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segunda-feira, 15 de novembro de 2021

Você já pensou: O que pode ser os anjos tronchos do Caetano? Eles dão um nó em nosso cérebro.

 Caramba!..., Anjos Tronchos de Caetano é um espelho desse nosso tempo maluco. É uma pergunta a esse encadeamento de imagens em telas que mostra apenas um retrato belo. A canção cria  dúvidas, faz pensar e abala nossas compreensões de mundo. Eu mesmo me pergunto: de onde veio esta musa que  levou Caetano a nos brindar com algo assim tão inimaginável? É uma canção sim, mas traduzida em um inquérito poético  desse nosso  tempo mais do que esquisito. Esse mesmo tempo, que você, que eu e que todos nós estamos. O tempo das ilusões das redes, das startups, da supremacia da tecnologia. Tem muitos anjos tronchos em nosso cotidiano. Sim, porque sempre achei que os Anjos eram corretos, verdadeiros,  perfeitos e protetores. Penso no  troncho como adjetivo do anjo e vejo que  a palavra não é estranha e  encaminha a algo mutilado,  rejeitado.  O Anjo Troncho que passa pela poesia iluminada de Caetano é desesperança, ocultação, e é atraente apenas pela aparência  de uma proteção. E por isso vivemos assim vidrados nas suas "telas azuis", de onde se posta a ilusão do ser tudo e de onde também se  extrai apenas o vazio ilusório do existir. Vive-se sob o controle e na alucinação dos algorítimos, como "novos ritmos",  que “vende, venda” como diz o Caetano, para garantir o olhar mais raso possível da realidade.  Uma grande fábrica de  cretinos digitais, com a atrofiação de neurônios, nas bilhões de telas azuis sob intensa exposição: A "venda" cala no cérebro a insistente pergunta: quem é você? o que é seu país?

Os anjos tronchos são os demônios implicados e enriquecidos por mi..., bi... e trilhões... de granas  e os seus esticados tecnológicos. E o que nos pode  preservar do aflorar desses novos quintais virtuais? E dos demônios e seus controles totais?  No dizer de Caetano, simplesmente elas, as canções: "E nós, quando não somos otários. Ouvimos Shoenberg, Webern, Cage, canções…"   Mas é preciso inteligência, pois apenas ..."quando não somos otários"

Para onde te desloca e te chama esta canção do Caetano?  Ele, Caetano vai. Tem como chegar lá, onde ele está!... 

Veja o clipe dessa preciosidade, desse gênio da nossa música. 

Mas há poemas como jamais
Ou como algum poeta sonhou
Nos tempos em que havia tempos atrás
E eu vou, por que não?
Eu vou, por que não? Eu vou

Por Deodato Gomes 





ANJOS TRONCHOS
(Caetano Veloso)
Uns anjos tronchos do Vale do Silício
Desses que vivem no escuro em plena luz
Disseram: vai ser virtuoso no vício
Das telas dos azuis mais do que azuis.

Agora a minha história é um denso algoritmo
Que vende venda a vendedores reais,
Neurônios meus ganharam novo outro ritmo
E mais e mais e mais e mais e mais.

Primavera Árabe - e logo o horror.
Querer que o mundo acabe-se:
Sombras do amor.

Palhaços líderes brotaram macabros
No império e nos seus vastos quintais
Ao que revêm impérios já milenares
Munidos de controles totais.

Anjos já mi ou bi ou trilionários
Comandam só seus mi, bi, trilhões
E nós, quando não somos otários,
Ouvimos Shoenberg, Webern, Cage, canções...

Ah, morena bela
Estás aqui
Sem pele, tela a tela:
Estamos aí.

Um post vil poderá matar
Que é que pode ser salvação?
Que nuvem, se nem espaço há
Nem tempo, nem sim nem não. Sim: nem não.

Mas há poemas como jamais
Ou como algum poeta sonhou
Nos tempos em que havia tempos atrás
E eu vou, por que não? Eu vou, por que não? Eu vou.

Uns anjos tronchos do Vale do Silício
Tocaram fundo o minimíssimo grão
E enquanto nós nos perguntamos do início
Miss Eilish faz tudo do quarto com o irmão.

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