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sábado, 26 de setembro de 2026

É primavera… e ainda podemos florescer

É primavera… e ainda podemos florescer

Por Deodato Gomes Costa

Escrevi esta reflexão em setembro de 2018, quando a primavera chegava e o Brasil se preparava para votar. Oito anos depois, a estação voltou, outra eleição se aproxima, e me vejo diante da mesma pergunta: como fazer nascer alguma coisa boa em uma terra que tantas vezes parece cansada?

Nesta manhã, voltei a ouvir A Primavera, de Vivaldi. Sempre me impressiona a maneira como a música parece dar movimento à paisagem. Ouço os pássaros, imagino a água correndo, quase sinto a brisa entre as folhas. Há também uma tempestade. Ela passa, e a música continua. Talvez seja por isso que gosto tanto dessa obra: ela me lembra que a beleza da primavera não depende de dias sempre serenos.

No jardim de uma escola, li certa vez uma frase atribuída a Cecília Meireles: “Aprendi com as primaveras a deixar-me cortar e a voltar sempre inteira.” Guardei essas palavras. Quem cuida de um jardim sabe que a poda pode causar tristeza. Durante algum tempo, o galho cortado parece apenas uma perda. Depois, aos poucos, surgem brotos onde não esperávamos mais nada.

Penso nas podas que a vida nos impõe. Há despedidas que não escolhemos, mudanças que nos assustam e decepções que nos deixam sem vontade de recomeçar. Nem sempre voltamos inteiros no sentido de voltar iguais. Às vezes, voltar inteiro é reconhecer a ferida, receber cuidado e encontrar forças para seguir vivendo com ternura.

Também penso no Brasil. Olho para as famílias que fazem contas antes de ir ao mercado, para os jovens que estudam e procuram uma oportunidade, para os professores que chegam à escola carregando as próprias preocupações e, ainda assim, acolhem as de seus alunos. É por essas pessoas, por suas vidas concretas, que desejo uma primavera para o nosso país. Uma primavera que se perceba no prato de comida, na sala de aula, no atendimento de saúde, na segurança de voltar para casa e na possibilidade de fazer planos.

Em poucos dias, iremos votar novamente. O voto, por si só, não faz florescer um jardim. É preciso acompanhar quem foi eleito, cobrar responsabilidade, cuidar do que é público e participar da vida da nossa comunidade. Mas o voto é um gesto precioso: nele, cada pessoa pode olhar para além do próprio quintal e pensar no chão que todos nós dividimos.

Gostaria que atravessássemos este tempo eleitoral sem perder a capacidade de escutar. Podemos discordar com firmeza e continuar reconhecendo a humanidade uns dos outros. Nenhuma ideia sobre o futuro do Brasil deveria nos tornar indiferentes à dor de quem está ao nosso lado. Se queremos um país mais justo, precisamos cultivar também o respeito nas conversas de casa, no trabalho, na escola e nas ruas.

Quando Vivaldi chega aos últimos acordes, tenho vontade de ouvir tudo outra vez. A primavera faz algo parecido conosco: retorna e nos oferece uma nova ocasião para prestar atenção. Há uma flor pequena no caminho, alguém precisando de companhia, uma criança esperando que a gente acredite nela. Há muito a fazer, e ainda há beleza suficiente para nos dar coragem.

Que esta primavera nos encontre dispostos a cuidar. Que saibamos retirar de nós o que sufoca a vida e preservar o que nos torna humanos. E que, ao escolhermos os caminhos do Brasil, não esqueçamos das pessoas que caminharão por eles conosco.

É primavera… e eu ainda acredito que podemos florescer.

terça-feira, 22 de setembro de 2026

ORAÇÃO DA PRIMAVERA!

 

Oração da Primavera

Senhor Deus, ao iniciarmos este encontro, elevamos a Ti o pensamento e o coração.

Como na Primavera, de Vivaldi, ajuda-nos a perceber Tua presença no canto dos pássaros, no murmúrio das águas, na brisa e na vida que renasce depois do inverno.

A primavera parece perfeita, mas somente Tu és perfeito. Ela é expressão de excelência e reflexo da beleza com que revestiste a criação. Por sua harmonia, aproxima-nos de Ti e toca nossa sensibilidade.

Como ensina a filosofia estoica, concede-nos sabedoria para distinguir o que depende de nós daquilo que não podemos controlar. Diante das tempestades, dá-nos serenidade, coragem e esperança, pois, na música de Vivaldi, os pássaros sempre voltam a cantar.

Que este encontro seja primavera: tempo de renovação, diálogo e ideias. Afina nossos corações para trabalharmos em harmonia e oferecermos o melhor de nós ao bem comum.

Abençoa nossas decisões e faz florescer os frutos do nosso trabalho. Amém.

 

domingo, 23 de setembro de 2018

Aprendi com as primaveras a deixar-me cortar e a voltar sempre inteira. Cecília Meireles




22 de Setembro de 2018! O noticiário anunciou o início da Primavera! Lembrei me de Vivaldi e sua música indescritivelmente linda que mais parece o movimento das flores e folhas se multiplicando na primavera para trazer um momento atulhado só de belezas.  Se o sentimento humano é capaz de perceber a divindade e a grandeza  que marca o som da Primavera, enquanto estação e da intensa beleza que marca a música de Vivaldi enquanto uma obra de arte, ele pode muito mais. Como seria bom se a vibração da Primavera de Vivaldi, como canção e a simples beleza de uma flor da estação, apenas de uma única flor,  pudessem ter o grande poder de mudar o coração de alguém?? Podemos pensar também esta canção, com tantas profusões, como o voto de milhões brasileiros que se multiplicam em flores para trazer uma primavera especial para o Brasil. A Primavera maior do nosso país neste importante momento da nossa história é o voto, que vem frutificar e renovar a esperança de felicidade de um povo. Assim como está chegando enquanto estação esperamos que esteja chegando também como tempo histórico de mudanças para o Brasil. Que chegue como flores, perfumando, remodelando, unindo as pessoas e inovando esta terra amada tão ferida em sua dignidade. No jardim da Escola,  em uma ardósia se encontra a seguinte inscrição de Cecília Meireles:  "Aprendi com a Primavera a deixar-me cortar e a voltar sempre inteira".  Se quisermos a chegada de novas flores e folhagens no nosso jardim, dores são inevitáveis e efêmeras. Flores e folhagens beneficiam sabiamente da estação para retornarem reverdecidas  e plenas de beleza. Ao aparar, cortar, desbastar, esgalhar o jardim, parece  tempo de destruição, mas apenas se retira dali os excessos consumidores da seiva que impedem o ressurgimento de novas flores e folhagens. A primavera é alegria e vem com delicadeza, simbolizada nesta perfeição que retrata a música de Vivaldi. Foi a primavera que se inspirou na arte para se expressar nesta suprema canção ou foi a arte que recebeu o impulso da estação a inspiração para criar a melodia de Vivaldi. É tempo de intensos movimentos e de renascer, vibrar  e de recriar o novo nas paisagens e nos jardins, embalados pela Primavera de Vivaldi,  afim de aliviar as feridas trazidas pelas  podas vitais. Cortes, muitos cortes, de preferência embalados por canções,  é preciso que faça em nossas vidas, para retirar aquilo que consome a luz que somos e irradiamos. Eduardo Galeano escreveu muito sabiamente que "Somos o que fazemos, mas somos, principalmente, o que fazemos para mudar o que somos." Uma antiga mensagem de escola dizia: para a viagem da vida é preciso que se elimine os fardos, livre-se dos apegos que tornam nossas bagagens pesadas e difíceis de carregarem, nos tornando cansados para caminhar. Libertar das malas que somos  nos ferem mas nos tornam leves e nos leva naturalmente ao que vimos a ser. A vida só dá certo de viver  se permitindo florescer e se deixarmos emanar da nossa essência coloridos e saudáveis flores e perfumes. Nascemos para sermos jardins sempre renováveis, belos, leves, e sem os excessos das plantas que embaçam os caminhos. Chegam das ervas daninhas que nos tornam sujos,  lentos e obstáculos até para o outro.  A transformação de plantas e flores inspira também o movimento do ser humano.   Que as pessoas adornem com muitas flores de inovação seus relacionamentos  familiares e de trabalho exalando um perfume depaz e bem estar em todas as convivências.  Que a essência humana possa ser alimentada pela beleza de uma flor e não se atrofie como um bonsai, por falta de amor, luz e estímulo. Uma flor se entrega à estação e mesmo nas condições mais adversas, luta para receber os nutrientes necessários para crescer linda e florescer em um movimento de constante inovação. Precisamos de uma  Primavera para  o Brasil   também para florescer e voltar ao ciclo perdido de beleza e fartura, ainda viva na memória de todos nós.  Flores mais flores, muitos jardins porque o Brasil precisa recriar a sua delicadeza perdida.  Esta  Primavera chega repleta de oportunidade e energia nova  indicando caminhos e revigorando os objetivos da vida de todos nós brasileiros. O voto vem colocar húmus nesse solo sedento de amor ansioso para germinar coisas boas. O voto é a água da participação  necessária com que cada um rega com responsabilidade o chão sagrado desta terra que pisa. O húmus e a água é ferramenta da inteligência, que olha para as angústias presentes e para os infinitos sonhos de felicidade de um povo que tem muita fome de beleza. O tumultuado cotidiano não vai nos impedir de  perceber os jardins de todos os lugares aguardando o tempo do florescer. A tempestade não impedirá a escolha do melhor jardineiro, reflexo de todo o sol que se abrirá e da chuva que molhará a terra para trazer, arte, pão e beleza.  Só assim alcançaremos  calma,  leveza, respeito e a força de um imenso jardim, que virá com a primavera de milhões de votos iluminados pelo sol que instaurará a  liberdade e a Democracia. Flores e sonhos se multiplicarão aos milhões e contornarão todas as estradas desta terra Brasil. Permitirá que os jardins adormecidos em cada brasileiro, floresça  e faça enxergar o lindo jardim escondido dentro de todas as outras pessoas irmãs.
                                  É Primavera... te amo!
                                                      Por Deodato Gomes