Saúde Mental em Pauta: Gestores Educacionais Iniciam Jornada Pedagógica com Foco no Acolhimento
CARLOS CHAGAS – Na manhã da quarta-feira, 4 de março de 2026, o cenário educacional deu mais um passo em direção à humanização das relações escolares. Durante a 1ª Reunião Técnico-Pedagógica do ano, diretores, vice-diretores e supervisores de ensino participaram de uma imersão sobre um dos temas mais urgentes da atualidade: a saúde mental no ambiente escolar.
A palestra, assistida por nós, é do renomado psiquiatra e neurocientista Dr. Rodrigo Bressan, professor da UNIFESP e fundador do Instituto Ame Sua Mente. Com uma abordagem que uniu rigor científico e aplicabilidade prática, Bressan prendeu a atenção dos gestores por pouco mais de 40 minutos, desmistificando conceitos e oferecendo ferramentas para a liderança apesar de ter sido uma gravação.
A "Pirâmide Invertida" da Saúde Mental
Um dos pontos altos da fala de Bressan foi a apresentação do conceito de "pirâmide invertida". Segundo o especialista, é fundamental diferenciar o estresse cotidiano — que faz parte do crescimento humano — de problemas de saúde mental e, finalmente, de transtornos mentais diagnosticáveis.
"O estresse faz parte da saúde mental; não existe saúde mental sem estresse, pois ele é o que nos faz superar desafios e crescer", pontuou o médico. O alerta, contudo, reside na incapacidade de superação: quando o sofrimento deixa de ser leve e passageiro para se tornar prolongado e impeditivo, o que exige intervenção especializada.
O Papel Estratégico do Educador
Bressan enfatizou que 50% dos transtornos mentais começam antes dos 14 anos, colocando a escola na linha de frente da prevenção. O palestrante destacou que diretores e supervisores possuem um "olhar privilegiado", sendo os maiores especialistas na faixa etária com que trabalham.
A mensagem para os gestores foi clara: o educador não deve diagnosticar ou tratar, mas sim letrar-se para manejar o ambiente. "A formação em saúde mental não sobrecarrega o educador; ela o empodera", afirmou Bressan, defendendo a criação de protocolos e diretrizes para lidar com crises, bullying e autolesão, o que reduz drasticamente o estresse da equipe.
Cuidar de Quem Educa
A palestra também trouxe dados alarmantes sobre a saúde dos próprios profissionais. Bressan citou o alto índice de afastamentos por transtornos mentais na rede pública e o impacto do burnout, que atinge especialmente aqueles que têm maior envolvimento emocional com a profissão.
Ao final, os gestores foram incentivados a praticar a autopercepção e a buscar estratégias ativas de manejo emocional, como atividade física e higiene do sono, reconhecendo que a saúde mental da escola começa pelo bem-estar de suas lideranças.
A reunião encerrou-se com um sentimento de renovação. Para os supervisores e diretores presentes, a fala do Dr. Bressan não foi apenas técnica, mas um chamado ao "letramento emocional", essencial para enfrentar os desafios de uma sociedade cada vez mais hiperconectada e complexa.

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