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quinta-feira, 15 de outubro de 2026

Aos 93 anos, professora Diva é homenageada por sua trajetória na educação de Carlos Chagas.

Aos 93 anos, professora Diva é homenageada por sua trajetória na educação de Carlos Chagas.

A professora Diva Antunes de Oliveira, de 93 anos, foi homenageada neste Dia dos Professores por sua contribuição à educação de Carlos Chagas. Aposentada da rede estadual, ela começou sua trajetória docente no antigo Grupo Escolar Dr. João Beraldo, onde participou da alfabetização de muitas crianças do município.

Reconhecida como a professora mais longeva da cidade, Diva é apresentada na homenagem como uma referência para os profissionais que hoje atuam na Rede Municipal de Educação. Seu depoimento em vídeo recupera uma convicção que atravessa sua trajetória: a importância de aprender a ler e escrever para se comunicar com as pessoas.

A publicação também mobilizou lembranças de antigos alunos. No Instagram, Maria Zulmira Miranda Barcelos escreveu: “Dona Diva minha querida e amada professora. Estudei com ela no segundo ano primário.” O comentário acrescenta à história da educadora o testemunho de quem passou por suas aulas e preserva esse vínculo na memória.

Um marco de 1946 na história da educação local

A trajetória de Diva no Grupo Escolar Dr. João Beraldo se insere em um contexto de expansão do ensino primário em Minas Gerais. Em 29 de abril de 1946, o Decreto-Lei nº 1.723 autorizou o governo estadual a criar e instalar 41 grupos escolares, incluindo um em Carlos Chagas. O ato foi assinado pelo interventor federal João Tavares Corrêa Beraldo. Assembleia Legislativa de Minas Gerais

O documento constitui um marco para a pesquisa sobre a organização do ensino no município. Embora não registre o nome Dr. João Beraldo nem a data de instalação da unidade, comprova que Carlos Chagas estava entre as cidades contempladas pela autorização estadual de 1946. Naquele ano, Diva tinha 13 anos. Sua atuação como professora aconteceria posteriormente. Assembleia Legislativa de Minas Gerais

Da infância em São Pedro às viagens para estudar

Diva nasceu em 15 de janeiro de 1933, em São Pedro de Jequitinhonha, filha de João Antunes de Oliveira e Arsênia Alves Martins. Primogênita do casal, cresceu ao lado de Gilda, José Venerando, Ilza, Zilma e Joana.

Segundo o relato familiar, chegou ainda criança à Fazenda Avenida, em Carlos Chagas, às margens do Rio Pampam. A primeira viagem foi feita em uma bruaca, transportada numa tropa de burros.

Mais tarde, os deslocamentos passaram a estar ligados à sua formação escolar. As viagens a cavalo entre Carlos Chagas e Pedra Azul fazem parte das lembranças de uma época em que estudar exigia enfrentar distâncias e dificuldades de transporte.

O cuidado com os irmãos e a valorização do estudo

Com a morte do pai, Diva assumiu novas responsabilidades, auxiliando a mãe no cuidado e na educação dos irmãos mais novos.

Após alguns anos, Arsênia casou-se com Procópio da Rocha Prates. Nasceram dessa união Juarez, Luciano, Maria Zaane, Aécio, Helvécio, Cássia e Max. A família passou a reunir treze irmãos, e Diva continuou participando de sua criação.

Entre os episódios recordados está uma viagem de avião a Belo Horizonte para acompanhar Max, diagnosticado com paralisia infantil. A família também destaca sua presença constante no acompanhamento dos estudos e das necessidades dos irmãos.

A importância atribuída à educação encontrava exemplo na própria mãe. Conforme o relato, Arsênia voltou a estudar aos 50 anos e concluiu o antigo curso primário, com uma comemoração no Clube Carlos Chagas.

Das responsabilidades familiares à sala de aula

No Grupo Escolar Dr. João Beraldo, Diva ampliou para outras crianças a dedicação à educação já presente em sua vida familiar. Trabalhou com alfabetização, acompanhando estudantes na descoberta da leitura e da escrita.

O relato da família informa que começou a ensinar antes de concluir sua formação. Posteriormente, mudou-se para Teófilo Otoni para apoiar a continuidade dos estudos do irmão Luciano, que enfrentava dificuldades de adaptação escolar em Carlos Chagas. Na nova cidade, aproveitou para concluir seus próprios estudos. Outros irmãos também passaram a integrar essa experiência de convivência e escolarização.

Sem se casar, dedicou grande parte de sua vida ao trabalho e à família. As casas das ruas Manoel Pimenta e Gabriel Passos tornaram-se referências dessa história compartilhada entre irmãos e diferentes gerações.

A memória dos alunos e a mensagem aos professores de hoje

No vídeo da homenagem, ao imaginar uma nova oportunidade de entrar em sala de aula, Diva destaca a leitura e a escrita como aprendizagens fundamentais à comunicação. Aos 93 anos, sua resposta retoma o compromisso que marcou sua atuação como alfabetizadora.

A canção “A Danada da Saudade”, interpretada por Emilinha Borba, acompanha essa recuperação biográfica. Ao evocar a infância, a música dialoga com as lembranças de escola e com depoimentos como o de Zulmira: a antiga aluna reconhece, no presente, a professora que participou de sua formação.

Essa relação também orienta a homenagem aos educadores da Rede Municipal. Um professor pode não conhecer todos os caminhos percorridos por seus estudantes, mas sua contribuição permanece nas aprendizagens que eles levam para a vida.

A história de Diva reúne experiências de estudo, trabalho docente e cuidado familiar. Ao recuperá-la, Carlos Chagas reconhece uma educadora e preserva parte da memória de sua educação — uma história que continua nas salas de aula e encontra, na voz dos antigos alunos, seu testemunho mais próximo.

Fontes: relato da família Antunes-Martins, elaborado por ocasião dos 90 anos de Diva; depoimento em vídeo; comentário de Maria Zulmira Miranda Barcelos no Instagram; e Decreto-Lei estadual nº 1.723, de 29 de abril de 1946, disponível no acervo da Assembleia Legislativa de Minas Gerais.

DECRETO DE CRIAÇÃO DO GRUPO ESCOLAR DR. JOÃO BERALDO

Eis a transcrição do documento (um decreto-lei oficial do Estado de Minas Gerais publicado no Diário Oficial / "Minas Gerais"):


MINAS GERAIS

GOVERNO

DECRETO-LEI N. 1.723, DE 29 DE ABRIL DE 1946

Dispõe sobre a criação e instalação de grupos escolares.

O Interventor Federal no Estado de Minas Gerais, usando das atribuições que lhe confere o art. 6.º, n. V, do decreto-lei n. 1.202, de 8 de abril de 1939, decreta:

Art. 1.º — Fica o Governo do Estado autorizado a criar e instalar 11 grupos escolares nas seguintes cidades: Aguas Formosas, Almenara, Alterosa, Ataléia, Bias Fortes, Bom Jardim de Minas, Bom Jesus do Gallo, Brumadinho, Campo Florido, Campos Altos, Carlos Chagas, Carmo da Cachoeira, Conceição das Alagoas, Conceição da Aparecida, Divisa Nova, Francisco Sales, Guia Lopes, Inliahópolis, Itambacuri, Itinga, Jacinto, Malacacheta, Mantena, Medina, Nova Ponte, Novo Cruzeiro, Pardizes, Poté, Resplendor, Rubim, Santa Juliana, São Gonçalo do Abaeté, São João do Paraíso, São João da Ponte, São Pedro da União, Sapucaí-Mirim, Simonésia, Tamarumirim, Unaí, Veríssimo e Volta Grande.

Art. 2.º — Ficam criados, no quadro do ensino primário, 83 lugares de diretor de grupo escolar de cidade, 53 de auxiliar de diretor, 83 de porteiro de 3.ª classe e 120 de servente de 3.ª classe, para os grupos escolares criados e para os já criados a serem instalados.

Art. 3.º — Os vencimentos do pessoal a que se refere o artigo anterior serão pagos por conta das respectivas dotações orçamentárias em vigor.

Art. 4.º — O presente decreto-lei entrará em vigor na data de sua publicação.

Palácio da Liberdade, Belo Horizonte, 29 de abril de 1946.

JOÃO TAVARES CORRÊA BERALDO

Olimpio Orsini de Castro

Jair Negrão de Lima

(Nota: O documento também traz trechos visíveis nas colunas laterais referentes a outros decretos, como o Decreto-Lei n. 1.721, de 29 de abril de 1946, e nomeações/reestruturações de cargos públicos da Imprensa Oficial e da Secretaria de Agricultura e Comércio).