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segunda-feira, 23 de dezembro de 2019

A INCANSÁVEL GUERREIRA CONTRA AS MUDANÇAS CLIMÁTICAS.


No dia 23 de setembro, Greta Thunberg encerrava seu discurso de não mais de 500 palavras diante do plenário das Nações Unidas. Nas arquibancadas, líderes mundiais observavam a menina de apenas 16 anos que se tornou o maior ícone da luta contra as mudanças climáticas. —"Eles estão fracassando conosco. Mas os jovens estão começando a entender sua traição. Os olhos de todas as gerações futuras estão sobre vocês. Não vamos deixá-los continuar com isso. Bem aqui, agora, é onde traçamos a linha. O mundo está acordando. E a mudança está chegando, gostem ou não" — afirmou Greta. 
Sua determinação chamou a atenção para as mudanças climáticas, uma conquista de dimensões planetárias que fez com que Greta fosse escolhida “Personagem Mundial 2019” pelo Grupo de Diários América (GDA), uma aliança de 11 jornais da América Latina, da qual O GLOBO faz parte. 
Um ano antes, em 20 de agosto de 2018, a mesma adolescente decidiu não ir à escola para se sentar do lado de fora do Parlamento sueco e protestar contra o que considerava o pouco progresso na redução da emissão de carbono em seu país. Com uma placa que dizia Skolstrejk för klimatet (“Greve pelo clima”), essa garota pequena, de rosto sério e diagnosticada com síndrome de Asperger enfrentou um assunto que muitos cientistas e ativistas haviam notado, mas poucos estavam dispostos a propor soluções. Foi tal o impacto que, duas semanas depois, ela fez seu primeiro discurso em público, algo que surpreendeu até seus pais, já que ela sofre de mutismo seletivo, o que não a impediu de se apresentar em 2019 em frente ao Fórum de Davos, em uma comissão do Senado dos EUA, no plenário da ONU e na COP 25, em Madri. Nascida na Suécia, em 3 de janeiro de 2003, filha da soprano Malena Ernman e do ator e escritor Svante Thunberg, desde pequena Greta era uma menina introvertida. Aos 8 anos, viu um documentário sobre mudanças climáticas e ficou tão chocada que isso causou uma profunda depressão. — "Eu penso demais. Algumas pessoas podem deixar as coisas acontecerem, mas eu não, especialmente se há algo que me preocupa ou me deixa triste" —disse ao jornal inglês The Guardian. 
Para Eloisa Silva, consultora de sustentabilidade e membro da rede de Iniciativa de Jovens Líderes das Américas, “o ‘fenômeno Greta’ é uma combinação de um momento histórico, em que o status quo está sendo questionado em todas as esferas, e vozes fortes surgem com o movimento feminista”. — Greta, sendo uma dessas vozes, pede mudanças claras e apela à ética das autoridades. Ela não tem medo, nem outra agenda além de representar o movimento social —disse.

FENÔMENO 

Sua determinação levou milhões de pessoas às ruas para se juntar à Sexta-feira pelo Futuro, enquanto outras aderiram ao flygskam ou “vergonha de voar”, que busca que as pessoas passem a usar meios de transporte menos poluentes. Ainda que tenham existido ativistas de peso que alertaram sobre as mudanças climáticas, o grande salto de Greta está na maneira como fala, e que muitos atribuem ao fato de ter Asperger, o que faz com que não se distraia com os interesses sociais próprios da idade. Não foram poucas as vozes que a atacaram. Em julho, a Opep a declarou “a maior ameaça” à indústria de combustíveis fósseis, enquanto o presidente dos EUA, Donald Trump, tuitou sarcasticamente que “ela parece ser uma garota muito feliz” e Jair Bolsonaro a chamou de “pirralha”. No primeiro, ela considerou a crítica como “um elogio”, enquanto as palavras de Trump e de Bolsonaro se tornaram sua biografia no Twitter.

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