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domingo, 6 de setembro de 2026

O País no fundo do poço na Matemática


 

Renata Cafardo

E-mail: renata.cafardo@estadao.com; X: @recafardo

O País no fundo do poço na Matemática

O número deveria estar em outdoors, se eles ainda existissem por todo o Brasil. Nas redes sociais, precisaria estar na boca dos influenciadores que gritam para coisas muito menos importantes. A verdade é que pouca gente sabe que só 8,5% dos estudantes que concluem o ensino médio no País, aos 17 ou 18 anos, têm aprendizagem adequada em Matemática. Isso significa menos de um estudante em dez que terminam o ensino médio.

Em 20 anos, mostra levantamento do Todos pela Educação, o avanço foi muito tímido: eram 5,2% em 2005 e chegamos a 8,5% em 2025. O que significa o nível adequado? Só esse grupo consegue resolver problemas utilizando probabilidade, determinar a distância entre dois pontos no plano cartesiano e usar corretamente o Teorema de Pitágoras.

O patamar de 8,5% é a média no Brasil e também no Estado de São Paulo, o mais rico do País. O maior índice é o do Piauí, com 16,7%. Mas por que a Matemática tem resultados tão piores? A neurociência mostra que o cérebro tem plasticidade e que a habilidade matemática não é uma característica fixa, determinada de antemão. Não há crianças simplesmente "sem jeito para Matemática". Existem diferentes trajetórias de aprendizagem, experiências e oportunidades de aprender.

Menos de 10% dos alunos termina a escola sabendo o adequado para a disciplina

O problema está também na forma como a disciplina foi apresentada durante muito tempo nas escolas, com exigência de memorização e rapidez, muitas vezes sem ensinar aos estudantes como compreender o sentido e as aplicações de cálculos, padrões, fórmulas ou formas geométricas.

Muito se fala agora em educação matemática criativa, que foca em processos e descoberta, e não apenas no resultado. Isso não só ajuda a aprender como diminui o medo, a chamada ansiedade matemática – a sensação de que "não sirvo para isso".

Outra razão é que a aprendizagem de Matemática depende muito da escola, explica o diretor do Todos pela Educação, Gabriel Correa. Além disso, a Matemática é uma disciplina muito cumulativa. Se a criança não aprendeu bem a multiplicação, não vai entender a porcentagem. Sem a divisão, fica difícil avançar para a equação.

E a última razão é que a Matemática tem sido menos priorizada nas políticas educacionais do que a alfabetização. Não é preciso que todo jovem saia do ensino médio preparado para resolver problemas matemáticos de alta complexidade. Mas que todos saiam da escola acreditando que são capazes de aprender Matemática.

É REPÓRTER ESPECIAL DO "ESTADO" E FUNDADORA DA ASSOCIAÇÃO DE JORNALISTAS DE EDUCAÇÃO (JEDUCA)

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