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quarta-feira, 30 de outubro de 2019

Você já viu? Coringa: porque esta violência e as reais e similares a esta choca tanto a gente?



Não tem como assistir o Coringa e não ser impactado emocional e intelectualmente. O mistério que é o ser humano, e a face sombria que a natureza humana pode vir a se apresentar para a sociedade é de fato imprevisível. Tanto já se debateu sobre a interferência do contexto social na estruturação da personalidade de uma pessoa, bem como na própria capacidade de alguém superar frustrações e ir se fazendo mentalmente saudável. Sobre isto, não se tem conclusões definitivas. Monstros violentos podem emergir de lares muito estruturados o que não é o caso do Coringa, o Arthur Fleck (personagem central) da ficção. Ele tem em sua história de vida o componente da exclusão social, que explica apenas parte do seu desequilíbrio total, mas não dá conta de justificar todo o seu comportamento hiper violento e maldade que provoca tanto espanto em quem assiste ao filme. Em que pode se transformar um ser humano? Os grupos de whatsapp da nossa cidade, mesmo hoje se  tornaram repletos de fatos tão proporcionalmente violentos quanto aqueles praticados pelo Coringa. E a gente pergunta sempre: por quê?   Como a humanidade pode se apresentar com uma feição tão assustadora assim? Não, ele não era um psicopata e nem fazia uso de álcool e drogas. Gotham City, a Nova Iorque dos anos 80 tem momentos de presença em nossas cidades nos acontecimentos inesperadas e mais violentos, tanto quanto que nos assombram de quando em vez. 
 A imprevisibilidade do comportamento humano, a incerteza do que será uma criança, um adolescente mesmo cercado por uma vida sem abusos, é que reforça a necessidade da educação. O cuidar da escola é fundamental na construção de mentes saudáveis, reforça também a possibilidade de modelagem de uma personalidade,  ainda que falte a certeza de que ali florescerá um ser humano sensível, empático, afetivo e com alto senso de humanidade. Arthur Fleck em um momento de alucinação, diz reflexivamente: “Durante toda a minha vida, eu nem sabia se eu existia de verdade, mas eu existo e as pessoas estão começando a perceber.” Toda atenção à criança, ao adolescente e ao jovem antes que este se perceba existindo como um ser fora da caixa social, e se faça perceber em práticas de relações empáticas que possa vir a estabelecer com o seu semelhante. O incômodo sentido por todos nós ao assistir o Coringa, deve levar sim à uma autorreflexão e em consequência ao entendimento de que não podemos aceitar o mal como um fenômeno normal da nossa sociedade. Banalizar o mal é o nosso fim enquanto sociedade. Precisamos compreender que o ser humano pode ser sempre muito melhor desde que muito cedo seja cercado de cuidados. O Coringa foi rejeitado e quando doente o sistema público não forneceu o remédio e nem a terapia que ele precisava.  Aprender a olhar até mesmo aqueles que discordam da gente com outro olhar sempre pode ensejar uma reflexão pertinente, significativa.  Parece que estamos sempre em busca de convivências lights com pessoas que não nos instiguem a pensar sobre nós mesmos e assim não nos ajudamos a meditar em nosso próprio comportamento.  
O filme ainda está em cartaz no Cine Teca em Teófilo Otoni. Inteira R$ 20,00 e meia R$10,00, com sessões às 18:20 (dublada)e 20:00(legendada) horas. Classificação indicativa é de 16 anos.Vale a pena. Assim que estiver disponível vamos projetar no Cine João Beraldo.
                                                                 Por  Deodato Gomes 

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