Bullying

sábado, 27 de junho de 2026

Quando Miguel abre um Pacotinho de Figurinhas!



Figurinhas que educam

Miguel anda encantado com o álbum da Copa do Mundo. Sempre chega perto de mim para mostrar uma figurinha nova. "Essa é rara!", diz com os olhos brilhando. Logo em seguida explica quanto ela vale, quais ainda faltam e conta, com entusiasmo, que "na minha escola tem vários colegas que fazem o álbum" e que "bato figurinhas com vários colegas". Depois me mostra o famoso "bafão", aquele movimento com as mãos em concha que só as crianças parecem dominar, fazendo a figurinha virar ao som de um barulho abafado.

Enquanto o observo, volto à minha própria infância. Também corri atrás de pacotinhos, fiz trocas, comemorei figurinhas difíceis e aprendi, sem perceber, muitas lições que a escola também ensina.

Um professor sensível enxerga muito além do álbum. Ali estão presentes a persistência, a organização, a atenção, a negociação, o planejamento e a tolerância à frustração quando a figurinha vem repetida. Cada espaço preenchido revela que grandes conquistas acontecem passo a passo. Cada troca desenvolve convivência, respeito e cooperação.

Miguel talvez ainda não saiba, mas enquanto completa as figurinhas das 48 seleções da Copa de 2026, também vai preenchendo páginas importantes da própria formação humana.

E nós, adultos, tão apressados entre prazos, compromissos e preocupações, talvez também devêssemos comprar um álbum. Tenho certeza de que muitos já o fazem. Não apenas pelas figurinhas, mas porque elas despertam algo precioso que o tempo insiste em esconder.

Até a palavra é bonita: figurinhas. Há nela um carinho infantil que nos convida a desacelerar. Elas não colecionam apenas jogadores. Colecionam encontros, memórias, amizades, sonhos e um sabor de infância que continua educando as crianças e, de vez em quando, também os adultos.

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