança. Tanto de uma timidez apagada quanto os estardalhaço maníaco manifestam as mesmas questões, constantemente a flor da pele, de quem se sente não mais adorado e ainda não reconhecido:será que sou amável , desejável, bonito, agradável, visível, invisível, oportuno inadequado?

1) no primeiro parágrafo o autor diz que o adolescente "se acha diferente". Para justificar essa afirmação,diz que o adolescente perde algo sem ganhar nada em troca que compense essa perda. Responda de acordo com o texto :

a) O que o adolescente Verifica que perdeu ao se olhar no espelho?

b) Essa perda, em nossa Cultura, acarreta outras perdas. Quais são elas?

C) Talvez não houvesse tantos conflitos se essas perdas resultassem em algum ganho. Qual é o ganho que não acontece e que seria importante para o adolescente, segundo o autor ?