Bullying

quarta-feira, 30 de agosto de 2023

Dinâmica de Grupo: Explorando Nossa Identidade e Promovendo uma Mentalidade Positiva

 Dinâmica de Grupo: Explorando Nossa Identidade e Promovendo uma Mentalidade Positiva

Objetivo: Esta dinâmica tem como objetivo promover a reflexão sobre a identidade individual, estimular a autoconfiança, estimular a acessibilidade do outro e cultivar uma mentalidade otimista entre os professores da Educação Básica.

Materiais necessários:

Papéis em branco

Canetas coloridas

Passo 1: Introdução (10 minutos) 

Comece a reunião introduzindo a frase "Justo a mim coube ser eu" e o contexto relacionado à personagem Mafalda. Explique que a dinâmica visa abordar temas como identidade, autoconfiança, acessibilidade e otimismo, para promover uma perspectiva mais positiva sobre a profissão e a vida.

Passo 2: Reflexão Individual (15 minutos) 

Distribua os papéis em branco e canetas coloridas para cada professor. Peça a eles para escreverem a frase "Justo a mim coube ser eu" no topo da folha. Em seguida, peça que reflitam sobre o significado da frase em relação a si mesmos. Eles devem escrever suas próprias interpretações e pensamentos pessoais sobre como essa frase se relaciona com sua identidade, desafios e perspectivas.

Passo 3: Compartilhamento em Duplas (20 minutos) 

Divida os professores em duplas e parte que compartilham suas reflexões com seus parceiros. Encoraje-os a ouvir atentamente e trocar ideias sobre as interpretações mútuas da frase. Incentive à empatia e à compreensão do ponto de vista do outro.

Passo 4: Discussão em Grupo (20 minutos) 

Reúna o grupo e abra uma discussão sobre as reflexões feitas nas duplas. Peça que voluntáriamente compartilhem insights interessantes que surgiram durante as conversas em duplas. Incentive a discussão sobre como a frase se relaciona com as próprias experiências, desafios e sentimentos dos professores.

Passo 5: Criatividade e Expressão (20 minutos) 

Agora, peça aos professores para pegar suas folhas e canetas coloridas novamente. Eles deverão criar uma representação visual da frase e das ideias que discutiram, usando desenhos, palavras-chave, núcleos e símbolos. Incentivo à criatividade e à expressão pessoal.

Passo 6: Apresentação e Reflexão Final (15 minutos) 

Dê a oportunidade para que os professores compartilhem suas representações visuais com o grupo. Durante cada apresentação, peça que explica o significado por trás das escolhas que fizeram em seus desenhos. Finalizar a dinâmica com uma discussão aberta sobre como a reflexão sobre a identidade, autoconfiança, liberdade e otimismo pode influenciar positivamente a forma como enfrentar os desafios da profissão e da vida em geral.

Esta dinâmica visa criar um espaço seguro para que os professores compartilhem suas reflexões pessoais, construam empatia entre si e cultivem uma mentalidade mais positiva em relação à profissão e à vida. Ela se baseia na reflexão filosófica de Mafalda para explorar questões profundas de identidade e propósito, enquanto utiliza elementos criativos e interativos para tornar a experiência envolvente e envolvente.

           Professor Deodato Gomes Costa

Reflexões sobre "Justo a mim coube ser eu": Celebrando a Singularidade, para fechar a Dinâmica.

Caros professores,

Hoje, compartilhamos momentos de reflexão profunda inspirados pelas palavras marcantes da jovem e sábia Mafalda: "Justo a mim coube ser eu." Nesta jornada de autoexploração, exploramos as camadas dessa frase aparentemente simples, descobrindo que ela é um portal para a compreensão de nossa própria identidade, missão e lugar neste vasto e complexo mundo.

Em nossa busca pela significância, muitas vezes somos levados a olhar para os outros em busca de comparação e validação. No entanto, Mafalda nos lembra com sagacidade que ser quem somos, com todas as nossas singularidades, é uma vitória única. A vida não nos atribuiu um papel aleatório, mas sim nos confiou a missão de sermos nós mesmos, com todas as nossas habilidades, sonhos e imperfeições.

A frase de Mafalda também nos convida a abraçar o poder da acessibilidade. Aceitar a nós mesmos é o primeiro passo para aceitar os outros. Nossas diferenças são os tijolos que constroem a rica tapeçaria da humanidade. Assim como Mafalda questiona o porquê de ser ela mesma e não outra pessoa, também somos convidados a refletir sobre o valor intrínseco de nossa própria existência.

A complexidade da frase nos lembra que, embora “nós mesmos” possa parecer simples, na realidade, é um desafio. É um chamado para abraçar nossa responsabilidade individual com coragem. Afinal, ser "eu" não é uma tarefa fácil, pois exige que enfrentemos as incertezas, os obstáculos e as expectativas que nos cercam. No entanto, é nesse enfrentamento que descobrimos a profundidade do nosso potencial.

Mafalda, com a sua dose de humor, aponta para o paradoxo de sermos gratos com a tarefa de sermos nós mesmos. Ela nos ensina que, mesmo em meio aos momentos difíceis, é essencial encontrar espaço para o riso e a ironia. A vida é uma mistura de alegrias e desafios, e ao abraçar essa dualidade, encontramos um equilíbrio que nos permite avançar com otimismo.

Ao encerrar nossa reflexão, lembremos que esta frase é um lembrete gentil para celebrarmos a singularidade que cada um de nós traz para o mundo. No coração da educação, encontramos o poder de moldar mentes jovens, mas também é uma oportunidade de continuarmos a moldar a nós mesmos. Assim como Mafalda, também somos observadores agudos da sociedade, detentores de um poder transformador.

Sigamos adiante, valorizando a jornada de autodescoberta, celebrando nossas identidades individuais e nutrindo uma mentalidade de acessibilidade e otimismo. Pois, de fato, "justo a nós coube ser nós", e é nessa jornada única que encontramos a verdadeira essência da vida e da educação.

Com gratidão, Deodato Gomes Costa

Crônica encontrada na folha de São Paulo:

Por Dulce Critelli

Toda vez que minha avó paterna me dizia que o molde em que fui feita fora quebrado quando nasci, eu achava que ela estava me elogiando. Acreditava que somente eu era “única” no mundo. Aos poucos, fui percebendo meu engano.

Primeiro, porque, em vez de me tornar diferente, o fato de ser uma criatura única era o que me igualava a todos os seres humanos. Entendi que é parte da nossa condição humana sermos indivíduos exclusivos. Dela ninguém escapa. Em segundo lugar, porque essa exclusividade – recebida com meu nascimento – não me foi dada assim de mão beijada. Nem veio pronta nem tinha um manual. Ela se parece com aquelas massinhas de modelar que, quando a gente ganha, ganha só a massa, não a forma, e o resultado é sempre o fruto de um longo processo de faz e desfaz.

Cedo percebi que jamais teria sossego e que teria muito trabalho. Típico presente de grego, uma armadilha. Encontrei eco para o meu espanto nas palavras da Mafalda, a famosa personagem de Quino, o cartunista argentino, no momento em que ela diz: “Justo a mim me coube ser eu!”. Ser quem só a gente mesmo pode ser é quase uma desolação. Quem eu sou e deverei ser? Minha individualidade é um mistério.

Quantas vezes eu não preferi ser outra pessoa! Se não, pelo menos pensei se não seria melhor ter nascido em outra família, em outra época, com outra situação financeira, outra cara, outro corpo, outro temperamento. Ainda mais porque, aparentemente, sempre soube resolver a vida dos outros muito melhor do que a minha própria.

Para ser sincera, quando penso que o meu “eu” está aberto, o que sinto mesmo é um grande alívio. Se eu tivesse nascido pronta, não teria conserto. E se não houvesse remédio para os meus erros e uma chance para os meus fracassos? E se eu não pudesse mudar de ponto de vista, de gosto, de planos, de opinião? E se eu não tivesse escolhas nem alternativas?

Mas também vejo um lado sombrio em ser um projeto aberto: o de nunca ter certeza, sobretudo de antemão, de ter tomado a atitude certa, de ter feito a escolha mais apropriada – aquela em que não me traio. Quando percebo que um gesto qualquer vai afetar o meu destino, sinto medo, angústia, suo frio, tenho vertigens, adoeço. Aí, a tentação de pegar carona na escolha dos outros ou no estilo de vida deles é grande, mas minha alma grita que não vai dar certo e me lembra que o meu molde foi quebrado, que ele é exclusivo.

Levei muito tempo para entender que minha exclusividade não está simplesmente em mim, na minha cor de olhos ou nos meus talentos mais especiais. Ela está sempre lançada adiante de mim como um desafio, como um destino a que tenho de chegar, como uma história que tem de ser vivida. Minha exclusividade – eu mesma – virá apenas quando eu puder afirmar que a história que vim realizando só eu – e ninguém mais – poderia tê-la vivido.

É a isso que a personagem Amparo, no filme de Almodóvar “Tudo Sobre Minha Mãe”, se refere quando afirma que ela é tanto mais autêntica quanto mais perto estiver daquilo que projetou para si mesma. Fala com orgulho e alegria, revelando, assim, que desvendou o mistério que envolve o problema de ser quem somos: autenticar nossa biografia. Avalizá-la.

Onde estou, senão no rastro da história que venho deixando atrás de mim, naquilo que vim fazendo e dizendo? Onde estou, senão nessa biografia que realizo e atualizo a cada instante por meio das minhas decisões e do meu empenho?

Hoje não importa mais se sou diferente dos outros, mas se faço alguma diferença neste mundo.

Autora: Dulce Critelli

Publicado na Folha S.Paulo

São Paulo, quinta-feira, 22 de julho de 2004.


Monólogo da Busca Pela Própria Essência

(Personagem em cena, sozinha, refletindo)

Toda vez que minha avó paterna me falava que o molde que me originou havia sido despedaçado no exato momento em que nasci, ah, como eu não conseguia entender de que ela entoava, na verdade, um elogio celestial que acariciava minha essência. Eu acreditei que eu, unicamente eu, estava predestinada a brilhar como uma joia singular na vastidão do universo. Porém, gradualmente, as tramas da verdade começaram a desfazer-se diante dos meus olhos.

Primeiramente, oh, como me dei conta daquela singularidade, embora parecesse ser o ápice da exclusividade, na verdade, estava entrelaçada irrevogavelmente com todos os corações que pulsam com a chama da humanidade. Sim, compreendo que a exclusividade é uma benesse compartilhada por todos nós, entrelaçada na tessitura de nossa existência. Essa singularidade nos une, inescapável, é uma sinfonia inaudível que nos une como uma tribo de solitários. Em segundo plano, revelou-se a verdade amarga: essa exclusividade que me foi concedida ao nascer, ah, não chegou embrulhada em um laço perfeito. Não, ela é como uma massa de modelar, aquelas massinhas infantis, oferecidas a nós sem forma, sem manual de instruções. Nós, os esculpidores, os artistas de nossa própria forma, nos esforçamos para criar algo significativo a partir desse começo informado e fluído.

Cedo na jornada, percebi a armadilha que minha unicidade representava, como um presente de surpresas enganosas. Ah, que presente de gregos e deuses caprichosos! As palavras de Mafalda, aquela personagem capturada nas tirinhas de Quino, ecoavam em minha mente: "Justo a mim me coube ser eu!". A dádiva de ser quem somos, oh, que paradoxo de desolação. A identidade que é só nossa, que só nós podemos possuir, é um fardo quase indomável. Quem sou eu, oh, e quem serei? Minha própria essência permanece envolta em mistério, um enigma sem respostas claras.

Quantas noites eu não desejo ser qualquer pessoa além de mim mesma! Ou, ao menos, me indaguei se outra vida, outra família, outra época, um contexto financeiro diverso, um semblante distinto, um corpo alternativo, um temperamento outro, não me manteve acolhido com abraços mais acolhedores. Ah, principalmente porque, pelo visto, parecia que eu sempre tinha a solução para a jornada dos outros, enquanto eu mesma tropeçava em minha própria trilha.

E para ser sincero, quando penso que meu "eu" é fluido, que está em constante mutação, oh, um intervalo enorme me acalma. Se eu tivesse emergido do caso de existência plenamente formada, sem espaço para adaptação, oh, que tragédia incerta seria. E se a correção não fosse possível para os meus erros, e se meus fracassos não encontrassem o consolo da tentativa? E se eu estivesse presa, numa marionete sem o fio da mudança, da perspectiva, do gosto, das metas, das convicções? E se a escolha fosse uma miragem e alternativas não passassem de sombras?

Mas também vislumbro as sombras que percorrem esse caminho de ser um projeto aberto, um livro de páginas não escritas. O sombrio é nunca encontrar certeza, principalmente antecipada, de que cada passo é o correto, de que cada escolha é a mais congruente, aquela que não trai o âmago do que sou. Quando cada gesto, cada escolha, lança seus ecos no vasto ciclo do destino que constrói, ah, o medo emerge, a angústia dança, o suor gela, a vertigem me toma, a saúde desfalece. A tentativa de seguir os passos dos outros, de mimetizar vidas alheias, é quase irresistível, mas minha alma ressoa que essa jornada seria vazia e vã. Minha alma sussurra: "Teu molde foi quebrado, é singular".

Levei anos, uma era inteira, para compreender que minha singularidade não reside apenas na tonalidade dos meus olhos ou nos talentos que carregam com amor. Não, ela é um desafio sempre futuro, uma estrela guia a ser alcançada, uma epopeia que deve ser vívida. Minha unicidade, eu mesma, emergirá como um fênix das cinzas quando eu puder proclamar que a história que trilhei só eu – e não outro – poderia ter dançado.

E é isso que a personagem Amparo, na obra cinematográfica de Almodóvar, “Tudo Sobre Minha Mãe”, tão sabiamente aponta quando declara que seus danos crescem à medida que se aproxima da imagem que projetou para si mesma. Oh, com orgulho e alegria ela fala, expondo, assim, a chave que ela desvendou no enigma de ser quem somos: autenticar nossa própria biografia. Assinar cada página com nossa jornada.

Onde estou, senão nas trilhas da história que deixo marcados no solo, naquilo que disse e fiz? Onde estou, senão nas páginas em branco que preencho a cada decisão, a cada esforço, a cada escolha? Hoje, ah, hoje não importa mais se minha essência difere dos outros, mas sim se faço alguma diferença neste vasto mundo.

(Cena esmaecendo, personagem se perdendo em pensamentos)

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