Relembrando Edgar Morin: as cegueiras do conhecimento, o erro e a ilusão
Recentemente, terminei de reler o primeiro capítulo da obra Os Sete Saberes Necessários à Educação do Futuro, de Edgar Morin, intitulado “As Cegueiras do Conhecimento: o Erro e a Ilusão”. A leitura ganhou um significado ainda mais especial diante da partida deste grande pensador, que nos deixou em 29 de maio de 2026, aos 104 anos de idade, após dedicar mais de um século de vida à reflexão sobre a condição humana, a educação e os desafios da civilização contemporânea.
Ao revisitar esse texto, fui novamente provocado por uma ideia que considero profundamente atual: o conhecimento humano nunca está livre do erro e da ilusão. Morin nos alerta que não basta ensinar conteúdos, fórmulas, datas ou conceitos. A educação precisa ensinar, antes de tudo, a compreender como pensamos, como construímos nossas certezas e como podemos ser enganados pelas próprias convicções.
Uma das reflexões que mais me marcou é a constatação de que não enxergamos a realidade de forma pura e objetiva. Nossa percepção é influenciada por emoções, crenças, valores, memórias e experiências acumuladas ao longo da vida. Muitas vezes acreditamos estar diante da verdade quando, na realidade, estamos apenas observando o mundo através das lentes dos nossos próprios paradigmas.
Morin também chama atenção para os perigos das ideologias, dos dogmatismos e das teorias fechadas em si mesmas. Quando deixamos de questionar nossas certezas, corremos o risco de transformar a racionalidade em racionalização, isto é, passamos a utilizar a inteligência não para buscar a verdade, mas para defender aquilo em que já acreditamos.
Outro aspecto fascinante do texto é a ideia de que as próprias ideias podem nos possuir. Em vez de sermos donos das nossas crenças, podemos nos tornar prisioneiros delas. Por isso, o autor defende uma postura permanente de autocrítica, diálogo e abertura ao novo.
Como educador, essa leitura me faz refletir sobre a missão da escola. Mais do que transmitir informações, precisamos formar estudantes capazes de pensar, questionar, analisar evidências, reconhecer seus erros e conviver com a incerteza. Em um mundo marcado pela desinformação, pelas redes sociais e pela circulação instantânea de opiniões, essa talvez seja uma das competências mais importantes do século XXI.
Ao concluir a releitura deste capítulo, reafirmo minha admiração por Edgar Morin. Sua obra permanece viva porque nos convida a algo essencial: cultivar a lucidez. Afinal, como ele próprio nos ensina, o maior desafio do conhecimento não é apenas aprender mais, mas aprender a reconhecer os limites, os erros e as ilusões que habitam o nosso próprio pensamento.
A luz de Edgar Morin continua iluminando a humanidade e apontando caminhos para uma educação mais humana, crítica e consciente.
Referência
MORIN, Edgar. Os sete saberes necessários à educação do futuro. 2. ed. São Paulo: Cortez; Brasília, DF: UNESCO, 2000.
Convido você a percorrer estas páginas e a se deliciar com as reflexões de Edgar Morin, cuja obra continua nos provocando a pensar, questionar e compreender melhor o mundo e a nós mesmos.
https://acrobat.adobe.com/id/urn:aaid:sc:US:b5543710-8179-412b-9457-c4dce41f2e17

.png)