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quarta-feira, 17 de junho de 2020

PANDEMIA A máscara caiu Por Patricia Rocco - Jornal O Globo


O uso das máscaras nas ruas foi iniciado na pandemia da gripe espanhola em 1918, que se disseminou por todo o mundo, matando cerca de 50 milhões de pessoas (5% da população global de então).
Apesar do nome gripe espanhola, a doença se iniciou no Kansas, nos EUA. Esse nome foi dado porque, durante a 1ª Guerra Mundial, a Espanha foi o único país a se manter neutro em relação à imprensa e às notícias sobre a doença. As informações dos 8 milhões de infectados pela “fiebre de los tres días” eram repassadas à população espanhola. No entanto, os outros países bloqueavam notícias que pudessem desfavorecer as tropas que lutavam na guerra.
Será correto omitir as notícias? Será que a população necessita estar desinformada, ou levada a acreditar que tudo está bem, que sairemos do isolamento social e que todos estaremos protegidos? A máscara caiu e ficou a tristeza por termos acreditado que alguém estivesse nos protegendo.
Nesse momento, a sociedade tem que acreditar na ciência. Sei que é difícil pensar em isolamento social quando se tem fome. Entretanto, é difícil pensar no não isolamento social quando, ao nosso lado, nos deparamos com a morte de um ente querido. São mais de 40 mil mortos no Brasil.
Onde está a mudança de inflexão da curva do número de óbitos para se determinar a abertura, já que essa curva segue crescendo exponencialmente? Será esse o momento? Será que a máscara nos protegerá? A crise é global, todos estamos vulneráveis.
O uso da máscara é recomendado sempre, seja em pacientes que apresentam sintomas respiratórios, profissionais de saúde, bem como em todos os indivíduos que necessitam sair de casa, já que pacientes assintomáticos ou pré-sintomáticos podem ser potenciais contaminantes. É fundamental seguir boas práticas de uso, remoção e descarte da máscara. Não é incomum a máscara estar abaixo do nariz, sem cobrir boca e queixo, ser feita com pano fino, estar rasgada, invertida (a borda rígida deve estar adaptada ao nariz) e utilizada durante semanas sem higienização, aumentando risco de contaminação do indivíduo e dele para outras pessoas.
Assim, tudo parece muito confuso, momento errado para a abertura e uso errado de um importante aliado na proteção pessoal, a máscara.
Realmente, o Brasil é um país de dimensão continental que apresenta áreas onde essa abertura lenta e gradual pode ocorrer, porém, definitivamente, não é o caso de algumas grandes cidades como o Rio de Janeiro.
Fiquem atentos, essa pandemia é a pior de todas. A ciência deve restabelecer sua posição, orientando seus dirigentes, mostrar as descobertas e erros do presente para programar o futuro. Não arrisque sua vida.
Depois de três meses de isolamento social, a ideia de abertura, de poder sair de casa, levar os filhos à escola, ir ao shopping, por vezes suplanta o medo do contágio. Lembre-se, segundo Voltaire, a esperança é um alimento da nossa alma, ao qual se mistura sempre o veneno do medo.

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