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sábado, 1 de setembro de 2018

Aprender a entender o tumultuado processo de mudança das lagartas que hoje rastejam para vê-las tão belas voando entre os delicados perfumes de um jardim.


A adolescência é o momento em que se começa  a criar uma identidade própria e está marcada pela busca persistente da autonomia por parte do jovem. No entanto todo o controle que um professor ou qualquer adulto quer ter da situação que envolve a relação com alguém nesta fase da vida,  acaba sendo diminuído e o que é muito  pior sendo a todo tempo confrontado e questionado. Repetimos todos os dias, a todo momento  as mesmas palavras a todo o tempo da grande necessidade, utilidade e economia de um uniforme escolar. Nesse tempo de convivência com uma filha adolescente e com os estudantes da escola aprendi muito mesmo sobre isto.  A escola, com seu enorme número de regras e  com sua pesada estrutura, cumpre importante papel diante da rebeldia adolescente na formação da  sua personalidade mas na maioria das vezes ignora completamente este movimento tumultuado que está silenciosamente acontecendo na vida deste pequenos projetos de gente. A preocupação com a cognição ocupa todos os espaços. A adolescência é um rebuliço e um momento  em que uma personalidade está na clausura, onde de repente podemos nos surpreender com atos mais radicais,  e em luta para se libertar, ficar independente dos pais, caminhar com seus próprios pés sem ter condições para tal. Esta semana presenciei um fato no cabelereiro. Uma adolescente com um longo cabelo claro e lindo, mandou passar a máquina na cabeça. Me deu vontade de perguntar porque ela fazia aquilo com aqueles cabelos tão lindos. Qual o sentido daquela ação? Claro que me contive sob pena de ser alertado de desrespeito. Ela estava acompanhada de um grupo de amigos e o cabeleireiro concluiu o corte fazendo vários desenhos em sua cabeça.   Por isso é preciso muita paciência para compreender o  ritmo de transformações ali imprimidas neste tempo de tantos conflitos internos e luta contra tudo e todos,  sem abrir mão de uma presença  de autoridade com qualidade exigente.
  
Quando o assunto é adolescente e rebeldia, é preciso aprender sobre a metamorfose das borboletas, para que pelo menos  se imagine que o mesmo inseto que esvoaça entre flores foi uma asquerosa lagarta, que semanas antes estava se rastejando pelo mesmo jardim. A tendência é de olhar a rebeldia com amor negativo, cheio sermões,  recomendações  e cuidados restritivos.   A rebeldia, muitas vezes sem causa mesmo,  pode ser olhada de maneira positiva sem problema algum,  pois é elemento necessário de embate com o mundo,  que interfere no “eu” que vai permanecer na vida do adulto. É essencial também muito interesse, estudo e compreensão por parte dos adultos, principalmente por parte pais e professores, que estão mais no convívio direto por mais tempo,    respeitar o delicado comportamento dessas lagartas, do contrário, os discursos de exclusão, de extermínio daquela lagarta devoradora de plantas e destruidora de paz,  tomam conta, porque falta atenção e sensibilidade exatamente de quem tem a missão de educar e tornar mais amena os problemas desta fase. 



Saber conviver e respeitar o ritmo, seguir a lógica do curso natural do desenvolvimento humano ainda em processo de identificação é difícil, complicado mas é fundamental.  Educar é uma questão vital de respeito à comportamentos em processo de formação, sem abrir mão das exigência que devem ser feitas dentro de uma conversa baseada no amor. O adolescente não é, está sendo neste período alvoroçado da vida rebelde. Os ingredientes fundamentais deste momento é  paciência, tolerância, diálogo e escuta muita escuta,  diante de  um ser com fortes idéias, de um ser mutante que se coloca com alto grau de certeza em informações que estão assentadas em bases ainda bastante frágeis. 
Sair do casulo e se tornar adulto é um dolorido desafio que o jovem não sabe que está vivendo. Espelhado nos grupos em que convive, é como uma enxurrada de águas de tempestade,  que vem fortalecida por novas químicas e hormônios, sem visualizar as obstruções, confrontando todas as formas de autoridade instituido e a escola e seu aparato às vezes de forma sutil e muitas vezes tumultuadamente. Esta energia, que provoca muitos curtos circuitos na família e na escola é vital para a formação de uma personalidade sádia que pode vir a brilhar na vida adulta.



Como seria muito mais fácil para pais e professores se diante do desinteresse do aluno e na tentativa de convencê-lo sobre a necessidade de conhecimento, na sociedade do saber,  se inserisse simplesmente um cartão de memória pré-programado na cabeça dele? O objetivo deste gesto,  poderia ser o de obter os resultados  tão esperados por pais e professores, como se faz com máquinas. Se ainda, não estando satisfeitos com as atitudes adolescentes, os pais e professor simplesmente cortassem o contato, como se poda os ramos do jardim da escola? Estes são caminhos mágicos mais fáceis e menos cômodo, e eles não tem lugar em educação. Educar é investir tempo, é dedicar, se consumir a cada tempo e aguardar frutos que nem se sabe quando e como virão. Educar é trocar a comodidade e o relaxamento das novelas da globo para preparar aquela aula inesquecível, é apesar do cansaço depois do trabalho do dia, dedicar tempo, atenção e interesse à convivência com a rebeldia deles. No curso natural das transformações do casulo, acontece muitos sobressaltos que chegam marcadas por muitas alegrias e tristezas, lágrimas e dores e não se pode deixar passar nenhum desses evento sem uma generosa presença de adultos. A borboleta, para chegar à sua beleza, criar asas e voar, precisam passar pela mudança da metamorfose, observada, acompanhada até mesmo pelos cliques das postagens das redes sociais.   Esse período é longo e acontece em meio a muitas turbulências, mas não são eternas, a lagarta pode cair do galho em que se sustenta sim e sujar as águas sobre as quais estavam. 


Em diversos momentos, por diversas vezes, tem se  muita vontade de “abrir” a cabeça destes adolescentes para fazer com que vejam o caminho em que está se tomando, para que retome e faça seu processo de mudanças de forma segura e autônoma. Entretanto, bem se sabe que, diante de tais desafios, o desejo de tomar atitudes enérgicas, muitas vezes apoiados em um autoritarismo impaciente, quer, na verdade, sufocar a “metamorfose natural na vida” daqueles que ainda precisarão atingir o amadurecimento, a exemplo do que  ocorre com as borboletas. Os pequenos erros adolescentes são fundamentais e fazem parte desse doloroso jeito de existir. É nesta hora que que se aprende com as próprias situações e obstáculos e com seus vários intentos empreendidos no  processo de saída do casulo. 
Um professor mais perspicaz é incapaz de queimar etapas, sabe respeita a individualidade e a liberdade de seus alunos se encaixando como luva na delicadeza do curso natural do desenvolvimento humano, sabendo se impor e conquistando atenção para os seus propósitos docentes.  Só assim se é capaz de  adequar a atenção ao ritmo e ao tempo de transformação de cada estudante, até o bater de suas asas final para um caminho maior de esforço. 



Se colocar como referência sabendo se vê desde o primeiro contato como alguém que respeita o espaço do outro em formação, que está naquele movimento humano doloroso de autoafirmação, percebido ali como um período de tempo pequeno diante de toda existência, é fundamental para que não se exarcebe os conflitos mais ainda e feche a única forma de ajuda: o diálogo. É desolador se vê diante de alguém que não se sabe mais o que fazer. Mas quando se diz respeito a ser humano, não existe Perda Total. 
O adolescente vive a necessidade de acolhida e de  respeito a seu tempo próprio, pois para cada um existe um “colorido” e um florescer único e especial no qual todo adolescente está vivenciando.  É preciso aceitar que  lagarta dorme num vazio turbulento chamado casulo, e dorme muito mesmo,  até acordar e se transformar em uma borboleta mais suave, muito se desgastou mas muito se cresceu também na experiência do humano.

Mais tarte vem a luz de que se vivia em um casulo apertado e sufocante na ilusão de que tudo podia. Se atravessa o casulo, tudo chega sem se livrar dos muitos momento se esperneando diante de confrontos. A transformação da indefesa lagarta em uma elegante borboleta é, realmente, um dos mais dolorosos, belos  e ricos processos do ser humano. 
Olhe sem pressa. Existem muitos estudantes que precisam voar mas ainda debatem dentro do casulo. Não sabem ainda, porque não experienciaram o mundo. Não cabe rótulos em nenhuma de suas fases.  Deve-se olhar com amor a “lagarta”, envolta pelo “casulo”. O melhor de tudo mesmo é ser assertivo, e se portando  como ponta consciente do processo educacional,  não se deve ser agressivo e nem passivo e buscando sempre com sabedoria a se  colocar nas situações conflituosas junto com,  de maneira muito clara e aberta,  com olhar focado no erro do momento sem condenações inconsequentes,   mas com uma visão de futuro num horizonte educativo muito mais distante, inclusive convidando o jovem a se vê como estará daqui a alguns anos.
                                       Por Deodato Gomes 

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