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quinta-feira, 12 de março de 2026

Educação Inclusiva em Foco: Guilherme Almeida Propõe Mudança de Paradigma no PAEE sob o Novo Decreto 12.686/2025!

Educação Inclusiva em Foco: Guilherme Almeida Propõe Mudança de Paradigma no PAEE sob o Novo Decreto 12.686/2025

No último dia 11 de março, o projeto Café com Prosa, promovido pela UNDIME, recebeu uma das vozes mais respeitadas e contundentes no cenário da inclusão no Brasil: Guilherme Almeida, Presidente da Associação Nacional para Inclusão das Pessoas Autistas (ANIA BR). Estudioso profundo do tema, Almeida trouxe uma reflexão urgente sobre como as redes de ensino devem se adaptar ao novo Decreto 12.686/2025, focando na elaboração do Estudo de Caso e do Plano de Atendimento Educacional Especializado (PAEE).

O ponto central da palestra foi claro: a educação inclusiva não se trata de "consertar" o aluno, mas de transformar o ambiente escolar.

O Modelo Social: A Escola Sob a Lupa

Guilherme Almeida iniciou sua fala desconstruindo o modelo médico-reabilitador que, por décadas, dominou os formulários de PEI (Plano de Ensino Individualizado) no Brasil. Segundo ele, o foco não deve ser o laudo ou o que o estudante não consegue fazer, mas sim quais barreiras a escola impõe que impedem a participação desse aluno.

Ao citar o fundamento teórico do Modelo Social da Deficiência, Almeida reforçou que a deficiência é um produto de uma sociedade que ignora a diversidade humana. "O sucesso não é o comportamento normalizado, mas a participação efetiva", pontuou.

Estrutura Técnica: Estudo de Caso e PAEE

A palestra detalhou a articulação entre dois instrumentos fundamentais que agora devem caminhar juntos:

  1. O Estudo de Caso (13 seções): Um diagnóstico profundo que prioriza a voz do estudante e da família para mapear barreiras arquitetônicas, sensoriais, comunicacionais e atitudinais.

  2. O PAEE (18 seções): Um plano de ação voltado para a transformação do ambiente, flexibilizações curriculares e suporte à participação plena.

Um dos destaques da fala do palestrante foi a "Lógica do Plano": nenhuma ação deve ser inserida no PAEE se não estiver vinculada a uma barreira específica. Para Almeida, "apoio excessivo é tão prejudicial quanto apoio insuficiente", pois o objetivo final deve ser sempre a autonomia.

"Nada Sobre Nós Sem Nós"

Fiel ao lema do movimento das pessoas com deficiência, Guilherme enfatizou que o estudante deve ser sujeito ativo na elaboração de seu plano. Ele defendeu que a ausência de fala não é ausência de voz e que as discordâncias do aluno devem ser registradas e respeitadas.

Além disso, trouxe uma inovação necessária: o Registro de Necessidades Não Atendidas. Almeida explicou que este campo serve para proteger o estudante juridicamente e documentar falhas sistêmicas (como falta de recursos ou recusa da gestão em implementar ações), servindo de base para políticas públicas baseadas em evidências.

Gestão de Crises: Uma Nova Leitura

Ao abordar as chamadas "situações difíceis" ou momentos de desregulação, o palestrante mudou o foco da punição para a prevenção. Para ele, crises são sinais de que o ambiente falhou. O plano deve conter protocolos claros de regulação e jamais utilizar contenção física ou isolamento punitivo.

Conclusão: Uma Escola Onde Todos Cabem

Guilherme Almeida encerrou sua participação com uma mensagem poderosa que resumiu o espírito da palestra: a meta é que nenhum estudante precise mudar para "caber" na escola, porque a escola, finalmente, terá aprendido a caber em todos.

A palestra no Café com Prosa não foi apenas um treinamento técnico sobre o Decreto 12.686/2025; foi um chamado ético para que gestores e educadores vejam o estudante não como um objeto de intervenção, mas como um sujeito de direitos.


Destaques para as redes sociais:

  • A frase do dia: "Educação inclusiva começa pela transformação do ambiente, não do estudante."

  • O recado para os gestores: O PAEE agora é um documento vivo e rastreável, garantindo continuidade e segurança jurídica para a rede de ensino.

  • Clique a seguir para ver todos os slides da palestra:

https://photos.app.goo.gl/JWd2c9tQt4EKxGis9

terça-feira, 10 de março de 2026

Gestão para Resultados: O Caminho para Transformar a Educação em Nossos Municípios!



Gestão para Resultados: O Caminho para Transformar a Educação em Nossos Municípios

Recentemente, durante o nosso encontro "Café com Prosa", tivemos o privilégio de acompanhar a palestra de Isis Chaves, Diretora Técnica da Fundação da Gide (FDG). Sob o tema "Como gerar resultados de aprendizagem à luz das novas políticas?", a apresentação trouxe um diagnóstico realista e, mais importante, um método claro para enfrentarmos os desafios do ensino público.

O Diagnóstico: Por que precisamos mudar?

A palestra começou com dados inquietantes. O Brasil, embora figure entre as dez maiores economias do mundo, mantém-se em posições críticas no PISA (Programa de Avaliação de Alunos da OCDE). Existe um abismo entre o potencial econômico do país e a entrega educacional.

Uma pesquisa da Ipsos reforça esse cenário: para o cidadão brasileiro, a Educação é a segunda temática mais importante, mas ocupa o quinto lugar em nível de insatisfação. O eleitor e as famílias reconhecem a importância do ensino, mas sentem que a entrega ainda está longe do ideal.

A "Armadilha" da Atuação sem Gestão

Um dos momentos mais marcantes da fala de Isis foi a analogia do iceberg. Muitas vezes, a gestão pública cai na "armadilha" de atuar apenas nos sintomas (a ponta visível do iceberg). Quando focamos apenas no efeito e desconhecemos as causas raízes, os resultados são desoladores:

  • Dificuldade para estabilizar resultados;

  • Desorientação e desgaste das equipas;

  • O eterno ciclo vicioso de "apagar incêndios".

Para romper com isso, a proposta da FDG baseia-se na GIDE (Gestão Integrada da Educação), um sistema que a Professora Maria Helena Godoy consolidou ao longo de décadas e que já beneficiou mais de 8 milhões de alunos em todo o Brasil.

A Solução: Os Pilares de uma Rede de Sucesso

Gerir uma rede pública não é apenas administrar recursos, mas garantir que o aprendizado aconteça na ponta, dentro da sala de aula. A GIDE estrutura-se em seis frentes de gestão que se interconectam:

  1. Gestão de Projetos: Organização das iniciativas.

  2. Gestão de Competência: Valorização e treino do capital humano.

  3. Gestão por Processos: Fluxos de trabalho claros.

  4. Gestão Estratégica: Visão de futuro e planeamento.

  5. Gestão Financeira: Uso eficiente do recurso.

  6. Gestão para Resultados Pedagógicos: O foco central de todo o sistema.

A Trilha Gerencial: Do Diagnóstico ao Sucesso

Isis detalhou como esse trabalho se traduz na prática através de uma Trilha Gerencial rigorosa:

  • Início com Liderança: O comprometimento dos gestores é o combustível.

  • Diagnóstico e Metas: Não se gere o que não se mede. É preciso saber onde estamos para definir onde queremos chegar.

  • Plano de Ação e Execução: O momento de colocar a "mão na massa" com método.

  • Verificação e Ação Corretiva: Onde muitos falham, a GIDE insiste: é preciso monitorar e corrigir rotas antes do fim do ciclo.

  • Prática de Sucesso: Quando o resultado é alcançado, ele deve ser padronizado e celebrado.

Conclusão: Pensar antes de Agir

Encerrando com uma frase atribuída a Albert Einstein, a palestra nos deixou uma lição sobre eficiência: "Se eu tivesse uma hora para resolver um problema, eu passaria 55 minutos a pensar sobre o problema e 5 minutos a pensar sobre a solução".

Na educação, o "pensar sobre o problema" chama-se gestão. É através de um método sólido, focado na causa raiz e no acompanhamento constante, que conseguiremos oferecer aos nossos alunos a aprendizagem que eles merecem e de que o Brasil precisa.

Deodato Gomes Costa

Secretário Municipal de Educação