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sexta-feira, 22 de maio de 2020

Equipe do Einstein cria novo teste para coronavírus. O Globo e 22 de Maio de 2020 - Patricia Rocco, Professora titular da UFRJ, chefe do Laboratório de Investigação Pulmonar, membro titular da ANM e ABC, Rede Vírus-MCTIC

Exame de detecção da Covid-19 com base no sequenciamento genético é vantajoso e poderá ser usado em larga escala.

Afrase de Hamlet, em uma das principais peças de Shakespeare, “ser ou não ser, eis a questão" tem várias conotações, desde a mais existencial até uma pergunta sobre como agir e se posicionar diante de um fato. A Covid-19 é uma doença causada por um coronavírus, denominado Sars-CoV-2 (Severe Acute Respiratory Syndrome, Síndrome Respiratória Aguda Grave, em português). Inicialmente, acreditávamos que esse vírus acarretava, primordialmente, sintomas respiratórios, sendo apneumonia o quadro mais grave.

Nossa experiência coma Sarse Mers( Síndrome Respiratória do Oriente Médio) fez com que pensássemos que a Covid-19 se comportasse de forma similar a essas doenças, apresentando quadro gripal, com febre, tosse e dor de garganta.

Posteriormente, sintomas como perda de olfato e paladar começaram a ser descritos, sugerindo que o vírus se espalhava do epitélio olfativo para o cérebro. O sistema nervoso pode ser afetado:

 1) pelo vírus que entra na célula endotelial; 

2) pelo processo inflamatório local e sistêmico; 

3) pela presença de trombos.

Os pacientes com Covid-19 também podem apresentar diarreia, que vem sendo atribuída à infecção direta da célula intestinal pelo vírus. Alguns estudos sugerem o uso de probióticos para melhora dos sintomas gastrointestinais. O vírus pode invadir as células miocárdicas, ocasionando arritmias e isquemia coronariana/infarto agudo do miocárdio. A disfunção renal também pode ocorrer seja pela inflamação sistêmica, hipotensão arterial e trombose. Nota-se que a trombose é fenômeno que se repete em diversos órgãos. A experiência dos intensivistas e dos patologistas — esses, através de análises de autópsias —, em muito vem nos ajudando no entendimento do comprometimento dos diferentes órgãos pelo coronavírus. Não é incomum os médicos relatarem que o paciente estava evoluindo de forma satisfatória nas unidades de terapia intensiva, quando, subitamente, apresentou falta de ar, hipotensão e parada cardíaca. Depois de certo tempo, observou-se que tais sintomas eram atribuídos a um quadro de embolia pulmonar, e esse era mais frequente do que se esperava. É fundamental a dosagem de bio marcadores para entender quando devemos iniciar ou so de anticoagulantes. Tal terapia, melhorou significativamente o prognóstico dos pacientes com o novo coronavírus. Logo, apesar de, inicialmente, a Covid-19 ter sido descrita como uma pneumonia viral, ela, na realidade, apresenta-se como doença que lesa múltiplos órgãos. Por mais que a questão pareça complexa, na verdade, é muito simples: devemos chamar o coronavírus de Mods-CoV-2 (Multiple Organ Dysfunction Syndrome, que em português é Síndrome de Disfunção Orgânica Múltipla) e não de Sars-CoV-2. É fundamental a realização de estudos que versem acerca dos mecanismos de ação do vírus, aspectos clínicos e o manejo terapêutico dessa enfermidade. A ciência evolui passo a passo para desvendar os enigmas da Covid-19. Devemos chamar o coronavírus de Mods-CoV-2 que, em português, é Síndrome de Disfunção Orgânica Múltipla

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